sábado, 13 de julho de 2013

O Presidente das Falácias

Portugal é uma sociedade que vive na mentira e da mentira numa corrupção contínua onde quem melhor mente é quem ganha por o povo desmiolado nem se dar conta e em lugar de reflectir pelos seus próprios meios se limitar a papaguear o que os que o usam lhe impingem. As falácias deste mostrengo já vêm de há décadas. Os desmiolados papam-nas e querem mais. Ele dá.

Coelho e Seguro, dois imbecis saídos da escória formada pelos Jotas, agarrados e capazes de pôr as mães numa casa de passe para acudir aos interesses partidários. Dos interesses nacionais nem se fala.

Claro que eleições agora, ao contrário do que o Coveiro Cavaco ladra, seriam úteis porque acabariam com a instabilidade do governo e com a crise política que criou no seu seio, mas que estava escrita na sina deste governo e que jamais conseguirá ultrapassar. Pelo que se observa é este um constato inegável, pelo que os que afirmam o contrário só o podem fazer na clara intenção de salvar o partido em prejuízo do país e dos seus cerca de 10.000.000 de habitantes. Uma oligarquia contra 10.00.000. Daí, o discurso desse miserável energúmeno que afundou Portugal só poder ter sido uma orquestração da mais ordinária qualidade mentirosa com a sua conhecida baixeza e vil falsidade.

Não é provável, mas certo, que qualquer outro governo, independentemente da sua política, acabaria com a instabilidade que este gerou. Qualquer governo capaz e que não estivesse apenas obcecado para se aproveitar da situação para aplicar os seus princípios neoliberais, que superam de longe as exigências da Tróica, como um dos seus membros contestou às inculpações do Cavaco no ano passado (também foi abafado pela desinformação jornaleira e anti-social), desenvolveria o país em lugar de lhe cortar as pernas para mais facilmente alcançar os seus objectivos neoliberais. Não são incompetentes, mas muito capazes e preferem que assim os julguem para evitarem uma oposição muito mais forte às suas obras. Ainda ouvimos de novo o psicopata a falar de si na terceira pessoa, e manter a crise política! Perguntem de que sintoma se trata a qualquer psicólogo ou psiquiatra.

Por outro lado, os portugueses esforçam-se em dar razão à ideia que que psiquiatras e os outros europeus têm deles: atrasados mentais. Choram, lamentam-se, reclamam, mas em lugar de tomarem as medidas necessárias para a exterminação da corrupção, do roubo e da impunidade dos políticos, aprovam a escumalha votando nela, convencidos de que a substituição de um governo por outro poderá melhorar alguma coisa ao descalabro a que chegámos. Chegaram a um ponto que nem nisso acreditam, mas como atrasados mentais que são, continuam a insistir em perpetuar aquilo de que se queixam e reclamam. [Este facto é independente da necessária substituição do presente governo pela instabilidade interna que ele próprio gerou e pela sua política neoliberal em aumentar desmesuradamente o já maior foço entre mais ricos e mais pobres da UE]

Dizer que Portugal é uma democracia representativa é outra causa de sermos tomados por atrasados mentais. As eleições são burlas, tão conhecidas que se auto-explicam pelo tão conhecido uso das listas e de promessas até contrárias à doutrina ou crença daqueles que as fazem, como se viu no burlão do Coelho, prometer tudo aquilo que sempre renegara. Aliás, foi a única ocasião em que mentiu a esse propósito, tendo até então, a esse propósito, sido sempre honesto aos seus pruncípios.

Não há representação em que os representantes (mandatários) façam o contrário do que querem aqueles que representam (os seus mandantes) e eles propuseram durante as eleições em forma de burla, pois que foi nessas bases que neles votaram e os elegeram. Pode, pois, afirmar-se como provado que Portugal não pode ser, deste modo, uma democracia representativa. Os eleitos não representam os eleitores Crer que sim é outra razão a juntar às que nos fazem ser tomados por atrasados mentais.

Para acabar com a corrupção, a ladroagem e a impunidade politicas só há um caminho: aquele que seguiram os países que conseguiram obter resultados positivos nesse sentido. Se se copia tudo o que está errado, porque não copiar o que está comprovado como certo? Resposta fácil: só se copia aquilo que não seja contra os interesses partidários, e a adopção deste caminho certo iria matar a galinha dos ovos de ouro dos políticos, acabando-lhes com a impunidade garantida no roubo, decisões tomadas às escondidas da nação e só conhecidas depois, etc. Controlo dos políticos, julgamentos pelos seus crimes e responsabilizá-los pelas suas acções e crimes? Jamais eles o admitirão! Só à força. Sobretudo por estarmos num país de autênticos atrasados mentais, em que os eleitores votam incondicionalmente porque «é democrático votar» e votam estupidamente convencidos que substituir um governo por outro pior trará melhoras ao país. É realmente estupidez crassa que após tantos governos que votaram, os novos são geralmente piores do que os anteriores. Desta última vez, após o indesejável e arrogante Sócrates veio um bem pior ao lado do qual o próprio Sócrates parece um santo. Por este caminho, que se seguirá ao Cavaco e ao Cadastrado?

