quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O ESTADO DO ESTADO

Tenho-o afirmado bastas vezes o maior problema deste Estado é a falta de competência dos seus mentores.
A incompetência tem de forçosamente de descambar em corrupção. O país é pequeno dizem uns (mas que raio o Luxemburgo também o é e que se saiba a mesma é quase nula), penso que o problema não passa por aí.
Se verificarmos, os mandantes de agora são “herdeiros” do antigamente, os seus mestres foram figuras gradas do fascismo, ora, os ensinamentos não poderiam nunca ser de verdade, liberdade, tolerância, nem sequer de hábitos democráticos.
Os partidos aos quais vamos (por enquanto) dando de tempos a tempos o voto, estão entalados entre a demagogia bacoca de gente sem escrúpulos e os vendedores de ilusões mais ou menos gastas, para além de estarem reféns de seitas e afins.
Os mais novos que vão aparecendo na cena partidária aprenderam com esta gente, os “mestres” são os falhados do sistema, ora, por exclusão de partes eles (os mais novos) só poderão ser mais medíocres que aqueles.
O país resvala para a bancarrota, o que produzimos anualmente não chega para pagar a dívida ao exterior durante um ano, os números são exorbitantes, e de quem é a culpa? Todos o sabemos, políticas desastrosas, sempre feitas nas nossas costas e contra nós, políticos incompetentes e corruptos ajudaram a compor o ramalhete.
Com tal cenário era de prever casos de corrupção em catadupa, enumera-los a todos tornar-se-ia fastidioso, os meus amigos sabem bem os quantos existem (e só aqueles que são tornados públicos) outros haverá com certeza.
Há solução? Claro que há solução, bastava para tal o Povo tomar consciência da força que tem, a ocupação de fábricas e empresas cujos patrões as abandonam era uma primeira medida, depois existe a insurreição popular, a organização popular de base, a democracia directa como única “arma” para a verdadeira democracia popular, a greve geral e generalizada era outra solução, outras haverá. Cabe-nos a nós a tarefa de deixar aos nossos netos um país diferente.

Parafraseando o poeta:

Que força é essa que trazes nos braços

que só te serve para obedecer

que só te manda obedecer

Que força é essa, amigo

que te põe de bem com outros e de mal contigo

sábado, 14 de novembro de 2009

Dança de poleiros

Depois de lermos Guerra Junqueiro e de olharmos em redor para o actual regime, verificamos que pouco mudou imperando o lema ‘cada vez mais na mesma’, os governantes consideram-se donos deste pequeno quintal e como tal, com legitimidade para gerirem o jardim e as hortas a seu belo prazer e interesse. Os interesses nacionais são esquecidos porque acima deles colocam os interesses individuais, do partido e dos familiares e amigos. As notícias dos últimos tempos são prova concludente disto.

E, dentro deste estilo de vida pública, a dança de poleiros é uma constante entre aqueles que, em jovens, se inscreveram nas «jotas» como início de uma carreira frutuosa e, depois, são considerados os portugueses mais válidos para todos os lugares bem remunerados. Mesmo que o desempenho tenha sido deficiente, ou até por isso, são guindados a outros poleiros, por norma de melhor remuneração, o que corresponde ao ‘castigo’ do «pontapé pela escada acima».

Agora, as notícias mais recentes mostram dois casos. Um diz que tendo o director do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), Elísio Summavielle, ido para Secretário de Estado da Cultura, foi substituído por Gonçalo Couceiro, que era director da direcção regional do Ministério da Cultura no Algarve. Tudo em família, assente em confiança política. Mas será ele o português mais qualificado para o desempenho do cargo, com especial dedicação aos interesses nacionais? Terá novas ideias para modernizar o serviço a cargo do Instituto?

Parece que o seu maior trunfo é a lista de poleiros por que passou por ser simpático para os mais altos dirigentes do partido, pois de ideias novas para o Instituto afirmou que a futura direcção do Igespar vai assentar "num trabalho de continuidade apoiado nas regras da nova lei do Património". Portanto nada de inovação, nada de ideias definidas para modernizar. Nada de novo na frente ocidental!

