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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A BATALHA DAS IDEIAS NA CONSTRUÇÃO DE ALTERNATIVAS (4)

Entrou em vigor na passada semana um dos maiores golpes palacianos de que há memória em Portugal, refiro-me à entrada em vigor do novo código do trabalho.
Bem barafustam sindicatos e patronato, aliás não vi os primeiros fazerem acções concretas de rua, com greves e levantamentos populares para “obrigar” governo e patronato a recuar, o que vi (vimos) foram acções esporádicas que nada resolveram, o que vi (vimos) foram patrões e governantes, actuar a seu belo prazer mandando às malvas tudo o que são direitos adquiridos por nós.

As multi-nacionais que a troco de contribuírem para o “desenvolvimento” do país e
empregarem a nossa mão de obra para o qual receberam milhões de euros, para além de outras benesses de natureza fiscal e não só, abandonam-nos com os bolsos cheios, deixando atrás de si milhares de desempregados e famintos.

Que fez o governo?
Que fizeram os sindicatos?

Palavreado e só palavreado.

Os primeiros, quais vendilhões de meia tigela, vêm-se agora a braços com um exército de desempregados, com vários (exércitos) de famintos e com a economia de rastos. Os segundos não souberam ou não quiseram mobilizar os trabalhadores na defesa intransigente dos seus postos de trabalho, com acções concretas e objectivas, limitando-se a berrar e fazendo aqui ou ali uma ou outra greve ou manifestação sem consequências.

Que fazer?

Já vimos que dentro deste sistema os trabalhadores não têm hipóteses, necessitamos de encontrar alternativa ao mesmo, o actual quadro político-partidário também nada resolve, pois encosta-se ao status-quo vigente e vive na sua sombra, entregando-se às quezílias parlamentares esquecendo-se do fundamental, falando muito e actuando pouco ou nada. Por isso, o que o Povo e os trabalhadores necessitam é de serem eles a tomar conta efectiva dos seus destinos, para isso e para que a mudança se faça temos de:

Não deixar que nos destruam o nosso posto de trabalho
Organizar grupos de trabalhadores e de forma enérgica fazer valer os nossos direitos
Mobilizar a população, na aldeia, na vila, no bairro, para juntos nos opormos energicamente ao encerramento de empresas e se tal for necessário ocupar as mesmas na defesa e manutenção dos nossos postos de trabalho
Nunca recuar perante ameaças vindas de onde vierem

A hora é de luta

Continua….

ferroadas

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A BATALHA DAS IDEIAS NA CONSTRUÇÃO DE ALTERNATIVAS (1)

Com o mundo a braços com umas das suas maiores crises, Portugal, país pobre e de enormes contrastes sociais vive a crise com maiores dificuldades.
Só na terça-feira, em todo o mundo, calcula-se e segundo a OIT (Organização Mundial do Trabalho) teriam sido despedidos setenta mil trabalhadores, por cá os despedimentos são uma realidade sem que o sistema o consiga resolver.

O estado, continua impávido e sereno a assistir à delapidação do nosso tecido produtivo, não sendo capaz de encontrar soluções para resolver os vários problemas. Empresas outrora viáveis, são agora um monte de sucata e recordações, muitas delas recebendo dinheiros públicos, inauguradas com pompa e circunstância pelos vários governos.

Porque não se entregam essas empresas aos trabalhadores e eles que tomem conta das mesmas em regime de autogestão, sim, porquê enviar milhares de trabalhadores para o desemprego se o estado tem a solução. Porque não ajuda o estado essas novas empresas auto-gestionárias e as promove junto dos clientes? Em vez de colocar milhões em tipos que não foram capazes pela incompetência e pior ainda, por aquilo que “desviaram” para adquirir automóveis de luxo ou férias num qualquer resort paradisíaco, acompanhado por uma qualquer prostituta finória, sim, é para isto que esses trafulhas querem o dinheiro, esta gente está-se borrifando para a empresa e menos ainda para os trabalhadores.

O capitalismo continua a “mamar” na teta do estado, na nossa “teta”, quando este mesmo estado se recusa a dar mais uns euros a pensionistas e/ou reformas mais baixas, prepara-se e em alguns casos já o fez, em injectar milhões, muitos milhões em bancos e empresas de índole bastante duvidosa. Este mesmo estado que continua a fazer figura de rico, quando tem a maioria do Povo com fome.

Existe solução, claro que sim, só temos de ser fortes e determinados, denunciar as injustiças e esclarecer o Povo, nas tertúlias, nas associações, no nosso trabalho, etc.. Temos de dizer à burguesia que estamos determinados a mudar, temos as soluções, temos os meios, temos a nossa força.

Agora que o capitalismo está moribundo e enquanto alguns se vão entretendo a fazer cócegas ao sistema, pois têm interesse em manter o satus-quo e as mordomias, a luta para derrubar o sistema burguês tem de ser com actos, com determinação e coragem, com soluções efectivas para o Povo, ser ele a decidir, a organizar, nunca nas suas costas ou muito menos em seu nome. A revolução está próxima, vamo-nos preparando.
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# ferroadas
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Ver também em O Libertário

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A FALÊNCIA DO SISTEMA



Caminhamos a passos largos para a falência total do sistema vigente, adiada apenas através de mudanças de óleo pontuais que vão simplesmente prolongando a agonia e retardando o estertor final.

