quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Aplausos Para o Arrebenta

Tomei a liberdade de transcrever o post do Arrebenta:


"Hoje é um dia com alguns factos notáveis. Eu sei que as figuras são velhas e recauchutadas, mas pertencem a um tempo em que não nos queriam tornar a todos em "Yes Men/Women". Falo, pois, de Mário Soares, que desancou esta m**** toda, e de Santana Lopes, que vem para a Vingança do Ceguinho. São "benvindos", aliás, tudo o que desestabilize a situação é bem-vindo. Não falo das pseudo-crises de Nobre Guedes, que, em vez de andar a fingir que faz "oposição" a Portas e a sabotar-lhe o pouco espaço de manobra de uma voz forte, se devia era casar com ele. Nobre Guedes é um cobarde e um inapto, que grimpou pelos poleiros todos, empurrando sempre para a linha da frente o Portas, esse, sim, de oração brilhante, e que se esteve zenitalmente nas tintas, para tudo o que andaram a fazer, quando lhe enxolhavaram a muito conhecida vida privada, vivida em lugares públicos. Borrifou, continuou, e andou, é daquilo que gosta, pois está no seu direito, não anda a enganar Sofias, nem a emprenhar de 4 filhos, que o número 3, na bichanagem, é perigoso. Já agora um beijo para a Teresa, mulher de coragem, que o apanhou no restaurante (a "Nosferata"), e, à medida que ele avançava pelo restaurante afora, com a prole atrás, ela só repetia "paneleiro", em tom crescente, até que o outro -- uma senhora -- por ela passou, sem mexer um músculo. Hábitos: faziam-lhe o mesmo com o Estádio do "Belenenses" todo cheio, e nem por isso deixou de casar e... procriar: um ferreira-leitista de gema.
Adiante.
Outro merecidíssimo louvor vai para José Maria Martins, que, no Processo "Casa Pia", quando já toda a gente percebeu que os verdadeiros culpados nunca serão condenados, nem sequer o seu nome veio indiciado, a não ser nos círculos do rumores, ou dos iniciados, no qual, infelizmente, me incluo, pediu, para Carlos Silvino, uma pena simbólica, que não o penalize mais do que o já foi, por um Estado que não tem vergonha na cara e uma população indigna, que preferiu multiplicar anedotas de bibis, em vez de se debruçar sobre as graves raízes do problema.
Esta é uma das chaves: somos um povo cobarde, vil e vingativo, e recheado de inclinações pedófilas.
Sobre o Bibi caiu toda a porcaria que o Português típico, o mesmo que, nas obras, assobia às mamas das miúdas de 13 anos e lhes diz "comia-te toda", ou, nas oficinas de automóveis, enfia, nos ânus dos novatos, tubos de pressão de ar dos pneus, ou, nas brincadeiras em família gostam de estrear as bocas e os rabinhos dos familiares desfavorecidos ou deficientes, quando não dos próprios filhos.
O Povo Português não presta: foi exímio em desmultiplicar-se em chalaças reles sobre os "Bibis", mas incapaz de inventar anedotas sobre os "Senhores Doutores", e, quando chegava ao patamar dos senhores doutores, defendiam-nos, com unhas e dentes, porque os senhores doutores, para a mente medíocre, tacanha e agachada do porcalhão de rua português, por definição, não pode ter os mesmos comportamentos desbragados dele, senão ele não era o homem da rua, e o doutor... doutor.
Com esta gente não há nada a fazer. Para os eleitos, ou seja, para os que, em Portugal, sofrem de lucidez, de razão e de ponderação, isto é um permanente suplício, sentir que o bode-expiatório é que é importante, não a expiação, ou qualquer apuramento da verdade. Na realidade, qualquer faz-de-conta chega, desde que não chateie muito.
Do ponto de vista meramente humano, Carlos Silvino, ao ser entregue à memória reles da populaça, já cumpriu a sua pena, não por que não tenha tido culpas, mas porque o cenário onde tudo se desenrolou é de tal modo sinistro, deplorável e inacreditável que, por mero apelo aos direitos humanos, não podemos pedir que alguém, mais frágil, sofra, por toda a prepotência, o poder formidável da máquinia intimidatória e mentirosa, a desinformação da ocultação, o compadrio do salvem-se-os-poderosos, e a verdadeira ocultação da difusa maré dos grandes culpados.
Do "Casa Pia" ficará, entre os diferenciados, a prova provada de que não vivemos num Estado de Direito; no Senso Comum, a de uma história muitíssimo, e propositadamente, mal contada; na plebe, na ralé e na massa bruta deste povo da Cauda da Europa, o prazer sádico de punir, para sempre, alguém, num anedotário de taberna, assim empurrando para o catártico o que era do puro foro de uma Justiça... inexistente.