Outro caso é o da nomeação aprovada pelo Conselho de Ministros do ex-secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Filipe Boa Baptista, para o cargo de vogal do conselho de administração da Anacom. É mais uma mudança de poleiro na sequência da «carreira política» iniciada com a inscrição na «jota».

E o curioso é, como tem vindo a público, muitas dessas inscrições foram uma forma de ultrapassar as dificuldades nos estudos de que resultou mais tarde, após ocuparem um poleiro que proporcionou um favor a uma das novas universidades, terem recebido desta um diploma de licenciatura. Até parece já ter ocorrido terem recebido diploma de pós graduação com data anterior ao da licenciatura. E consta que há vários casos. Mas nem quero acreditar!

Sendo um dos primeiros degraus desses génios o cargo de assessores, admira como eles não tenham evitado tantos erros dos governantes que deram origem a diversos recuos, dos quais resultou desprestígio e custos em tempo e dinheiro e incómodo para os cidadãos. Mas a progressão na «carreira» aconselhava a dizer «yes sir» e nunca contrariar os chefes, sendo perigoso alertar para os erros que estavam a ser preparados. Mas eles teriam consciência desses erros potenciais?

Quando será que estes cargos passarão a ser desempenhados pelas pessoas mais válidas do país, sem os vícios e manhas dos políticos, capazes de colocarem os interesses nacionais acima das politiquices, das lutas e intrigas interpartidárias a pensar nos votos?

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O Robô e Nós

«Nós somos o que escapa à competência do robô».
Esta frase escrita numa parede da passagem inferior junto da estação de caminho de ferro de Cascais revela muita sabedoria e um prenúncio significativo do futuro da humanidade.

O robô é um invento recente e tem evoluído muito rapidamente, o que leva a supor que, dentro em pouco, poderá fazer quase tudo que hoje dá trabalho ao homem. Como «o trabalho é um esforço penoso para produzir bens», deixa de haver trabalho e a vida será só lazer, o que pode parecer animador. Porém, o laser, o ócio, os passatempos têm custos. Como poderá um ocioso fazer face a esses custos? Como poderá alguém comprar os bens produzidos pelo robô?

Sem dúvida, a sociedade irá sofrer (beneficiar de) profundas transformações, hoje inimagináveis. E quem estará preparado para tais mudanças que, segundo tudo leva a crer, serão muito rápidas, mais rápidas do que a nossa capacidade de adaptação? Já em 23 de Outubro aqui foi referida tal incógnita, e os múltiplos aspectos que ela acarreta.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

«Intocáveis» e «essenciais»

No campo das ideias é seguida a regra das cerejas, vem sempre atrás outra parecida. Depois do post «A elite e a arraia miúda», chega agora este em que se transcreve o texto seguinte, seguido de uma Nota:

Os intocáveis
Jornal de Notícias, 2 de Novembro de 2009, por Mário Crespo

O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira - se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa.

Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça.

O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação. Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (…)". O "Senhor jornalista" provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport.

Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca.

NOTA: Este é mais um dos textos a que fomos habituados pelo jornalista Mário Crespo, semanalmente no Jornal de Notícias. Sem floreados desnecessários, com preocupação de isenção, rigor e utilidade pública, com os olhos postos no interesse nacional, aponta sempre o dedo de forma muito perspicaz e arguta aos factos mais relevantes, inserindo-os num conceito de ética e civismo, ao mais alto nível.

Os políticos têm características próprias raramente dignas de serem apontadas como paradigmas a pessoas decentes, pelo que nada vindo deles nos deve surpreender, o que não significa que nos devamos calar coniventemente. É preciso denunciar as contradições que usam para ocultar os «pecados» dos elementos da oligarquia.

O ministro Silva Pereira que fala ostensivamente de democracia, não se inibiu de, no início do Governo anterior, dizer na TV que «o povo deu-nos a maioria absoluta para decidirmos como quisermos», e não referiu submissão ao seu programa eleitoral apresentado a sufrágio, nem ao programa de governo apresentado na AR nem aos interesses nacionais. Agora o partido está no Governo com apenas pouco mais de 20 por cento dos votos dos cidadãos potenciais eleitores (inscritos nas listas). Não pode alegar que tem o apoio de todos os portugueses, pois só pode contar com um em cada cinco.