O sistema está podre, viciado, corrompido e pior do que isso, subsiste apenas por falta de alternativas imediatas. O motor propulsor que invariavelmente levará a uma substituição, por enquanto adiável, do mesmo, funciona ainda e apenas a umas 3000 rotações/minuto, tardando a atingir a “red-line” das 6000 rotações. Aí sim, a potência demolidora dos cavalos (horse-power) porá em marcha uma imparável revolução que será irreversível e esmagará a podridão que tem subsistido e engordado à custa do Povo.

Os sinais cada vez mais consistentes de que o fim do sistema se aproxima são-nos revelados por dados concretos e por manobras desesperadas de quem sempre viveu do sistema e com o sistema. Ironia do destino, serão precisamente esses sanguessugas que conduzirão os cidadãos a uma revolta inevitavel que os irá consumir e entregar às formigas.

O combustível que alimentará tal motor serão exactamente as chagas sociais criadas pela ambição desmedida de poder e ganância sem limites de dinheiro desses vampiros: desemprego, trabalho precário, injustiça social, pobreza, miséria.

Os indicadores económicos apontam para breve a insustentabilidade do subsídio de desemprego e das pensões de reforma. O aumento exponencial do desemprego e a consequente degradação social, que cada vez mais alargarão o fosso entre os mais ricos e os mais pobres acabarão por acender a ignição que porá o motor em marcha.

Preparemo-nos pois, que a hora não deve tardar.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

PACOTES, SAPATOS E FÓRUNS...



Entre pacotes retardados de medidas azedas para combater a crise económica nacional, sapatos voadores de despedida ao maior ditador dos tempos presentes, propostas de alternativas políticas de esquerda concentradas em fórum, e a eleição de um presidente de um partido com assento parlamentar com a extraordinária votação de sensivelmente 6000 votos (!) , ou seja mais ou menos a afluência média domingueira de qualquer feira dos subúrbios de Lisboa, assim se passou mais um chuvoso fim de semana de Dezembro.

Não é que seja avesso a sapatos, embora aprecie mais ténis, o mesmo com os pacotes, sendo que neste caso a minha preferência recai mais no Camilo Alves do que na Mimosa, mas a minha prelecção de hoje incide tendencialmente no Fórum Democracia e serviços públicos, realizado no Domigo, e que reuniu aderentes de vários quadrantes políticos da esquerda. Quanto ao tal campeão de vendas, de votos digo, a esse sou mesmo avesso.

Apraz-me aqui referir que considero muito positiva a realização deste fórum em que se discutiu livre, abertamente e sem sobreposições os problemas graves que o nosso país atravessa e a necessidade de uma convergência, possível quanto a mim, à esquerda de forma a constituir-se uma alternativa credível e viável a esta contínua alternância de desgovernos podres, corruptos e altamente prejudiciais às mais elementares regras de desenvolvimento e progresso social.

Como sabemos, e quanto a isto não valerá a pena qualquer tentativa de escamoteação, qualquer partido da dita esquerda não conseguirá ser governo em Portugal sem se coligar com um outro partido do centro, neste caso o PS - não creio que a coligação com partidos da direita seja possível por cá por óbvia renúncia de qualquer das partes, embora noutros países da Europa tal aconteça -, sendo que a única possibilidade real e efectiva de se criar uma verdadeira alternativa que ponha termo a anos consecutivos de políticas erróneas e retrógradas e altere o rumo vigente será a coligação de várias forças, que embora tradicionalmente e, diga-se mesmo, de uma forma bacoca continuam cegamente ligadas a “ismos” com mais de cem anos, fazendo as delícias do centro e centro-direita e, consequentemente de uma maneira mais ou menos indirecta prejudicando os interesses reais dos trabalhadores portugueses.

Julgo que se queremos avançar e pensar verdadeiramente nos mais necessitados, desfavorecidos e oprimidos e alterar o trajecto de inversão de conquistas sociais que árduamente foram conseguidas em batalhas duras ao longo dos tempos e que agora são desbaratadas do pé para a mão, é já tempo de dizer basta, de convergir em vez de divergir, de colocar em primeiro lugar o essencial em detrimento do acessório, a responsabilidade em vez da mesquinhez, as pessoas em vez dos protagonismos.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

PELA REVOLUÇÃO POPULAR (3)


Vivemos num mundo de iluminados e arrogantes personagens, onde a palavra humildade, respeito pelo semelhante e boas maneiras, já não têm cabimento. Dos USA’s à Rússia, da China ao Bangladesh, da ilha da Madeira ao Reino Unido, passando pelo rectângulo peninsular, cada vez mais verifico que o meu semelhante, é afinal, um tipo sem escrúpulos, crápula, vigarista e mentiroso, felizmente ainda há gente que não cabe no rol. Os políticos, burgueses disfarçados de democratas, cabem que nem ginjas neste imenso mundo de defeituosos seres humanos, e, onde, o povo mais uma vez se prepara para lhes dar de barato os destinos do país e do mundo.

Sei que o ser humano não é perfeito, ninguém é perfeito, mas que diabo a “classe” política mundial e a portuguesa em particular sempre acompanhados dos inefáveis cães de guarda, são uns autênticos mentecaptos, onde a mediocridade é gritante por vezes a roçar a imbecilidade.

Não chegaria o espaço deste post para enumera-los a todos, mas não é só a “classe” política, os patrões (agora apelidados de empresários!!!!!) são, salvo aqui também raríssimas mas muito raríssimas excepções uma manada de imbecis novo-ricos, os quais têm por único objectivo o enriquecimento precoce e não o desenvolvimento do país, muito menos a tentativa de dignificar quem lhes paga as mordomias, estes são para aqueles uma cambada de analfabetos e ignorantes, uns pulhas que só servem para trabalhar.