Sem controlo dos governantes pelo povo não há, nunca houve nem pode haver democracia, pois que é isso que a palavra significa. O que temos é um sistema oligárquico em que associações de malfeitores organizados em famílias mafiosas sob a forma de oligarquias políticas controlam o país. Como não o vemos nem compreendemos, é outra causa de sermos atrasados mentais. Um povo a quem o marketing político em defesa duma classe criada ao arrepio da democracia — a dos políticos — sugou a pouca capacidade de reflexão que ainda havia nos seus cérebros já atrofiados, amplamente demonstrado pelos seus gritos de liberdade, não deles mas dos que se preparavam para lhes pôr a grilheta. Porque quem viveu anos no regime anterior conheceu e sabe que havia muito mais liberdade, excepto para uma minoria de políticos e jornalistas. Ora são precisamente os que agora mais nos prejudicam usando da sua liberdade para nos tirar a nossa, os segundos entregando-nos nas mãos dos primeiros por nos ocultarem como funciona uma verdadeira democracia e nos fazerem crer que democracia é o que a nova classe nos dá. Um povo de cobardes dos mais fáceis de domar com a mais simples grilheta mental. «Cada povo tem o governo que merece» e «quem morre porque quer não se lhe reza por alma». Sofrerão pela sua cobardia profundamente na carne e por gerações. Se esta classe não que abdicar a bem terá que que ser a mal.


Discurso integral do Coveiro da Nação

Estranhamente, ou talvez não, algum miserável servente da presidência colocou, na página de entrada, um link para esta página com o seguinte texto: «Comunicação ao País do Presidente da República». Iletrado ou a querer dizer que o pais era propriedade do PR (ao País do Presidente da República)?



Adenda

Analise-se a opinião sobre aquilo a que os portugueses chamam democracia — razão principal por que são considerados atrasados mentais pelos outros europeus — e como os políticos se comportam, exprimida por um conhecido e rico filantropo, simpatizante do PSD do tempo em que este era socialista (tal como o nome e a tradição definiram) e depois se virou neoliberal ferrenho.
Entrevista da RTP


Este e outros artigos também nos blogs do autor (1 e 2).

quinta-feira, 11 de julho de 2013

A SAÚDE MENTAL DOS PORTUGUESES


Transcrição do artigo «
A Saúde Mental dos Portugueses» do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no Público em 21 de junho de 2010

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária.

Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo as crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade.

Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade.

Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejada de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso
Médico psiquiatra

Para ler mais escritos do autor faça clic aqui.

Imagem de arquivo

domingo, 7 de julho de 2013

ESTABILIDADE, CONTINUIDADE OU ESTAGNAÇÃO ???


Governantes e seus apoiantes «asseguram» que a estabilidade fica assegurada com o actual acordo da coligação e que o entendimento reforça a estabilidade. Isto pode ter um significado trágico para os portugueses principalmente os mais desprotegidos.

Estabilidade faz pensar em pântano ou águas paradas, isto é, continuidade da política que, durante dois anos, nos tem entrado pelos bolsos, pela boca, e pela pele (saúde) com austeridade em ondas sucessivas cada vez mais arrasadoras. Traz à memória os termos «pântano» usado pelo PM António Guterres, o de «Tanga» escolhido pelo PM Durão Barroso que se esquivou na primeira oportunidade e por outras situações ulteriores de que a urbanidade não me permite referir em público a adjectivação mais usada comummente.

Por outro lado as despesas da manutenção da máquina opressora do Estado, criadora de parasitas, de burocracias exageradas propiciadoras de corrupção em todos os níveis e desbaratando o dinheiro dos impostos ao mesmo tempo que enriquece uma «elite» cúmplice e conivente com o Poder, aumentando a injustiça social. E nunca mais se ouviu falar na REFORMA ESTRUTURAL DO ESTADO, já mencionada há cerca de dois anos.

E, o que se apresenta com grande gravidade, as pequenas mudanças que surgem não são motivadas pelos interesses nacionais, colectivos, dos cidadãos, mas sim por meras questiúnculas que procuram benefícios bem orientados para oportunistas sem escrúpulos. Por isso, se a estabilidade pode não ser um maná colectivo, as pequenas mudanças também não o serão. E continuaremos a aguardar uma alteração profunda da Constituição Portuguesa e uma adequada e modernizadora Reforma do Estado.

Assim, o novo acordo da coligação não parece augurar grande «opulência» aos portugueses, antes os faz augurar muitos atritos na cooperação entre dois teimosos e sem palavra credível, pelo que deve haver muito cuidado com as seis incógnitas do acordo.

Imagem de arquivo

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O Grande Bluff dum Pulha

A página do Cavaco no Facebook utiliza um filtro que encobre os comentários contra por escolha manual. Eles aparecem apenas para o autor desde que ele tenha feito o login no Facebook.