E, por falar em características dos políticos, eles mostram-se dominados fortemente pela ambição do enriquecimento por qualquer meio, como mostra o texto, e seria interessante saber quantos portugueses foram inscritos nas listas concorrentes às três últimas eleições (europeias, legislativas e autárquicas). Devem representar uma larga percentagem da população nacional. Isto mostra que o objectivo desejado, os benefícios dele resultantes, o pertencer aos «intocáveis» e «essenciais», é compensador do esforço das campanhas e dos impropérios, insinuações e suspeitas de que são alvo. O Vara e muitos outros subentendidos no texto podem explicar o fito das candidaturas e as compensações do «sacrifício» de servir o País, de tal forma.

Como refere Mário Crespo, a corrupção prejudica o Estado, todos os portugueses. Com efeito, na actividade económica quem paga os lucros, os luxos e as «atenções» são os clientes, os utentes ou no preço ou na má qualidade dos serviços. Ora veja-se o volume da corrupção e do enriquecimento ilícito que existe entre os políticos e ex-políticos a todos os níveis. É dinheiro retirado indevidamente dos cofres do Estado e do bolso dos pobres através dos impostos e de toda a actividade económica.

Transcrito do blog Do Miradouro

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A POLÍTICA DOS POLÍTICOS

A política portuguesa é fraca porque os protagonistas também o são. Disso estamos todos (ou quase) de acordo. Aliás, a mesma mediocridade também se vislumbra nos comentadores políticos (alguns na procura de tacho) e/ou nos políticos comentadores, parece a mesma coisa mas não é. A "crise" de "vocações" estende-se por tabela aos inquilinos do Palácio de Belém, onde, de aspirantes a palhaços, a ditadorzinhos falhados, tudo ou quase tudo tem passado por lá. Os últimos episódios protagonizados pelo Presidente da República de tão degradantes e sem conteúdo são a prova disso mesmo, falta de sensibilidade democrática e pior que tudo, incompetência. O mesmo se aplica ao primeiro ministro, arrogante antes, pimpolho agora, falta-lhe sensibilidade e competência, falta-lhe saber ouvir, saber viver em democracia, Sócrates dava um bom seguidor do marcelismo, com a sua prosapia de feirante, nada fica a dever a Paulo Portas, antes pelo contrário. Dos restantes é um enorme vazio de ideias e soluções, onde Ferreira Leite se destaca pelo negativismo e pelo cheirinho a primavera marcelista, aqui era uma boa acompanhante para Sócrates. Louçã é um coquete, herdeiro da alta-burguesia urbana, que tal como outros se refugiaram no Trotskismo para afagar as máguas da sua fraca existência. Jerónimo de Sousa talvez mais "genuíno" que Cunhal ou Carvalhas, mas sem a coragem do primeiro e a inteligência do segundo, tenta remar contra a maré do neo-liberalismo, apontado sempre os mesmos culpados, repetindo as mesmas frases, sem saber por vezes muito bem o que afirma, e, um enorme erro de estratégia, nunca apontar erros para dentro, para ele o partido é imaculado, o (partido) nunca se engana e nunca tem dúvidas, esquecendo-se porém que por vezes estão lá dentro os problemas. Paulo Portas é o "legítimo" herdeiro do conservadorismo e do saudosismo anterior a Abril de 1974, para além de ser um demagogo. Portas é apoiado pela grande burguesia que Cavaco alimentou enquanto primeiro ministro e que gostava de apaparicar, para além de o financiar quer em campanhas eleitorais, quer de outra natureza, (as obras megalómanas alguém as construiu, as empresa por ele privatizadas tinham destino certo, etc), Portas é o seu seguidor. Portas exterioriza demagogia pura, é um político hábil e sem escrúpulos, se fosse possível enganava-se a si próprio.