O Mundo actual quer económica quer politicamente, é “comandado” por este bando de exploradores muito à imagem dos antigos senhores feudais, os quais eram donos de tudo até da nossa dignidade, os barcos negreiros de antanho andam aí, travestidos de precariedade e desemprego, só faltam as correntes, os aguilhões, a chibata, etc., porque carcereiros e bufos já os há. Os governos (todos os governos) convivem bem com estes tipo de coisas, financiam-nos e fecham os olhos às atrocidades, colaboram com o genocídio generalizado da nossa dignidade, da nossa vida, do nosso carácter.

A humanidade só conseguirá sobreviver, quando; patrões ou mandantes, governos ou estado e/ou outras quaisquer formas de opressão, forem banidas. Quando o Povo chamar a si o seu destino. Quando o Povo se capacitar que NINGÚEM pode governar em seu nome. Quando não forem mais necessários infelizes chico-espertos auto-intitulados defensores da plebe, mas não são mais do que uns infelizes déspotas que a troco de mordomias várias lá se vão entretendo a fazer política para os poderosos ou em seu nome. Acabada esta escumalha, a humanidade entrará numa nova era, surgirá então uma forma tão perfeita de auto-governação que jamais terá lugar o intolerante, o incompetente, o medíocre, o iluminado, o corrupto, o arrogante, o sabe tudo, o bufo, o censor, enfim, toda essa corja de eunucos bem falantes que actualmente por aí fedem.

domingo, 17 de agosto de 2008

Paraguai, a nova alternativa

A América do Sul tem sido uma das poucas regiões do planeta onde a mudança política se tem concretizado, constituindo um pólo extraordinário para a construção de alternativas à globalização neoliberal, liderada sobretudo pelos Estados Unidos. Desta vez, é o Paraguai que se junta aos países latino-americanos que enfrentam viragens à esquerda, com a eleição de Fernando Lugo, o "bispo vermelho", para presidente deste país. Sugiro que leiam esta notícia que publiquei no Contracorrente, retirada do jornal Publico.pt, para mais pormenores.

O ex-bispo católico acabou com 61 anos de poder ininterrupto do Partido Colorado e prometeu combater a pobreza e a corrupção que há décadas aprisionam a sociedade paraguaia. Os camponeses, que o apoiaram, consideram o novo presidente um "porta-voz" das suas reivindicações e pressionam no sentido de uma reforma agrária. Por seu lado, o sector empresarial espera que Lugo erradique a rede clientelista elaborada pelo Partido Colorado, em torno do Estado e dos cargos do poder.

A meu ver, um sinal positivo de mudança num mundo demasiado asfixiado pelo capitalismo e pelo sistema neoliberal. Um sinal, esperemos, de que as alternativas são possíveis.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

IDEIAS PARA A ALTERNATIVA (PARTE IV)

Reliable image uploads!

