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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Que os Culpados Paguem

Já por várias vezes foram aqui mencionados os problemas causados pelo desleixe e desinteresse no trabalho exibidos pelos funcionários públicos da administração e como esse seu procedimento prejudica empresas e particulares. Tal como outros, fazem greves para conservarem os benefícios que têm e os situam injustificadamente num plano acima do comum da população, mas não as fazem no sentido duma justa repartição dos sacrifícios para que os grandes usurpadores do dinheiro público contribuam proporcionalmente.

Não é este problema actual, até porque os que mais ganham e mais regalias injustificadas têm são os ferroviários, chegando alguns aos € 50.00 mensais, mas crêem-se ter o direito de prejudicar toda a restante população com as suas greves absurdas e abusadoras, impondo a barafunda com a falta de transportes por simples ganância e iniquidade na falta de consideração pelos outros. A greve é um direito, mas neste caso permitem-nos afirmar que esse direito não assiste aos ferroviários nestas circunstâncias.

Não é, pois, este, o problema aqui focado, mas serve para lembrar que quem mais ganha maiores devem ser as suas responsabilidades. Em todo e qualquer caso é regra geral tanto para políticos como outros «criminosos de colarinho branco» ou qualquer um. Sendo assim, é uma bitola que deve englobar toda e qualquer pessoa, incluindo os «colarinhos azuis». Ora o que nós vemos no que respeita aos funcionários da administração é precisamente o contrário. Ganham mais, mas são mais irresponsáveis.

Ouvimos múltiplas vezes como o Paulo Portas atacou os mais pobres que nada têm para sobreviver e que beneficiam do menos que magro Rendimento Mínimo Garantido (RMG) que ele, por não gostar do nome, mudou para Rendimento Social de Inserção (RSI). Como nada mais mudou, conclui-se que a mudança de nome nada mais foi do que um golpe de teatro fantoche. Repetia ele porém – com toda a razão –, que havia um grande número de beneficiários que não necessitava desse abono e que lhes devia ser cortado.

O que nunca disse foi que se eles dele usufruíam era exclusivamente por culpa dos funcionários que lho tinham atribuído sem terem feito a necessária investigação. Portanto, a vociferação estéril do Portas apenas serviu para sacar votos aos desmiolados incapazes de reflectir, coisa que abunda neste país e os políticos não perdem nenhuma oportunidade para embustear e disso tirarem todos os proveitos de burlões, ilicitamente.

Que seria mais lógico ou mais natural que tivesse sido feito por qualquer governo, abrangendo aquele em cuja composição ele mesmo se inseria, senão que os culpados pagassem pelos seus erros? Não o fez, pelo que toda a sua bazófia jamais passou duma treta propagandista.

Temos agora o caso dos 117.000 portugueses que vão ter que devolver dinheiro recebido por engano. É justo, dirão muitos, e é, mas então os verdadeiros culpados dessa enorme bestealidade, vão ficar impunes? Não vão pagar nada pelo que fizeram. Então a lei que permite o despedimento por improdutividade não se aplica aos funcionários do estado? Porquê?

É mais do que possível que os que receberam o dinheiro indevidamente já o tenham gasto, ou pelo menos uma boa parte dele. Não deviam, mas até agora não tinham qualquer motivo para se precaverem para não o gastarem. Como vão agora devolver o que gastaram, mesmo que justo?

Como vão os governantes justificar a impunidade total concedida aos irresponsáveis e únicos culpados?

Que os Culpados Paguem.

A bandalheira, ainda mais do que até agora, está generalizada e indubitavelmente aceite por este governo. Os cortes parciais dos vencimentos, a que chamam subsídios de Natal e de férias, mas que não o são por deles fazerem parte integrante em todos os cálculos, são efectuados sobre os que menos ganham e continuam intocáveis para os basbaques que fazem leis a martelo, assim como para a quase totalidade dos que mais ganham. Na CGD foram cortados, enquantono Banco de Portugal, onde até os ordenados são superiores, não. Lógico? Os boys já assaltaram quase todos os lugares disponíveis e estão ao nível dos governos anteriores, não obstante os discursos do embusteiro-mor, que afirma ser coerente com o que ladrou durante as eleições.

Que paguem sempre aqueles que devem ou que provocaram as perdas. No caso destes reembolsos, que se aplique também a lei do despedimento por improdutividade. Ou será que este caso não pode ser considerado como uma improdutividade causando uma perda bem pesada nos bolsos dos contribuintes? Onde está a justiça? Num país em que a justiça anda a várias velocidades, realmente, seria de admirar que o justo fosse tomado como justo e a justiça se faça.


Este e outros artigos também nos blogs do autor (1 e 2).