# Ferroadas

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

GRACIAS A LA NEGRA

MORRE UMA GRANDE COMPANHEIRA E SÓ NOS RESTA AGRADECER POR TODA SUA LUTA E SEU EXEMPLO. SUA MENSAGEM FICARÁ PARA SEMPRE!



Cuando Tenga La Tierra

Cuando tenga la tierra sembraré las palabras
que mi padre Martín Fierro puso al viento,
cuando tenga la tierra la tendrán los que luchan
los maestros, los hacheros, los obreros.

Cuando tenga la tierra
te lo juro semilla que la vida
será un dulce racimo y en el mar de las uvas
nuestro vino, cantaré, cantaré.

Cuando tenga la tierra le daré a las estrellas
astronautas de trigales, luna nueva,
cuando tenga la tierra formaré con los grillos
una orquesta donde canten los que piensan.

Cuando tenga la tierra
te lo juro semilla que la vida
será un dulce racimo y en el mar de las uvas
nuestro vino, cantaré, cantaré.

HABLADO:
'Campesino, cuando tenga la tierra
sucederá en el mundo el corazón de mi mundo
desde atrás de todo el olvido secaré con mis lágrimas
todo el horror de la lástima y por fin te veré,
campesino, campesino, campesino, campesino,
dueño de mirar la noche en que nos acostamos para hacer loshijos,
campesino, cuando tenga la tierra
le pondré la luna en el bolsillo y saldré a pasear
con los árboles y el silencio
y los hombres y las mujeres conmigo'.

Cantaré, cantaré, cantaré, cantaré.

sábado, 3 de outubro de 2009

Mais uma Bronca na Desinformação ou
Como se Fabricam as Notícias em Portugal

É só mais uma bronca entre tantas outras que não diferem entre elas senão no género segundo o assunto. Nesta, a aldrabice é duma evidência que brada aos céus, não podendo senão ter origem num punhado desses seres atrasados mentais e ignorantes que pretendem que lhes chamem doutores. Porém, usar esse termo que revela sabedoria relacionado com estes impostores, só pode ser um desprestígio e uma ofensa para aqueles que realmente o são.


A reconstrução artística da Ardipithecus ramidus foi possível mediante a reconstrução digital das partes craniana de dois indivíduos. A face da Ardi não é tão protuberante quanto a dos grandes macacos actuais, mas não é tão plana e massiva quanto a dos mais recentes Australopithecus afarensis.


Os noticiários de hoje falaram-nos numa importante descoberta científica cuja história começou há cerca de 15 anos, mas cuja documentação foi publicada ontem (2-10-09) no jornal Science, da American Association for the Advancement of Science (AAAS), conhecida como a maior sociedade científica geral mundial.

Trata-se da descoberta de vários ossários e de um esqueleto parcial de um hominídeo, em 1994, que é um dos mais antigos predecessores ou progenitores da humanidade (os jornaleiros pedantes chamam progenitores ao pai e à mãe, pois que desconhecem o significado do vocábulo). Este esqueleto é o duma fêmea que viveu há cerca de 4,4 milhões de anos na região do vale de Afar - Rift, na actual Etiópia, considerado o berço da humanidade. A este novo humanóide foi chamado Ardipithecus ramidus, enquanto que este espécimen feminino foi familiarmente alcunhado de Ardi.


Zona do Vale de Afar-Rift e área circundante – a mais rica em fósseis de hominídeos e berço da humanidade.


Esta descoberta veio quase fazer esquecer a da Lucy, uns vinte anos antes (1974), o hominídeo mas antigo até à descoberta da Ardi.

Segundo se lê na Science, após esta descoberta, a existência dum predecessor comum aos humanos e aos chimpanzés e gorilas, de acordo com a teoria de Darwin, seria muito mais anterior do que ele teria considerado quando publicou o seu estudo intitulado A Origem das Espécies, há 150 anos. Cada nova descoberta tem relegado esse progenitor para um passado mais longínquo, calculando agora os cientistas que ele teria existido há mais de 6 milhões de anos. Pelas descobertas que se têm sucedido, provavelmente mais.

Chimpazé no Jardim Zoológico de Tama, em Tokyo.