O meu tema desta noite é a batalha de ideias na construção de alternativas. Como podemos compreender este campo de batalha? É um terreno ainda dominado, obviamente, pelas forças que representam o que, na nossa perspectiva, designamos uma nova hegemonia mundial. Pois bem, para abordar a questão das alternativas, é preciso primeiro analisar os componentes desta nova hegemonia que, na nossa visão, representa algo de novo. Em que consiste esta novidade? Se Marx tinha razão, ao dizer que as ideias dominantes no mundo são sempre as ideias das classes dominantes, é muito claro que estas classes -- em si -- não mudaram nada nos últimos cem anos. Os donos do mundo continuam a ser os proprietários dos meios materiais de produção, à escala nacional e internacional.
No entanto, é igualmente claro que as formas da sua dominação ideológica se modificaram significativamente. Quero iniciar a minha intervenção com algumas observações a propósito, focando mais precisamente os tempos e os contornos da presente mutação. Se olharmos para a situação mundial após a derrota do fascismo em 1945, com o início imediato da Guerra Fria, que dividiu os antigos aliados da Segunda Guerra Mundial, o conflito entre os dois blocos -- o Ocidente liderado pelos EUA e o Leste liderado pela União Soviética -- este conflito configurava-se, objectivamente, como uma luta entre o capitalismo e o comunismo, e como tal foi definido pelo lado oriental, ou melhor, pelos soviéticos.
Quanto ao sector ocidental, os termos oficiais da luta eram completamente diferentes. No Ocidente, a Guerra-fria era apresentada como sendo uma batalha entre a democracia e o totalitarismo. Para descrever o bloco ocidental, não se utilizava o termo «capitalismo», considerado basicamente um termo do inimigo, uma arma contra o sistema, em vez de uma descrição do mesmo. Falava-se da “livre empresa” e – sobretudo – do «Mundo Livre», não do «Mundo Capitalista». Neste sentido, o fim da Guerra-fria produziu uma configuração ideológica inteiramente nova. Pela primeira vez na História, o capitalismo começou a proclamar-se como tal, com uma ideologia que anunciava a chegada de um ponto final do desenvolvimento social, com a construção de uma ordem baseada em mercados livres, para além da qual não se podem imaginar melhorias substanciais. Francis Fukuyama deu a mais ampla e ambiciosa expressão teórica desta visão do mundo no seu livro «O Fim da História». Mas, em outras expressões mais vagas e populares, também se difundiu a mesma mensagem: o capitalismo é o destino universal e permanente da humanidade. Não há nada fora deste destino final. Aqui reside o núcleo do neoliberalismo como doutrina económica, ainda maciçamente dominante a nível dos governos em todo o mundo. Esta jactância fanfarrona de um capitalismo desregulamentado, como o melhor possível de todos os mundos, é uma novidade do sistema hegemónico actual. Nem sequer no século dezanove, nos tempos vitorianos, se proclamavam tão clamorosamente as virtudes e necessidades do reino do capital. As raízes desta mudança histórica são claras: trata-se de um produto da vitória total do Ocidente na Guerra Fria, não simplesmente da derrota, mas ainda mais, do completo desaparecimento do seu adversário soviético, e da consequente euforia das classes possidentes, que agora já não necessitavam de continuar a recorrer a eufemismos ou a rodeios para disfarçar a natureza do seu domínio. Mas se a principal contradição do período da Guerra-fria tinha sido o conflito entre capitalismo e comunismo, este tinha estado sempre sobredeterminado por outra contradição global: a luta entre os movimentos de libertação nacional do Terceiro Mundo e as potências coloniais e imperialistas do Primeiro Mundo. Por vezes, as duas lutas fundiram-se ou entrecruzaram-se, como aqui em Cuba, ou na China e no Vietname. O resultado de uma longa história de combates anti-imperialistas foi a emergência em todo o mundo de estados nacionais formalmente emancipados da subjugação colonial e dotados de uma independência jurídica, gozando inclusive de assento nas Nações Unidas. O princípio da soberania nacional — muitas vezes violado na prática pelas grandes potências, mas nunca posto em causa, ou seja, sempre afirmado pelo direito internacional e solenemente inscrito na Carta das Nações Unidos — constituiu a grande conquista desta vaga de lutas no Terceiro Mundo. Mas nas suas lutas contra o imperialismo, os movimentos de libertação nacional viram-se beneficiados – objectivamente – pela existência e a força do campo soviético. Digo objectivamente porque nem sempre – ainda que o tenha feito em muitos casos – a União Soviética ajudou, subjectivamente, os movimentos em questão. No entanto, ainda quando lhe faltasse um apoio material ou directo por parte da União Soviética, a simples existência do campo comunista impedia o Ocidente, e sobretudo os Estados Unidos, de esmagar estas lutas com todos os meios ao seu dispor e sem temer resistências ou represálias. A correlação global de forças não permitia, depois da Segunda Guerra Mundial, o tipo de campanhas de extermínio livremente praticado (pela França em Marrocos ou pela Inglaterra no Iraque) depois da Primeira Guerra Mundial. Mesmo os Estados Unidos sempre cuidaram de se apresentar perante os países do Terceiro Mundo como uma nação anti-colonialista, como o produto da primeira revolução anti-colonialista do continente americano. A competição diplomática e política entre o Ocidente e o Leste no Terceiro Mundo, favorecia os movimentos de libertação nacional.
continua.....
Retirado do livro de Perry Anderson - Zona de Compromisso

quinta-feira, 10 de julho de 2008

A PROPÓSITO DE ALTERNATIVAS...