Por exemplo, colocou um comentário onde menciona verdades inquestionáveis, com ou sem referência a um artigo ou semelhante, publicado num jornal ou televisão, que prove factualmente o modo desastroso e cheio de consequências funestas para o país como ele se comportou ou comporta, o seu partidismo ou qualquer outro caso idêntico que tire o verniz daquela chaga nacional. Alguém a seu mando aplica o dito filtro e o comentário continua lá mas invisível para todos à excepção o autor, desde que este tenha feito o login.

O porquê é elementar. O autor continua convencido de que o seu comentário se encontra à vista de todos, mas afinal é como se tivesse sido apagado, pois que só ele o vê. É como ter escrito algo e queimá-lo logo de seguida, mas ficando convencido que foi publicado em todo o mundo. Um desabafo do género do lobo nos desenhos animados do Tex Avery da década de 1950. O comentador é gozado até mais não poder.

Há duas maneiras muito simples de verificar o que aconteceu ao seu comentário.

Para uma delas, primeiro coloque um comentário do género realmente indesejável para o Cavaco. Não com insinuações tolas nem termos menos dignos, mas que contenha verdades incontestáveis, como o que ele fez aos fundos de coesão europeus, um link para o vídeo ao fundo deste artigo ou outro do género. Volte à página dentro de algum tempo, talvez uma ou duas horas, menos ou mais, dependendo da azáfama do operador do tal filtro em Belém. O seu comentário continua lá. Agora log out do Facebook e volte à página: o seu comentário desapareceu. Faça de novo log in e lá está ele! Pode também pedir a um amigo para ver o seu comentário e contar-lhe o resultado. Não tem nenhum «gosto», claro, que ninguém mais o viu nem verá.

Outra maneira simples que lhe permite avaliar o número de comentários que foram maliciosamente filtrados e escondidos. Ao chegar à página do Cavaco, olhe para o seu último post e leia quantos comentários contém, clicando no link Ver xxx comentários, entre o post e os comentários, para os expandir. Conte-os. Não se aflija se lhe parecerem muitos, que verá que será rápido e fácil: falta uma quantidade enorme que corresponde ao número de comentários filtrados apenas visíveis para os autores. A certa altura, no post da sua mensagem do 10 de Junho, listava 216 comentários, mas após desdobrar a lista completa só apareciam 34. Os restantes estavam eclipsados e só eram visíveis por quem os escreveu ao fazer log in. É obra!

Todos os comentários favoráveis são visíveis, até mesmo os contra que contenham palavreado parvo, oco ou inócuo.

Tudo isto é tão visível e elementar que nem merece aprofundar qualquer investigação nem procurar justificações. Este semi-bloqueamento é permanente, ou seja, o comentador continua a poder inserir comentários, mas só para si. É um bluff do presidente que se enquadra perfeitamente na falsidade da sua personalidade e no seu modo de governar que reconhecemos de quando foi primeiro-ministro, em que, entre outros sucessos, chegou a enganar a nação inteira, ao impingir a ilusão de riqueza súbita com o esbanjamento dos fundos de coesão europeus para conseguir votos e ser reeleito.

Como classifica esta acção aliada ao seu comportamento e discursos? Pode-se pegar num dicionário e copiar todos os sinónimos de impostor, aldrabão, vigarista, etc., tudo o que se quiser, mas nenhum deles chega para classificar um tal traidor, um nojento filho da puta da mais baixa estirpe a ocupar e a desonrar a mais alta e nobre magistratura de qualquer nação com truques de baixeza. É aquele em quem votaram. Portanto, que os que o fizeram jamais se queixem, porque o voto não significa democracia nem controla nada nem ninguém e deixa toda a liberdade a qualquer reles canalha, como se vê.

Há que compreender que votar não define uma democracia e afirmá-lo para convencer é mentir, e em Portugal devia saber-se melhor que em qualquer outro país, pois que se votava durante a maior parte do tempo do Estado Novo. É evidente que o voto de per si nem é imprescindível a uma democracia nem a justifica. Essencial e básico é a colaboração e participação de facto do povo, assim como o exercício do seu controlo sobre os governantes, os quais poderão ser escolhidos de qualquer outra forma.

Democracia consiste naquilo que se lê em qualquer dicionário e mais nada; o resto é lavadura para porcos – aquilo que os políticos todos nos têm dado desde a Abrilada, de que se apoderaram. Oligarquia é o estado de uma nação em que a preponderância de alguma família dispõe do governo. Os partidos são perfeitamente assimiláveis a esta definição, por demais que sem controlo são constituídos em famílias mafiosas de associações de malfeitores. A recordar que não existe nenhuma democracia em que os políticos e governantes não sejam submetidos a qualquer tipo de controlo. Foi assim em Atenas, a cidade-estado fundadora da democracia. A mais antiga democracia dos tempos modernos assim funciona também desde a sua fundação, em 1291, na Suíça, e é a isso que se deve tanto a sua existência como a recusa do povo à adesão à União Europeia.