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Cartas de condução em falta

O Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMMT) calculou que tivessem desaparecido 73 mil pedidos de cartas de condução, mas passado algum tempo disse que o número é de "apenas" 46 mil. Gosto do «apenas» como se 46.000 seja uma ninharia. Faz-me lembrar a anedota que corria entre os militares em que um sargento foi encarregado de dizer a um soldado recruta que tinha havido um desastre lá na aldeia e o pai tinha perdido a vida e foi-lhe recomendado para ser cuidadoso na forma como ia dar tão trágica notícia. Ele, na formatura, disse ao rapaz que lá na terra houve um acidente e morreu toda sua família e, depois de o soldado entrar num choro convulsivo, acalmou-o dizendo calma aí que só morreu o teu pai!

Num organismo com a responsabilidade do IMMT era de esperar que a preparação dos dirigentes fosse superior à de um sargento do século passado.

Mas o mais grave é que o desaparecimento de 46.000 pedidos de cartas não é uma pequena falha, não é um erro negligível. Causa transtornos a muita gente, afecta a confiança que a população deve ter nos serviços públicos. E a Microfil declina responsabilidades. Por isso, é de estranhar não haver ainda notícias de nenhum responsável ter sido sancionado, e a tutela não ter assumido a sua responsabilidade no caso. Parece que já foi esquecido o belo exemplo dado pelo então ministro Jorge Coelho que se demitiu quando ocorreu a queda da ponde em Entre-os-Rios.

Há pouco tempo um general francês, altamente colocado na hierarquia das Forças Armadas, demitiu-se porque num exercício, com numerosa assistência de civis, um soldado fez tiro com balas reais em vez de balas simuladas, tendo ferido mais de uma dezena de civis. O general não era obrigado a ir junto de cada soldado verificar o tipo de munições que tinha consigo, mas o seu sentido de honra e de eficiência levou-o a esses gesto brilhante. Mas, para Portugal, esse exemplo só prova a inocência doentia e antiquada dos Franceses que, coitados, até têm centrais nucleares, para produzir energia eléctrica!

Não. Não se deve brincar com erros tão evidentes do desleixo dos serviços públicos que conduzem à perda de confiança do povo nos seus governantes. Tais falhas não devem ficar impunes e os mais altos responsáveis devem tomar uma atitude de dignidade. Não deve repetir-se que um ministro continue em funções e elogie a construção de um aeroporto no deserto, onde disse que «jamé» isso aconteceria, em vez de ter confessado o erro, de forma idêntica à de Jorge Coelho e do general francês, ambos sem culpas pessoais nos casos que os levaram a tomar atitudes exemplares. Agora, quanto às cartas de condução, ficava bem, era de bom tom, alguém de alta posição imitar os dois exemplos citados.

domingo, 20 de julho de 2008

Sinais preocupantes da ausência de valores

Desde pequeno (há muitas décadas!), habituei-me a ver na velha Albion qualidades, ao lado de alguns defeitos, que eram exemplo para as democracias que lhe seguiram o rasto e o culto de alguns valores fundamentais para a humanidade. Porém, recentemente, têm aparecido notícias de que a que transcrevo é uma das mais preocupantes. A falta de sentido das responsabilidades, de competência, de excelência, de vontade de cumprir com exemplaridade, está a baixar de nível de forma acelerada e grave. Já nem há respeito pelos segredos de Estado.

Com tais casos exemplares que são, certamente, um espelho do que se passa pelo mundo, surge a pergunta onde irá parar a humanidade? Dizem que o ozono e o óxido de carbono vão destruir a vida na terra, mas parece que o ser humano se quer antecipar.

Desaparecem 747 portáteis do Ministério da Defesa britânico
Sábado, 19 de Julho de 2008 | 01:00

O Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou sexta-feira o roubo ou extravio de 747 computadores portáteis nos últimos quatro anos, quase o dobro do que havia reconhecido anteriormente.

Além disso, desde Janeiro, 26 dispositivos portáteis de memória, propriedade do mesmo departamento, alguns com informação classificada como «secreta», foram roubados ou extraviados.

Dos 747 computadores desaparecidos, 658 foram roubados e 89 extraviados, e só foram recuperados 32, referiu o ministro da Defesa, Des Browne.

A oposição aproveitou o caso, alegando que é um exemplo da incompetência do Governo de Londres para proteger informação sensível.

Em Junho, foram perdidos em comboios documentos confidenciais, alguns deles sobre a Al-Qaeda e o Iraque.

No final do ano passado, foi também extraviada uma disquete com nomes e números de contas bancárias de milhões de pessoas que recebem subsídios, enviada pelo correio por um pequeno gabinete governamental.

Diário Digital / Lusa