Hoje é um dia histórico. Pelo menos para mim. A partir deste preciso momento, o Estado Português deixou de contar com um cidadão honesto, sério e cumpridor dos seus deveres e obrigações.
Até então, ao longo dos meus 201 anos, tenho pautado a minha conduta de vida pela lisura, por ideais e por princípios bem defenidos, muitas vezes em detrimento da minha própria satisfação pessoal.
Acabou-se! Acabou-se a mama toda! Chega de ser olhado como um allien, ser tratado como um marreta, ser apelidado de teimoso, casmurro, quezilento, revolucionário, outsider, do contra! Chega!
Estou farto desta gentalha que consporca este país, onde tive a sorte ou o azar de ter nascido; farto desta podridão de valores e atitudes que me rodeia por todo o lado; farto desta presunção globalizada que toma conta da massa cinzenta dos carneiros belmirescos; farto deste cancro de corrupção que mina a sociedade; farto desta trilogia de lambe-botismo, chibaria e compadrio que corroe as empresas, o aparelho do estado e, no fundo, todos os sectores da sociedade portuguesa.
Estou farto! Aliás, já estou farto desta merda há muito tempo. Mas hoje o saco do aspirador rebentou e a merda acumulada esvoaçou a pelo menos 3 kms de altura.
Quando um homem circula no comboio e chama a atenção do revisor para um cabrão qualquer que se diverte a esfregar os cascos nos assentos que os outros utentes vão utilizar, o que é que pode acontecer? O lógico é o revisor advertir o cabrão, correcto? Não, o revisor responde:
- O que é que eu tenho ver com isso? Se quiser vá lá voçê!
Quando um cliente é multado porque se esqueceu de validar o título de transporte, o que é que pode acontecer? O lógico é ser advertido pelo inspector para a necessidade de validar o título, correcto? Não, o cliente é identificado e aplicada uma multa de 185 euros! E o que é que se segue? O cliente deverá proceder ao pagamento da multa dentro do prazo estabelecido, correcto? Correcto. A não ser que... A não ser que a coisa se esqueça se, o cliente entretanto "persuadido", fizer o obséquio de passar para as mãos do filho da puta do inspector metade do valor da multa.
Estes insignificantes mas preciosos exemplos são bem demonstrativos do estado generalizado em que se encontra este país. Podre de ideias, podre de ideais, podre de princípios, podre de valores. Podre. Premeia-se o demérito, desvaloriza-se o mérito, incentiva-se a mesquinhez, deprecia-se o carácter.
Na minha empresa utiliza-se uma máxima engraçada: "Quem trabalha muito erra muito, quem trabalha pouco erra pouco, quem não trabalha não erra, quem não erra é promovido." Então e quem trabalha muito e erra pouco?
Para além disso o chupista do director utiliza a velha regra do bolo para a distribuição dos aumentos, quando os há. 50% da verba disponível para ele, 35% para distribuir por meia dúzia de bufos e lambe-botas de que se faz rodear, e os 15% que sobram pelos restantes funcionários, que não são tão poucos como isso.
Mensalmente recebo na minha caixa de correio facturas para pagar plenas de ilegalidades, com valores acrescidos de taxas, sobretaxas, suplementos e estimativas. Todos nós sabemos que estamos a ser gamados e então? Contrata-se um advogado e processa-se aquela escumalha toda? Gasta-se uma pipa de massa em honorários? Perdem-se dias de trabalho para fazer a coisa andar? Eles bem sabem que muito dinheiro arrecadam por falta de iniciativa do cliente em fazer valer os seus direitos. Eles bem sabem que é o cliente que tem de provar a ilegalidade. Eles bem sabem que a grande maioria fecha os olhos e deixa andar porque não tem tempo nem dinheiro para avançar na defesa dos seus direitos. Todos têm a mesma filosofia, o mesmo marketing, a mesma linha de actuação, bancos, seguradoras, empresas de fornecimento de água, gás, electricidade. Todos.
Quando contratei o meu crédito habitação num banco que é um autêntico mini-mercado de bairro, visto derivar da junção de três mercearias de esquina, apresentaram-me 3 spreads diferentes em 3 balcões diferentes. No último, aquele onde pretendia fazer o empréstimo ofereceram-mo 0,8%. Disse que não. Já me tinham oferecido 0,39%. Onde, perguntou a criatura?
- Noutra dependência, respondi eu.
- Qual? Questionou a criatura.
- Não posso dizer. Respondi eu para não melindrar a "concorrência" interna.
- Acho muito estranho, porque este banco tem uma política interna de spreads igual. Retorquiu a criatura.
- Ah sim? Então analise a situação e depois diga-me qualquer coisa, porque se não baixar o spread vou pregar para outra freguesia. Ataquei eu.
Ao sair a porta do banco toca o telemóvel. Atendo. Era a criatura que se desfez em desculpas. Afinal eu tinha razão, tinha confirmado (que rapidez!) e houve um lapso interno, coisa que não costuma acontecer, etc. e tal. Fiquei com os 0,39%.
Quando mudei de casa, liguei para a Cabovisão a perguntar qual o procedimento que deveria ter para continuar a usufruir do serviço. Disseram-me que não precisava de fazer nada. Bastava indicar a nova morada, o dia e a hora em que queria que a instalação fosse feita e já está.
Muito bem, à hora do dia combinado os técnicos apareceram, activaram o serviço, assinei a folha e bye bye.
Nos 3 meses seguintes não recebi qualquer factura. Estranhei. Até que um dia ligam-me para o telemóvel a comunicarem-me que tinha 3 meses em atraso por pagar e que se não procedesse à liquidação cortavam-me o serviço. Expliquei que tinha mudado de casa e tinha indicado a nova morada à Cabovisão, mas que até ao momento ainda não tinha recebido qualquer factura. A criatura apressou-se a verificar no sistema e informa-me que estava tudo correcto, as factura tinham sido emitidas e enviadas para a nova morada.
- Mas olhe que até ao presente ainda não recebi nenhuma. Atalho eu.
- Não pode ser, está tudo correcto. Continua a criatura.
- Então para onde é que estão a mandar a carta? Pergunto eu já desconfiado que a morada não devia estar correcta no sistema deles.
- Para tal e tal, nº 2.
- Nº 2??!! Mas eu moro no número 3! Exclamo eu cá a pensar para os meus botões que os mentecaptos nem são capazes de anotar uma morada.
- Não pode ser. A informação que tenho é que é o 2.
- Ó minha senhora, o nº 2 nem existe. Quando comuniquei a nova morada referi de certeza nº 3. Além disso estiveram cá os seus colegas a fazer a activação. Como é que eles sabiam que eu morava no nº 3 se aí tem o nº 2? Qualquer coisa não funciona por aí.
- Realmente tem razão. Lamentou a criatura depois de uma aturada verificação.
- Mas, sabe, nós só podemos fazer a alteração se nos enviar um comprovativo da nova morada, um recibo de EDP, da água, qualquer coisa. Continua a criatura.
- O quê? Então eu comunico a morada, dizem-me na altura que não é precisa mais nenhuma formalidade, mandam uma equipa técnica fazer a activação ao número correcto e agora vem-me dizer que tenho que lhe mandar um comprovativo? Então não tem aí a ficha técnica assinada por mim em como os técnicos estiveram nesta morada?! Explodo eu.
- Só um momento, vou passar a um superior. Responde a criatura algo envergonhada.
Volto a explicar o sucedido à criatura nº 2 e, depois de uma longa e aturada dissecação, a mesma responde-me que está bem. Vão passar a enviar a correspondência para a morada correcta (até parece que era um favor que faziam...) MAS teria que proceder à liquidação dos meses atrasados quanto antes senão nada feito.
Ora, então expliquei à criatura que para pagar qualquer coisa tenho que ter na minha posse uma factura com os valores discriminados e os serviços prestados que, certamente, a Cabovisão também não pagava aos fornecedores sem uma factura. Pois sim, e tal, mas não. Ou sim ou sopas.
Marreta por marreta, eu considero-me mais do que eles e nada feito, não paguei. Passado algum tempo chego a casa pego no telefone e... nada. Os cabrestos tinham-me cortado a ligação (o serviço contratado inclui TV cabo + internet + telefone) sem ao menos um pré-aviso. Furibundo ligo para o número de assistência, o único que funcionava, e peço para falar com o graduado de serviço.
- Mas de que é que se trata? Qual é o seu número de cliente? Atalha outra criatura.
- Ó minha senhora, passe-me aí ao superior, que é para eu não estar para aqui a repetir a história vezes sem conta. Se eu lhe vou dizer a si a senhora não vai conseguir resolver nada, por isso, para não perdermos tempo, ligue-me ao carola de serviço. Desabafo eu.
Depois de esperar algum tempo, surge-me uma "encomenda" com vozinha de torrada com mel, explico-lhe o sucedido com toda a calma e aguardo pela reacção dela.
- Ah pois, mas agora para activar novamente o serviço, só pagando as facturas atrasadas. Reage a criatura.
- Mau, mau Maria! Ou ligam-me esta merda já ou isto vai acabar mal. Rebento eu.
Munido de alguns decretos-lei, alguns inventados, diga-se de passagem, trituro a criatura numa berraria enorme, ameaçando a Cabovisão com a ANACOM, a DECO, os jornais, as televisões, os tribunais e, inclusive com uma chacina sem limites que incluía caçadeiras, matracas e catanas. Para terminar ameaço-a que desligo eu próprio a ligação, espeto com aquilo tudo na rua e contrato os serviços da concorrência que, aliás, já andava a sondar persistentemente as possibilidades de adesão.
E parace que foi exactamente este último argumento, mais do que todos os outros, que demoveu a criatura de não reactivar o telefone.
A situação resolveu-se, mas sem que eu tenha deixado de apresentar queixa no Livro de Reclamações da empresa e junto da ANACOM.
Esta história serve como mais um exemplo da cultura comercial e da forma como estas sanguessugas tratam e consideram os seus clientes, no fundo, o seu mais precioso bem.
Este exemplo seria facilmente extensível a inúmeras empresas prestadoras de serviços por este país fora, como concordarão. O desleixe, a falta de organização, de método, a impreparação do pessoal, a falta de formação profissional e, em muitos casos, a falta de higiéne e segurança no trabalho, aliados à qualidade geral medíocre de gestores postos em cargos de grande responsabilidade são grandes males que atrofiam constantemente o desenvolvimento económico do nosso país.
Por tudo isto e por muito mais que haveria a dizer e, face à conclusão de que 800 anos não foram suficientes para mudar mentalidades, outros 800 também não adiantarão muito, o Marreta a partir de hoje vai passar-se para o inimigo, ou seja, para o amigo a partir de agora. A ilegalidade, a fraude, a corrupção, passiva e activa, o crime, vão passar a fazer parte da cartilha de actuação desta alminha pecadora.
Para tudo o que for ilegal e nefasto, ou seja, no fundo, para tudo o que seja bem visto pela sociedade actual podem contar com o Marreta. Se o crime compensa, o Marreta vai ser compensado.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