Os políticos e os governantes são tão humanos quanto aqueles que os elegem e administram; seria profundamente estúpido acreditá-los como imunes aos pecados comuns dos outros humanos. Sem controlo não pode haver democracia. Em Portugal nunca houve democracia, mas apenas logro dos políticos para poderem roubar à vontade e impunemente e se alguém acredita que vão largar a galinha dos ovos de ouro a bem ou sem os forçarem ainda é mais estúpido.

Para ajudar a fazer uma ideia do panorama actual e do fumo da podridão intoxicante que paira sobre Belém, transformada numa casa de porcos, e se estende sobre o país, veja o vídeo do comentário da jornalista Constança Cunha e Sá, que segundo parece não está a ser paga para encobrir corruptos, ladrões nem traidores:

«O Presidente da República fugiu do país».












sábado, 6 de abril de 2013

Ministro Rouba M€4 e Assassina os Roubados

Portugal é dos países do mundo com mais acidentes rodoviários, constato plenamente justificado pelo conhecido ditado de que «na estrada se vê o civismo de um povo». Nestas infelizes circunstâncias, os programas de prevenção.

A relação entre o civismo, o saber conduzir e os acidentes é bem conhecida nos países em que o seu número é mais reduzido. Reconhecendo os seus erros têm a oportunidade de usar os meios necessários para os corrigir. Exemplos não faltam. Em fins da década de 1950, diziam as Selecções do Reader’s Digest que a Polónia e a Suíça eram os países europeus com mais levado número de acidentes rodoviário. Sabemos que a Polónia fez grande progresso na sua redução e que a Suíça consegui mesmo colocar-se à cabeça do pelotão dos que menos acidentes registam. Como? Civilizando as pessoas, fazendo-as compreender que o código devia ser respeitado, ensinando-as a conduzir, submetendo-as a exames rigorosos para obtenção de carta.

Paralelamente, corrigiram os vários tipos de erros existentes nas estradas, nos traçados e na aplicação do código, dentro das cidades, e a sinalização foi adequada consoante as circunstâncias. Implantares radares fixos e móveis simulados de fixos com muitas caixas, muitas delas vazias mas com rotatividade dos aparelhos. Mais uma falta flagrante em Portugal. Much Ado About Nothing (título duma comédia de William Shakespeare).

Sobretudo, a fim de que o conjunto de medidas sortisse o efeito desejado ajudariam os condutores a compreender que a culpa era deles.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Esta «ética» vem de longe


Aula de política da época entre 1643 e 1715

Eis um diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV, constante da peça teatral «Le Diable Rouge», de Antoine Rault:

Colbert: - Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…

Mazarino: - Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas, vai parar à prisão. Mas o Estado é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!

Colbert: - Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?

Mazarino: - Criando outros.

Colbert: - Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino: - Sim, é impossível.

Colbert: - E sobre os ricos?

Mazarino: - Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert: - Então, como faremos?

Mazarino: - Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável. É a classe média!

Imagem do Google

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Reprodução integral de um artigo de autoria de Henrique Antunes Ferreira, reformado, ex-director do Diário de Notícias, no seu blog A minha Travessa do Ferreira, após um período de doença e a quem desejamos um bom restabelecimento para o prazer de continuarmos a lê-lo. Ainda bem que mesmo depois de se reformar não conseguiu largar a pena, o lápis, a caneta, a esferográfica ou lá com o que escreva, provavelmente apenas o teclado, e continua a provar-nos a diferença entre um jornalista de mérito e a generalidade dos pedantes manipuladores de notícias distorcidas que hoje fabricam a opinião e desinformam os portugueses em conluio com a corrupção política de que o José Gomes Ferreira é o exemplo primeiro, mas não único.

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NEM ME DIGAS

Cama, mesa e roupa lavada
Antunes Ferreira

O homem enfiou o capuz da parka que já conhecera muito melhores dias. Fazia um frio danado, mas também o sentia por dentro. E fome. Maldita vida aquela. Vá lá que nas traseiras de uma loja de eletrodomésticos conseguira surripiar uma embalagem de frigorífico para lhe servir de cama. Eram difíceis os tempos de crise. Mas também encontrara  uns plásticos para se cobrir da chuva que ameaçava engrossar. Com a manta velha, de retalhos, a abem ver não era manta era uma coisa puída para se tapar. Com uns jornais velhos, sempre ficaria um pouco mais quentinho, mais quentinho, uma merda, mas que o deixaria, sem sentir tanto a frialdade exterior. A interior não havia édredon que a eliminasse.