Para vocês, que agora me estão a ler, uma elite das informáticas, da intelectualidade, da Comunicação Social, da Academia, do Bom Tom e do Bom Gosto, apenas um pequeno esforço: colocai-vos na pele do "Bibi", ensarilhado na ratoeira de, pela primeira vez, e depois, por todas as outras, receber, do outro lado da linha, chamadas de vozes muito nossas conhecidas da Política, da Comunicação Social, da Diplomacia, dos Órgãos decisórios do Estado, da Economia, das Finanças, das Artes e do Espectáculo, do Futebol, e de tudo o que queiram imaginar... sim, ponham-se no lugar de um homem do Povo, filho de um orfanato, onde todos sabemos, naquela ideia difusa e arquetípica, que "estas coisas" das violações dos mais novos pelos mais velhos são estruturantes, constituintes e, atrever-me-ia... heráldicas, um homem destes, simples, indiferenciado, e, ele próprio, apanhado pela maré, a ser crescentemente interpelado, e assediado, pelas figuras e vozes mais importantes de um País.
A resposta, inevitável, é velha de tradição e séculos: teria de ser, pois, um... "sim, senhor doutor..."
Numa lei pragmática e impiedosa, chamar-se-ia a isto "proxenetismo" e cumplicidade em condenáveis e inenarráveis -- eu também quereria esquecer isto tudo, mas nunca poderei... -- actos, que nunca conheceremos. Num palco totalmente minado e corrupto, como é a Sociedade Portuguesa do Final da III República, dominada por Seitas e Sociedades Secretas do pior cariz, ao pé das quais a Chicago do Anos 20 era uma brincadeira de crianças, um "não, senhor doutor..." poderia ter custado, como custou, a Carlos Silvino, o direito de redenção e de readmissão numa Sociedade de Cidadãos. Cortar-lhe-iam, como agora querem voltar a cortar, deixando-o sozinho, a humilde cabeça.
Chega desta porcaria: se Portugal se revelou indigno de proteger os seus órfãos, e usou casas, de acolhimento, como talhos para os apetites dos novos Tibérios e Gilles de Rais da lusofonia, e utilizava os elos mais fracos para servirem de correios e de fornecedores, de cada vez que os caprichos de Suas Excelências por aí passavam, poupemos os elos fracos, já que falhámos a tarefa histórica de sentar os Poderosos nos bancos dos réus.
Somos um país de infelizes e cobardes, onde o Supremo Magistrado da Nação se compraz com o fascínio das suas mulheres dominadoras, as Leonores Belezas, as Ferreiras Leites e as Lurdes Rodrigues, e que só me faz lembrar alguém que precisaria de Madame de Sade, e, já que falamos de Madame de Sade, cubra-se também de vergonha, Senhor Primeiro-Ministro, você, e a sua Sexualidade Urânica, mais do que conhecida na nossa comunidade homossexual: se Carlos Silvino ficou ligado a tudo o que são sórdidas anedotas, você ficará, para sempre, como o Político que varreu, para debaixo do tapete, e com o carimbo da impunidade, toda a sordidez do Casa Pia.
Acautele-se: pior do que todos os seus quotidianos actos ridículos, a sua passagem, bem como a da Maioria que o apoiou, corresponderam, no meu dever, enquanto escritor e intelectual, de o redigir, a um dos períodos mais baixos e vergonhosos de toda a nossa História de Povo Livre e Independente."
"Shame on you", Sr. Sócrates!...
(Duo vexado, no "Arrebenta-Sol" e em "The Braganza Mothers")
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Aqui está a coragem de falar e defender a pouca democracia que existe em Portugal. Obrigado Dr. José Maria Martins, obrigado Arrebenta.

Um abraço

6 comentários:

Jorge Borges disse...

Aqui está um retrato bem cru da realidade portuguesa, bem sórdida. As elites permitem-se sair impunes de todas as suas ilegalidades, precisamente pelo facto de serem elites. pelo facto de estarem no topo, protegidas por todo um vasto conjunto de "filtros", na comunicação social, através das leis, etc.
Enquanto formos governados desta forma e o povo aceitar esta situação a alternativa será difícil, se não mesmo impossível.

Um abraço

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Na verdade, uma descrição da populaça ainda bem condescendente. Um rebanho de cobardolas que nem para fazer molho de merda presta. Uma pobre e desgraçada cambada sem o mais ténue vestígio de coragem. Um rebanho que lambe a mão do carrasco que empunha a faca que o degola.

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