POR UM MUNDO MELHOR


Declaração final do Fórum das ONG's do sul e as ruínas da globalização

Declaração Final

Nós delegados de organizações não governamentais, movimentos sociais, organizações populares e de instituições acadêmicas dos países do chamado Sul, reunidos na cidade de Havana, a partir de 1 a 3 de Março de 2000, como parte do processo conducente à Cimeira Sul, nós avaliamos os problemas relacionados com o fenómeno da globalização, as suas principais tendências e impacto sobre as economias nacionais dos nossos países, e estamos a discutir a possibilidade de influenciar, de gestão e de acção por parte da sociedade civil e as ONG dos nossos povos na internacionais actuais condições. Estamos de acordo em que um processo de globalização que tem unido o ser humano como centro de desenvolvimento podem oferecer oportunidades para avanços tecnológicos contribuem para promover o progresso eo bem-estar social.

No entanto, para passar sob o domínio do neoliberalismo que impõe excessiva vontade cega à desregulamentação e ao processo crescente e indiscriminada de privatização de recursos e bens que pertencem ao nosso povo em última instância, esta brutal causando fragmentação ea desintegração desenvolvimento económico e social dos nossos países, com consequências dramáticas para a sobrevivência dos mais vulneráveis e marginalizados.

Denunciamos a política neoliberal patrocinado pelo capital transnacional e agências internacionais como o Fundo Monetário Internacional eo Banco Mundial tem ajudado a concentrar a riqueza social e reafirmar polarização evidente no crescimento da pobreza que afeta tão criticado hoje mais de um milhar de milhões de pessoas em todo o mundo, que não têm qualquer possibilidade de acesso aos alimentos essenciais para a sobrevivência, serviços básicos de saúde e de educação e protecção social. Enfatizamos com igual vigor, que esses mesmos políticos tentativa para limpar nossas culturas e identidades, impondo mudar a assimilação cultural ea criação de paradigmas que legitimam o seu modelo: individualista, antisolidario e de exclusão.

Registamos com profunda preocupação a continuação da deterioração ecológica do nosso planeta e as barreiras para alcançar o desenvolvimento sustentável, nomeadamente a falta de vontade política para estabelecer uma rigorosa proteção ambiental, em comparação com a ação predatória e irracional das políticas económicas padrões insustentáveis de consumo.