Tinha dois ou três restaurantes que lhe davam as sobras do que os comensais deixavam nos pratos, mas não era suficiente, por isso a fome que se lhe entranhara no corpo, pequeno-almoço não se safava, almoço, nicles e jantar só as tais sobras. Mas os gajos dos restaurantes já começavam e corrê-lo, este marmanjo vem aqui comer todas as noites, e mandavam-lhe trabalhar que o trabalho por mais sujo que fosse não matava ninguém. Já tentara ser dos lixeiros que andam de noite nas camionetas para apanhar o lixo, mas não tinha ninguém para meter uma cunha na Câmara Municipal e estava feito.

Fernando Ulrich
Aquele filho da puta daquele banqueiro que vira num aparelho de televisão na tal loja de artigos elétricos, ouvira e vira ele com os olhos e os ouvidos que a terra havia de comer, que os Portugueses aguentavam mais austeridade, dizia o malandro ai aguentam, aguentam. E logo uns dias depois dizia que se os sem- abrigo aguentavam por que não haviam de aguentar os outros. O nome do banqueiro que devia ganhar uns bons milhares de euros por mês, chorudos prémios anuais era Fernando Ulrich. Se houvesse em Portugal um novo Buiça – o tipo que matara o rei D. Carlos e o príncipe sucessor D. Luís Filipe, era excelente, dava cabo dele só com um tirito…

Aliás, como diria o Raul Solnado, punham-se em fila indiana o Presidente da República, Cavaco Silva, o primeiro-ministro Passos Coelho, outro ministro, o Miguel Relvas, que se intitulava doutor e que tinha o curso universitário fazendo uma só cadeira, mas que tinha muita experiência (?) política (?) e o Vítor Gaspar, o ministro das Finanças e com uma só bala dava-se cabo desses todos. Uma bala com um cordel, que se puxaria depois de cumprida a sua missão e podia servir para outros. Era uma economia.

E por economia, também devia estar em nova fila o Álvaro Santos Pereira, ministro justamente da economia e outras especialidades. E mais alguns governantes deste (des)Governo que diz que nos (des)governa), que depois dos do Salazar e do Marcelo Caetano, era o pior que nos calhou na rifa. Mas o que é facto é que foram eleitos pelos Portugueses, mas por mim não foram nenhum deles, comentários que o autor, mesmo sendo contra a violência, subscreve completamente… Com tudo isto já se desviou o escrevinhador do personagem desta croniqueta que dormia num passeio qualquer, de preferência debaixo da soleira de porta de prédio.

Vítor Gaspar
Logo que o tal ministro das Finanças começara a roubar os Portugas, já no ano anterior, correra uma anedota natalícia: dos três  magos que tinham ido visitar o bebé Jesus, o Melchior levava ouro e incenso, o Baltazar prata e mirra e o Gaspar roubava tudo. Boa, bem tirada. Repete-se e completa-se : roubos à mão (des)armada. Lemram-se?, o Salazar também começara como ministro das Finanças, e, com falinhas mansas, lixara o general Domingos de Oliveira que era o primeiro-ministro e depois foi o que se viu: quase 50 anos de ditadura com Censura, PIDE, a polícia política, campos de concentração como o Tarrafal e outras brincadolhices.

De resto, o atual chefe (?) do (des)Governo, o Passos Coelho que se pusesse a pau com o Gaspar e o com o dos Negócios Estrangeiros, o Paulo Portas que é gajinho para o empurrar pela escada abaixo. Dos coscuvilheiros, invertidos e de sorrisinhos a peixeiras e correlativos em campanha eleitoral, é o diabo, olá se é… Mau, voltou o escriba a descarrilar, meia-volta volver, em frente marche. O sem-abrigo desta estória, andava com um vazio gástrico que não sei se vos diga, se vos conte. Os restaurantes – nada; porque tinham menos fregueses e porque o IVA aumentara desmesuradamente (bem como todos os outros impostos para o proletariado) e porque  por isso faziam menos comida, porque era a crise e etc. e tal. Logo, nada de sobras, vai comer noutro sítio.

Numa alegre confraternização
Ora, lá se diz que cada come onde lhe apetece. Quando fora mobilizado para Angola, uma noite o oficial de dia, que na verdade deveria ser chamado oficial de noite, ao passar revista noturna às casernas, dera com um soldado preto todo nu em cima de outro soldado, este último branco também em pelota, numa alegre confraternização. Lanterna em cima dos comparsas muitíssimo camaradas chegados, bateu o alferes miliciano no ombro do de cima, que não sabendo que era o oficial, respondeu você tens nada com isso! A cu é teu?! Claro que deu uma bronca de se lhe tirar o bivaque, que é como se chama ao chapéu na tropa. Auto, cadeia, trinta por uma linha.

Esfomeado, resolveu entrar numa padaria e à socapa gamar uma carcaça. O padeiro agarrou-o, seu sacana de ladrão, chamou o polícia que o levou para a esquadra. Onde disse ao chefe que por subtrair um pão era um gatuno, roubara; se fosse um banqueiro, um administrador ou outro importante que metera ao bolso uns milhões por falcatruas diversas tratava-se apenas de um desvio, com advogados aos montes que de recurso em recurso levavam o processo à prescrição. A ele meteram-no na choça depois de levar umas valentes chapadas. É a vida, comentara o guarda, umas galhetas nas trombas nunca fizeram mal a ninguém.