Ainda segundo os cientistas, a relativamente enorme evolução verificada nos humanos também aconteceu paralelamente aos chimpanzés e aos gorilas, em ambos os casos desde que os seus ramos se dividiram. Daí o ter-se desistido da falsa assunção de que estes últimos seriam mais parecidos com o predecessor comum do que os humanos. Efectivamente, porque deveriam uns ter evoluído tanto e ou outros tão pouco? Era um erro de apreciação.

Estes 11 documentos por uma equipa de internacional de cientistas agora publicados (2-10-09) «contêm uma enorme quantidade de dados colectados e analisados num esforço superior de investigação internacional».


A edição de 2 de Outubro de 2009 do jornal Science, da American Association for the Advancement of Science (AAAS), distribuida pela Reuters em 2-10-2009.


O artigo da Science na Web (1-10-09) cita várias vezes a teoria de Darwin sem nunca a desmentir, mas corroborando a sua estimação em que «apreciava que a evolução das linhagens dos grandes macacos e as linhagens dos humanos se tinham processado independentemente desde o tempo em que essas linhas se separaram», relegando-a apenas no tempo. «Darwin foi muito prudente nesta matéria.»

Que nos contaram os nossos sapientes doutores em mentiras e aldrabices, especializados na fabricação de notícias e outras desinformações? No dia seguinte ao da publicação dos documentos, ouvimo-los claramente afirmar nos noticiários que «Por enquanto, as provas que existem afastam-se cada vez mais das teorias de Darwin ... Põe um ponto final a anos de especulação sobre a forma como decorreu a evolução humana … Nesta remota região de África, os cientistas descobriram as nossas raízes que são afinal muito diferentes». Este trecho da gravação do noticiário encontra-se entre os  5m 22s  e os  7m 49s.

Mais uma vez aqui se repete:


  • Que confiança merecem estes animais iletrados, sem instrução nem profissionalismo, mas pedantes e arrogantes a mais não poder ser?
  • Que confiança profissional merece esta escória profissional que inventa e modifica as informações, que fabrica notícias?
  • Que confiança nos merece este bando de emproados que nos tem escondido e esconde tantos acontecimentos que deveriam ser noticiados (um exemplo entre tantos)?
  • Onde estão os verdadeiros jornalistas, dignos desse nome que conhecemos outrora e que têm lenta e progressivamente desaparecido até atingirmos o ponto crítico actual?
  • Porquê hoje tão poucas as excepções na qualidade do jornalismo quando antes era a regra?

Fotografias da National Geographic Society e do Yahoo! News.

Este e outros artigos também publicados nos blogs do autor (1 e 2).


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A FALÊNCIA DO SISTEMA

O constante elevado abstencionismo, verificado em consecutivas eleições, começa a acentuar uma dúvida imperativa: será que estará em causa a legitimidade democrática representativa?

Caso a abstenção se mantenha teimosamente neste patamar (40%) ou venha a subir até níveis mais elevados (60, 70, 80%) em próximos actos eleitorais, como deverá ser entendida a mesma? Uma falência do sistema político vigente? E qual a marca que obrigará definitivamente a assumir-se o facto como tal e a necessidade de procurar formas alternativas a este sistema político podre de corrupção, oportunismo e chupismo, em que os cidadãos cada vez mais descrentes manifestam o seu descontentamento recusando-se sistematicamente em votar?

É altura de se começar a pensar seriamente no assunto e estudar formas práticas e alternativas ao sistema vigente. Uma delas seria a democracia directa, que traria inúmeras vantagens em comparação com a democracia parlamentar. De uma coisa livrar-nos-íamos certamente: de políticos que utilizam o “mandato” que o Povo lhes atribui, segundo eles legitimamente, para fazerem negociatas, alimentarem lóbis e compadrios e “governarem” a seu belo prazer os destinos de quem apenas se lhe pede para depositar o voto numa urna de 4 em 4 anos e nada mais.

sábado, 26 de setembro de 2009

Um Voto Mais Democrático

Não, se é mais democrático não pode ser em Portugal. Por vários motivos, dos quais os principais são os mencionados nos dois parágrafos seguintes.