Com base nestas considerações, identificamos os enormes obstáculos que a actual ordem económica internacional, nas suas diversas formas: Financeiro, comercial e tecnológica, se opõe ao direito ao desenvolvimento e as aspirações dos nossos povos justiça. Por conseguinte, exortamos os Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos 77 que se reunirá em Havana próximo de abril, como parte da Cúpula Sul, para reclamar. --

Está a dívida externa, o que impede atingir o desenvolvimento económico e social nas regiões Sul e que é uma expressão da injusta ordem econômica internacional ea política de globalização neoliberal, é agora mais do que nunca unpayable, incobráveis e deve ser anulada. -- Está a crescente fosso tecnológico entre os países industrializados e os países do Sul, que, entre outras causas é o resultado da aplicação estrita dos direitos de propriedade intelectual que exclui os nossos países de conhecimentos e tecnologias que só trazem benefícios para uma minoria e o desemprego em massa, a marginalização ea pobreza maiorias desterritorializadas, é um grave obstáculo para o desenvolvimento de nossos povos. --

Libertadora tendências do comércio mundial promovida pela Organização Mundial do Comércio são concebidos para incentivar as exportações dos países industrializados e causar a crescente deterioração da indústria e da agricultura nos países do Terceiro Mundo, embora acentuando as desigualdades históricas em termos de trocas comerciais entre o Norte eo Sul. -- Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) continua a diminuir e os 90 passagem de 0,35% para 0,22% do PNB dos países desenvolvidos, muito distante valor de 0,7% cometidos e indispensável no desenvolvimento da nossa estratégia nações empobrecidas. --

Que a política de cooperação, de financiamento e de crédito do Norte não têm em conta as necessidades económicas do Sul, nem o seu histórico e sócio-cultural, mas analisando as realidades dos nossos países a partir de uma perspectiva de subordinação e de marginalização recolonization Impor condições inaceitáveis. -- O aumento das especulações, volatilidade dos mercados financeiros e de desregulamentação dos movimentos de capitais comprometer seriamente a estabilidade económica e política dos nossos países. --

Está a aplicação unilateral e extraterritorial de leis nacionais ou medidas que violam o direito internacional ou de violar a soberania de outros Estados mina os princípios que regem a convivência entre as nações, minar a lágrima multilateralismo e dar-se a cooperação Sul povos necessitam para o seu desenvolvimento.

Pela nossa parte, os delegados a este Fórum, consciente da adversas circunstâncias em que a luta dos nossos povos para as suas mais sentidas reivindicações, e convicto da necessidade urgente de uma participação mais activa e efectiva de todos os setores da sociedade Conjugal trabalhadores e seus sindicatos, mulheres, jovens, crianças, idosos, deficientes, trabalhadores rurais, os povos indígenas, pesquisadores e de muitas outras instituições sociais e organizações que representem as pessoas, processos e discussão a tomada de decisões a nível nacional e internacional. -- Convite à apresentação de uma maior participação e demanda um maior grau de transparência dos governos e instituições internacionais no processo de tomada de decisões sobre questões que afectam directamente a nós, e que muitas vezes têm efeitos devastadores em termos de aumento da desigualdade, pobreza e desemprego. --

Exigimos o aprofundamento das relações de integração económica, cultural e social entre os países do Sul a reforçar a sua capacidade de agir como uma região para enfrentar os desafios da globalização. -- Reafirmar a vontade ea capacidade das organizações não governamentais e os setores sociais mais amplos para influenciar a concepção de estratégias, na execução de acções e à gestão dos recursos em favor do desenvolvimento social de nossos países. --

Apelamos para uma cooperação mais estreita entre as nossas organizações, incluindo o reforço dos elementos que nos unem na defesa do direito ao desenvolvimento, em que concebemos como um direito humano fundamental, e exigem governos cumprirem os compromissos assumidos com as necessidades e futuro dos nossos povos. -- Afirmamos a nossa convicção de que, em comparação com o domínio avasallador atingido pelas corporações transnacionais, nas vésperas do novo milénio e para a realidade preocupante que aqueles experimentando um crescimento muito mais elevada do que a economia mundial como um todo, ameaçando a sua soberania e de poder o direito ao desenvolvimento dos países do Terceiro Mundo, a nossa resposta não pode ser diferente para aprofundar a luta, de unidade e de solidariedade, com a adesão ao respeito pela diversidade que caracteriza tanto nós e nos enriquece, construir alternativas para um mundo melhor.

A globalização da solidariedade não é uma intenção, é a única forma de enfrentar com sucesso os males de hoje e os desafios de amanhã.

(Traduzido do castelhano)

quinta-feira, 5 de junho de 2008

IDEIAS PARA A ALTERNATIVA (PARTE III)

ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E LABORAL

Além do crescente desencanto com os políticos profissionais, na democracia representativa a opinião do Povo só é consultada uma vez a cada quatro anos. E após serem eleitos, os políticos tradicionais podem agir praticamente como bem entenderem, até a próxima eleição.
Essa separação em
castas de governantes e governados faz com que os políticos estejam mais atentos às suas próprias vontades e vontades de outros poderes que não aquele que emana da eleição popular, como por exemplo o económico. O político ocupa uma posição que foi criada pela delegação de um poder que não lhe pertence de facto, mas apenas de direito. Entretanto, ele age como se o poder delegado fosse dele, e não do eleitor. Isso torna a sua vontade susceptível a todo tipo de negociatas das quais ele possa extrair mais poder, seja em forma de aliados políticos ou em forma de capital.
O fim da casta de políticos tornaria o jogo político-social mais intenso, com discussões verdadeiramente produtivas mobilizando a sociedade, pois atribuiria ao voto um valor inestimável, uma vez que pela vontade do povo questões de interesse próprio seriam decididas (imaginem o fervor que surgiria nas semanas que antecederiam uma votação a favor ou contra o aumento do salário mínimo, integração europeia, tratado de Lisboa, etc.).
Escreveu Kropotkin no seu livro “A Conquista do Pão”
“haverá um dia em que o sistema económico será baseado em trocas de bens e serviços e na cooperação voluntária entre todos os cidadãos. Desta forma, seria possível produzir riqueza suficiente para satisfazer as necessidades de todos, trabalhando-se apenas cinco horas por dia durante a idade adulta e deixando o resto do dia livre para a satisfação pessoal”. Segundo ele, o capitalismo, sendo baseado na competição, é o responsável pela má distribuição de recursos e sua consequente escassez.