Bem vistas as coisas, lá lhe levaram um almoço, ainda que sem grande qualidade, e depois de o ouvirem em auto, ofereceram-lhe uma graciosa pulseira eletrónica para usar no tornozelo e foi avisado que depois no tribunal daí a uns dias o juiz lhe daria a correspondente correção. Já um homem não pode levar um papo-seco para enganar o intestino sem consequências dessas.

À noite, quando se deitara debaixo de um portal de um banco, por acaso uma agência do BPI, o tal senhor Ulrich vinha a sair para entrar num mercedes do último modelo, o banqueiro dissera ao motorista que lhe desse um euro e que lhe dissesse que no dia seguinte não queria lá vê-lo, senão chamaria um polícia e… E o nosso personagem ficou todo contente, deixou-se quedar ali, até pediu um cigarrinho por amor de Deus a um senhor que passava, marimbando-se para o cabrão que dissera, ai aguenta, aguenta.

Este chegou e viu o Abílio Fernandes Martins deitado no seu leito de cartão, com uma mini beata nos lábios, olhou-o de viés e mandou o porteiro que viera abrir-lhe a entrada, para chamar a polícia a fim de tirar aquele fulano dali. Já no seu gabinete todo em mogno e carvalho, maples e cadeirões, alcatifa, quadros de autores caros, sedas e brocados, sentou-se à sua secretária de estilo, premiu o botão do intercomunicador e ordenou ao seu chefe de gabinete que ligasse imediatamente ao Comandante-geral da Polícia, ouça, caro amigo, tenho aqui à porta do banco um malandro que quis gozar comigo. Mande prendê-lo e diga ao juiz do Sumário que lhe dê uns 15 dias por vadiagem e invasão de propriedade e espaço público.

Meu dito, meu feito. O antigo soldado 187945/65, que combatera em Angola e tinha um pulmão a menos, por mor de um tiro do inimigo, na altura um turra, foi para a esquadra sem oferecer resistência. Logo de seguida um auto feito à pressa e um julgamento foguete: ou 15 dias de prisão, ou multa no valor de 2.879,26 euros. Tinha um euro no bolso era o seu pecúlio. Poderia, depois ir deposita-lo no banco em causa… Agradeceu ao meritíssimo magistrado, que ficou de olho à banda com tal afirmação, À você ainda goza? Ora tome lá: 21 dias de prisão não remíveis!

Quando deu entrada na cela a Penitenciária para cumprir a pena, o guarda prisional que antes era chamado carcereiro, saíste-me uma boa rês e ainda por cima tentaste achincalhar o senhor Juiz. Abílio fez um sorrisinho sonso, não respondeu, mas falou para ele próprio sem abrir a boca: Porra, finalmente ia ter três semanas à boa vida com teto, cama, mesa e roupa lavada. E, se calhar a Fernandinha da Meia-laranja ainda lhe levaria um macito de cigarros. De cigarrilhas, não, eram muito caras.

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Comentário parcial do autor, também transcrito deste artigo do seu blog.

Conto, mais uma vez com a vossa compreensão, amabilidade, paciência e, sobretudo A vossa Amizade. Um bem-haja a todas e todos, muita saúde, paz e capacidade de lutar pela Verdade - que estes lacaios da troica e do poder económico conspurcam quotidianamente.

Alegando transparência, escudam-se na escuridão em que vivem; mentem com quantos dentes (cariados) que têm na boca. Sabem que estão a amortalhar o Povo Português e que estão errados e não querem reconhecê-lo.Praticam a engenharia (?) financeira e mentem nos números que dão.

São um arremede de ditadores de pacotilha e têm quem lhes dê «boa» informação, muitas vezes paga. São, portanto desonestos, apoiados pelas organizações e países e governantes que os dominam. Fazem todos parte da mesma máfia internacional, dizem-se neo-liberais e são prepotentes, arrogantes e espertalhaços, desde Belém a São Bento e etc.

Os que estavam antes eram mentirosos, corruptos e falcatrueiros, mas não dizem que foi o Cavaco Silva, da mesma seita laranja, que, quando primeiro-ministro e com dinheiro «dado» pela então CEE, pagou aos que arrancassem oliveiras, sobreiros e vinhas, mas agora diz que os Portugueses devem dedicar-se à agricultura. Pagou, com os dinheiros da da mesma origem para os que afundassem a frota pesqueira nacional e agora roga que se pratique a agricultura e a pesca para ajudarem a saída da «crise» que ele próprio começou a criar.

Enfim, sobem os impostos de todos, incluindo os reformados, e e assim diminuem os salários, aumentam os preços da energia, da água, dos transportes e até do pão, e tudo para restaurar a confiança dos chamados «mercados» a quem prestam vassalagem. Resumindo: estão a dar cabo de Portugal...