As pessoas não têm cultura democrática. Desde que voltaram a poder votar em quem quisessem julgaram logo que já sabiam tudo e que sempre o souberam, mas só não o puderam fazer. Que obtiveram imediatamente a mesma prática dos que cresceram em famílias de gerações democráticas.

Por mais que o afirmem, a constituição não é democrática, pois que os governos formados em consequência das eleições não representam os resultados dos escrutínios. Portanto, também não representam a vontade dos eleitores. Basta uma simples conta para nos apercebermos da diferença da democracia entre os países mais democráticos e a nossa pseudo-democracia. Nesses países, os governos são compostos pelos eleitos de todos os partidos na sua proporção se segundo as regras, como no parlamento nacional. Cá, como o partido que forma governo é geralmente eleito com aproximadamente 40% dos votos, os restantes cerca de 60% vão directamente para o lixo. No caso do governo se coligar pode fazê-lo com quem quiser e não com os que acumularam mais votos. É isto a pseudo-democracia portuguesa. Os governos representam apenas uma minoria dos eleitores (cerca de 40%), ou seja, são formados contra a vontade duma maioria de eleitores de cerca de 60%. Não representam os eleitores, não têm representação nacional. É uma constatação real e irrefutável duma palhaçada que alcunham de democracia representativa. Afirmação que, logicamente, só pode ter por trás os interesses obscuros anti-democráticos.

Na altura destas eleições, o voto útil, não para a cambada oligárquica mas para nós, só pode ser num pequeno partido e continuar assim a fazê-lo no futuro. Existe um número suficiente para praticamente todos os gostos, tanto à esquerda como à direita. Uma democracia não pode ser polarizada, nem entregar os destinos sempre aos mesmos, nem deixar uma parte dos interesses individuais e nacionais da população sem representação. A distribuição dos votos é uma das condições para a existência duma democracia. A julgar pelos resultados, o exemplo dos EUA é de longe a evitar. As maiorias governamentais e parlamentares são a evitar e aproximam qualquer regime duma ditadura arrogante.

O controlo dos políticos deve ser processado pelos eleitores, pela população e não por eles mesmos, o que é ridículo e desastroso, como se conhece por experiência. Contribui eficientemente para evitar o compadrio e a corrupção. Previne que os actos dos políticos sejam contra os desejos da população.

Um voto mais democrático, como refere o título do presente artigo é também aquele em uso na Alemanha e lá usado nas eleições deste domingo. O método está explicado num blog vizinho, onde se pode ler a descrição. Cá seria inconcebível, pois que isso limitaria a liberdade dos partidos para substituírem os votados pelos seus barões e diminuiria o tráfico de interesses ilícitos e obscuros.

Como de costume, raros são os que conhecem factos semelhantes de inegável interesse geral. Como de costume também, a culpa não recai apenas na corrupção mafiosa da oligarquias políticas que o oculta por interesse próprio, contra o interesse da população: é por elas partilhada com a jornaleirada que, na realidade, de nada serve senão para nos desinformar e fazer scoops diários, frequentemente sobre falsidades, como os da gripe A, há meses provado ser de longe mais benigna que a gripe comum sazonal. Aqui, também, os políticos não perdem a ocasião para se aproveitam para tirarem partido da desorientação provocada pelas historietas aldrabadas pela jornaleirada.

A não esquecer. Qualquer que seja o governo, impõe-se um referendo para a construção de linhas de comboio a alta velocidade e para qualquer reforma dos sistemas de Segurança Social e de Saúde. Para fazer progredir o país torna-se indispensável uma reforma da Administração do Estado, expulsando dela todos os parasitas. Tanto os militantes dos partidos que se apoderam dela e a paralisam pela sua incompetência, como os próprios funcionários que se constituíram num bando de calões incompetentes, actualmente incapazes te tratarem de qualquer assunto sem que cometam uma enchurrada de erros. Idem com os magistrados e juízes. As interferências dos políticos não podem desculpá-los pela sua arrogante incapacidade, não se misturem.

Este e outros artigos também publicados nos blogs do autor (1 e 2).