Se reparar-mos é o que acontece nos países desenvolvidos do norte da Europa, onde a Noruega é um bom exemplo.
Quando um organismo é administrado pelos seus participantes em regime de democracia directa chama-se AUTOGESTÃO. Em autogestão, não há a figura do patrão, mas todos os trabalhadores participam das decisões administrativas em igualdade de condições. Em geral, os trabalhadores são os proprietários da empresa auto-gestionada. Não confundir com controle operário, que mantém a hierarquia e o controle externo do organismo (ou da fábrica) a algum organismo ou instância superior (como um partido político por exemplo). Os conceitos de autogestão costumam variar de acordo com a posição política ou social de determinado grupo. O conceito de autogestão caracteriza-se por eliminar a hierarquia e os mecanismos capitalistas de organização envolvidos. Já os conceitos de controle operário mantém os mecanismos tradicionais de organização capitalista.
continua

sábado, 31 de maio de 2008

IDEIAS PARA A ALTERNATIVA (PARTE II)

Como sabemos o Mundo passa por uma gravíssima situação económica, social, política e climática, todos elas interligadas. Os “culpados” para que tal aconteça, todos o sabemos, é o CAPITALISMO, NEOLIBERALISMO E GLOBALIZAÇÃO.
Como o tenho afirmado várias vezes, o Mundo pode produzir para TODOS, trabalho, alimentação, bem estar, no fundo, uma vida digna.
Para que tal aconteça, é necessário O PODER NAS MÃOS DO POVO, não temos que delegar em ninguém o nosso destino.

Dizia Marx: "
A luta do proletariado contra a burguesia começa com sua própria existência".

Para depois afirmar:
“O operariado, tomando consciência de sua situação, tende a se organizar e lutar contra a opressão, e ao tomar conhecimento do contexto social e histórico onde está inserido, especifica seu objectivo de luta. Sua organização é ainda maior pois toma um carácter transnacional, já que a subjugação ao capital despojou-o de qualquer nacionalismo”.

Tomando por princípio e conforme o tenho afirmado, que a luta de classes é o cerne de todo o processo. A classe trabalhadora nunca conseguiu efectivamente ter nas mãos o seu destino, mesmo nos países socialistas a ideia de Marx quando dizia “que a solução era a ditadura do proletariado para atingir o socialismo” nunca foi atingido, ou seja, teve sempre pelo meio atropelos de vária ordem, que, de uma maneira ou outra, impediram o avanço para a verdadeira sociedade sem classes.

Hoje vivemos num Mundo (dito) globalizado, que serve apenas os interesses do capitalismo, nunca os nossos interesses. Por isso temos de arranjar soluções para nos defender e proteger dos avanços da burguesia capitalista.

Para tal, a unidade e a organização de classe são fundamentais, entre outras. Sou de opinião que a solução e ao contrário do que outros possam pensar não está nos partidos políticos, mas sim, nas organizações populares de base, ou seja, o povo auto-organizar-se e ser ele a comandar o seu próprio destino. Como, numa próxima oportunidade exporei as minhas ideias.

Continua

domingo, 25 de maio de 2008

IDEIAS PARA A ALTERNATIVA (PARTE I)

A vida é nossa, faremos dela o que entendermos.
In - Leon Tolstói

Dizem os mais cépticos de direita que a sociedade ideal é a livre concorrência entre empresas, países e pessoas, onde cada um, concorrendo entre si, farão as sociedades avançarem e poderem assim distribuir melhor a riqueza, ou seja menos estado, mais privados. Os mais cépticos de esquerda dizem que não, que a sociedade ideal tem de ser planificada, colectivizada e só assim as sociedades avançarão rumo ao socialismo, ou seja mais estado menos privados.

Em minha opinião, ambas estão erradas.

Se vivemos numa sociedade onde existem classes sociais marcadamente delineadas, de um lado assalariados, do outro patronato, logo, existe luta de classes. Por isso, quer nas sociedades feudais, quer nas da revolução industrial do início do sec. XIX, quer nas actuais, a luta de classes esteve sempre presente e foi ela que impulsionou ao longo dos anos as alterações e conquistas dos trabalhadores.

Marx dizia “a história das sociedades é a história da luta de classes”

Que fazer então para alterar o sistema vigente e alcançar finalmente a utopia?

Se “utopia” é aquilo que ainda não existe, era utópico, os nossos avós pensarem que nós, os seus netos, estava-mos neste momento a escrevinhar numas teclas e ao mesmo tempo em contacto (em tempo real) com o mundo e não só. Também, talvez, fosse utópico, os nossos bisavôs, dizerem que haveria um tempo em que as pessoas se deslocavam entre países e continentes em pássaros enormes a velocidades astronómicas. Por isso, a utopia passada para o panorama social, económico e político até, de transformar a sociedade actual numa outra totalmente diferente, pode ser hoje utópico, mas não para os nossos netos ou bisnetos.

Continua….