Mas não me calam a voz, nem me roubam o computador, o monitor, o teclado e o rato. (Ainda) não me mandam para campos de «reeducação» que o mesmo é dizer de concentração. Não me tirarão o direito à Liberdade e à Democracia.

Porque eu não os deixo vegar-me, nem me vergarão; se a PIDE mascarada de DGS não me eliminaram não estes cretinos que o farão. Porque não tenho medo deles, ainda que suspeite que os «informadores» andam por aí. Ainda não há delitos de opinião mas compram muitos ditos comentadores, opinion makers e jornalistas da nossa praça.

Não tenho medo deles, ainda que não seja um herói.Mas não deixarei de praticar mais vilanias.

Nasci assim, tenho vivido assim e morerei assim. Nunca me vendi nem recebi por baixo da mesa, nem fiz trocas de influências, nem corrompi ninguém, nem me deixei corromper. Nunca.

Qjs & abraços

Henrique Antunes Ferreira, BI 13697-6 e contribuinte 108418812. Para que conste

7 de Fevereiro de 2013 à0 01:21

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Governo Controla RTP Abertamente

O governo passou a controlar a RTP para impedir a reestruturação política e manter o domínio da corrupção sobre o país, usando o conhecido método da grilheta mental das oligarquias e ditaduras modernas, mas mão novo.

Depois do que até agora se tem observado, não parece ser novidade que não se inscreva nas linhas directivas deste governo, que supera todos os desejos dos seus precedentes neste mesmo sentido de dominar a opinião, ainda menos de admirar estando-se ao corrente do nojo antidemocrático, celerado e obscenamente ordinário que é o Corta Relvas, mais um doutor ao estilo nacional, cujo enriquecimento é mantido sob mais estrito sigilo. Quando alguém deste calibre chega ao poder, o país está a bater no fundo. Por demais com um primeiro-ministro com uma condenação do Tribunal Criminal de Évora em cima e duas mãos cheias de processos em investigação, agora abafados, claro.

Já muitos se questionavam sobre o caso do director de desinformação da RTP, que pela falta de seguimento parece ter sido encoberto após um pequeno vulcão. Não se sabe mesmo se o subornaram para se calar. Numa pseudodemocracia oligárquica mascarada de democracia, todas as suposições sobre as manigâncias da corrupção destinadas a enganar o povo têm lugar legítimo.

Assim, a RTP, dominada pelo governo, iniciou há algum tempo uma pressão insidiosa sobre a opinião geral nacional. Seria desnecessário, a ponto de se tornar ridículo, lembrar aqui que em caso de enfrentarem esta afirmação jurariam a pés juntos e com cruzes que isto é uma difamação ou um erro de apreciação e que tentariam provar à sua conveniência o já provado em sentido contrário.

A cobardia inata da maioria dos portugueses leva-os à resignação, para o bem e no interesse da ladroagem corrupta e incompetente, os carneiros acomodaram-se à crise em lugar de lutarem como os povos avançados. Se têm fome, roubam, mas aceitam a sua sorte com resignação e masoquismo. Os islandeses, neste caso seguiram um caminho oposto ao da desorientação revoltosa da Grécia ou ainda menos de Espanha, outro povo que continua no atraso secular já bem anterior aos miseráveis reis genocidas, Fernando e Isabel, que passavam os invernos a tiritar de frio nos seus castelos de pedra nua e desprovidos dos confortos elementares dos senhores da época.

Apoiando-se neste atraso e cobardia nacionais, que a corrupção promove e explora, que com eles lucra e enriquece, empobrecendo o povo, a RTP, por inspiração governamental, resolveu levantar os ânimos e inspirar uma muito salutar auto-estima. Começou por se auto-elogiar. Que ousadia só possível por os telespectadores serem apáticos, incapazes de reflectir e tudo engolirem sem líquido. Como se trata dum caso de afronto publicitário, a primeira reacção duma pessoa normal é de tomar a ousadia por aquilo que na verdade é: uma impostura monstruosa. Sobretudo por a sua auto-publicidade nos querer fazer acreditar que eles não manipulam as informações, que não nos desinformam como o têm feito nem nos mantiveram deliberadamente na ignorância, escondendo-nos o modo como vivem os povos democráticos e dominam os seus políticos (assunto jamais devidamente abordado, pelo que quase ninguém cá conhece) e evitando comparações desastrosas para os governantes incompetentes e corruptos. Clamam ser o que não são, pelo que ao inverso daquilo que bradam, não merecem um mínimo de confiança; é como se caracteriza tal tipo de publicidade e o embuste que realmente significa.

Paralelamente, têm há algum tempo seguido outro método que ultimamente empolaram: inchar os pobres cobardes com uma auto-estima que só pode ser resultado num orgulho em se ser ignorante e atrasado, incapaz de gerir a sua própria vida, lorpa que se toma por vivo e inteligente mas que cai em todos os logros políticos e publicitários. Enfim, exactamente aquilo pelo que os povos mais avançados nos conhecem. Aquilo que, evidentemente, não vão declarar quando esses parlapatões lhes perguntam a opinião sobre os portugueses. Nenhuma televisão faz essas perguntas a estrangeiros porque já se sabe que as respostas nada teriam a ver com o que eles pensassem e que são geralmente o contrário, mas que em Portugal é frequente ouvir-se por o povo ser incapaz de compreender a realidade – enganam-nos e gozam-nos descaradamente e querem que confiemos neles.

Para tanto, falam-nos ainda das tradições que eles mesmos têm destruído, substituindo-as por outra que inventam, como a do bacalhau como prato nacional das festas de Natal e Ano Novo, uma barbaridade em que grande parte dos mentecaptos acabaram por acreditar. A todo o momento falam em «cumprir as tradições» por eles mesmos as arruinarem e não as cumprirem. Vêm agora com programas velhos, alguns do tempo do Estado Novo, que esconderam durante décadas para que os esquecêssemos, alguns sobre procedimentos e modos civilizados que condenaram.

Porquê?

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Eu e os Outros. Nós e a Natureza

Nesta quadra natalícia, e obedecendo à tradicional frase de que «o espírito de Natal deve estar presente todo o ano», convém fazer uma análise do ano findo, rever comportamentos e aperfeiçoar a conduta a fim de o próximo ano ser melhor e iniciarmos um futuro construtivo seguindo os melhores valores de convivência com os outros e com a Natureza.

Não é preciso inventar nada. Desde há séculos que se recita a ideia de que deveis «amar os outros como a vós mesmos» ou de que «não devemos fazer aos outros o que não desejamos que nos façam». Neste conceito, os outros são todos os que estiverem para além da nossa pele, sejam familiares ou amigos, do nosso clube ou de outros, independentemente da cor da pele, da nacionalidade, das convicções, etc.

É nosso dever não hostilizar os outros e respeitar seriamente os seus legítimos direitos. Nos anos mais recentes instalou-se o fanatismo dos direitos, toda a gente fala nos seus variados direitos, mas ao pronunciar a palavra esquecem que deve haver deveres para que os dois pratos da balança – direitos e deveres - estejam em equilíbrio. E o principal dever é respeitar os outros, não os prejudicar no exercício dos seus legítimos direitos.

Este dever de respeitar os direitos dos outros é muitas vezes esquecido e muitas autoridades esmagam, sem a mínima consideração, os que dependem de si e que, por isso, ficam mais desprotegidos. É dever também desempenhar as suas tarefas honestamente com permanente vontade de ser eficiente, excelente. Os que têm o dever de zelar pelo bem-estar da população, devem ser escrupulosos e não viver acima das possibilidades dos contribuintes, isto é, devem fazer escrupulosa utilização do dinheiro público. Para isso, a estrutura deve ter apenas o peso e o volume indispensável à finalidade de governar bem o país, sem burocracias excessivas, sem instituições desnecessárias, sem mordomias desproporcionais às possibilidades dos contribuintes. As tarefas de cada órgão devem ser claramente definidas, com rigorosa atenção ao interesse dos cidadãos. O controlo das actuações deve ser isento e imparcial e a aplicação da Justiça deve ser geral sem criar excepções de imunidades e impunidades injustificáveis.

Mas além do nosso respeito pelos outros, há um outro dever que costuma ser esquecido é aquele que se refere à casa de todos nós, à Natureza. A nossa vida depende do ambiente, não apenas daquele que fica ao alcance da nossa mão, da nossa visão, mas de todo o planeta. Cada gesto nosso tem influência na saúde ambiental: a água que consumimos, o lixo que produzimos, os gases e vapores que enviamos para a atmosfera, o excesso de consumo e, principalmente, o desperdício, empobrece o património colectivo, os recursos que escasseiam e nos farão falta e aos vindouros.

E além da Natureza como nosso habitáculo, devemos respeitar os seus habitantes, animais e vegetais. Quanto aos animais, não posso deixar de sublinhar o egocentrismo e a arrogância que levou os humanos a considerarem-se «racionais» em oposição aos restantes habitantes da terra que qualificou de «irracionais». Tal classificação foi devida a ignorância e presunção dos humanos, pois, os animais não humanos raciocinam de forma mais coerente e pragmática do que muitos humanos e, frequentemente, dão lições de convivência, de afecto entre os familiares, os do mesmo bando e, o que é impressionante, em relação a tipos de outras espécies e raças. Nisto aparecem exemplos que devem envergonhar os humanos racistas, xenófobos, com aversão aos que seguem religião diferente ou são adeptos de outros clubes ou de outros partidos.

O espírito de Natal deve ser aproveitado para reflectir nestes problemas, de forma simples e sem preconceitos e, depois, procurar rever os comportamentos habituais de maneira a contribuir para maior harmonia e paz em relação aos outros e à Natureza em todas as suas facetas. «Amai os outros como a vós mesmos».

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