sábado, 17 de janeiro de 2009

18 DE JANEIRO DE 1934

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Não tem qualquer sentido reconduzir o 18 de Janeiro à Marinha Grande. Fica mais do que demonstrado que a versão oficial (interesseira, por natureza) e a versão do Partido Comunista (também obviamente interesseira) ao prestarem destaque quase único à Marinha Grande, aos vidreiros e à liderança comunista não logram comprovativo na realidade dos factos.
Ganha sentido, sim, «recolocar» o 18 de Janeiro na sua dimensão histórica exacta: um movimento operário insurreccional, que visava a reconquista das liberdades sindicais, a par do derrube do regime do Estado Novo.
Neste contexto, a Marinha Grande é um episódio «mediático» (assim o diríamos na linguagem corrente), porque envolve uma ocupação da vila pelos revoltosos ainda que de duração muito curta , o assalto aos correios e a rendição da GNR. Sobretudo esta é, de facto, paradigmática. Mas não há greve, não houve «soviete» nem içar de bandeira vermelha nos Paços do Concelho.
O episódio da Marinha Grande é, por outro lado, reposto quanto à autoria do seu comando: se é verdade que a CIS e o PC têm peso significativo na direcção do Sindicato Nacional dos Vidreiros, não é menos verdade que se comprova a participação empenhada da CGT e de trabalhadores de outras correntes político-sindicais.
Fica igualmente comprovado que o movimento operário insurreccional, de que expressões concretas vão ter lugar para além da Marinha Grande, se gera e desenvolve com o concurso das duas principais correntes sindicais a anarquista e a comunista e com o envolvimento dos sindicalistas socialistas ( a Federação das Associações Operárias) e da corrente sindicalista autónoma (COSA — Comité das Organizações Sindicais Autónomas).
Fátima Patriarca descreve bem os entendimentos e desentendimentos surgidos entre estas várias correntes e clarifica melhor o seu peso respectivo. É indubitável que a CGT e a corrente sindical anarquista tiveram, neste processo, uma influência marcante. Isto não elimina o papel dos comunistas que não pode ser esquecido ou menorizado , mas repõe a verdade essencial: e essa é a do contributo das várias tendências sindicais (anarquista, comunista, socialista e a dos autónomos), segundo os factos que conseguiu demonstrar. Não me parece que seja muito importante, hoje, «contar espingardas», ou seja, procurar apurar se os anarquistas foram mais decisivos do que os comunistas, ou se os socialistas ou os autónomos não tiveram significado relevante. Houve uma convergência de esforços, emergiu uma implicação de todos mesmo que não tenha ocorrido uma unidade estratégica, organizativa, táctica, como parece evidente pela comprovação dos desencontros, pelas falhas de articulação, pelas recriminações que, «antes e depois», choveram de uma banda e de outra, em recíprocas acusações.
Neste contexto, importaria retirar a conclusão de que o «18 de Janeiro» merece ser comemorado, doravante, não apenas na Marinha Grande, como tem sido tradicional, mas também em Silves, em Sines, em Almada, no Barreiro, zonas onde a «história que se fez» deixou na tumba as ocorrências essas, sim, muito significativas do que ali se passou; mas onde a «história que hoje rompe novos véus» já permite, sem margem para dúvidas, reconhecer que o «18 de Janeiro» é ali que conquista contornos historicamente mais iluminantes. Em suma, Silves, Sines, Almada, Barreiro e outras localidades, precisam de ser «transladadas» da campa rasa em que as colocaram para o «panteão» do verdadeiro «18 de Janeiro».
# ferroadas
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

PIERRE-JOSEPH PROUDHON - 200 ANOS


Comemoram-se hoje os 200 anos do nascimento de um homem revolucionário e ímpar, que pautou a sua vida por um objectivo altamente digno e meritório: tornar a humanidade mais justa e solidária.

Pierre-Joseph Proudhon, considerado o pai do anarquismo, ou pelo menos o primeiro a assumir-se literalmente como um anarquista convicto, nasceu a 15 de Janeiro de 1809, em Bensançon, França e morreu em 19 de Janeiro de 1865, em Paris. Filho de uma família muito pobre, foi pastor enquanto criança, tendo posteriormente trabalhado numa tipografia onde entrou em contacto com liberais e socialistas utópicos, correntes que marcavam a política da sua época. Foi ao tempo que conheceu Charles Fourrier que viria a influenciar decisivamente as suas ideias.

Em 1838, já depois de ter saído da faculdade, publicaria aquela que é considerada a sua obra mais emblemática: “O que é a propiedade?”. Nela Proudhon critica a propriedade privada, argumentando que a exploração da força de trabalho de um semelhante era um roubo e que cada pessoa deveria gerir os meios de produção de que se utilizasse.

Em 1842 lançou algumas teses em Avertissement aux propriétaires (Advertência aos proprietários) e foi processado. No entanto acabou por ser absolvido, pois os juízes declararam-se incompetentes para julgá-lo. Depois disso foi para Lyon, onde se empregou no comércio. Nesse período entrou em contato com uma sociedade secreta que defendia uma doutrina segundo a qual uma associação de trabalhadores da nascente indústria deveria administrar os meios de produção. Com isso esperavam transformar as estruturas sociais, não pela atracção económica mas pela revolução violenta.

Em Paris, Proudhon conheceu Karl Marx e outros revolucionários, como Mikhail Bakunin.

Em 1846 escreveu Système des contradictions économiques, ou philosophie de la misère (Sistemas de contradições económicas ou filosofia da miséria), onde criticou o autoritarismo comunista e defendeu um estado descentralizado. Marx, que admirava Proudhon, leu a obra, não gostou, e respondeu a Proudhon em 1847 com Misère de la philosophie (Miséria da filosofia), decretando o rompimento de relações entre ambos.
Proudhon participou na Revolução de 1848 em Paris. Entre 1849 e 1852 ficou preso por causa das suas críticas a Napoleão III. Em 1851 escreveu Idée générale de la révolution au XIX siècle (”Ideia geral de revolução no século XIX”), que colocava a visão de uma sociedade federalista de âmbito mundial, sem um governo central, mas baseada em comunas autogeridas.

Depois de publicar, em 1858, De la justice dans la révolution et dans l’église (”A justiça na revolução e na igreja”), obra totalmente anticlerical, passou a viver sob vigilância da polícia, o que o levou a exilar-se em Bruxelas. Em 1864 voltou a Paris e publicou Du Principe fédératif (”Do princípio federativo”), uma síntese das suas concepções políticas.

As ideias de Proudhon espalharam-se por toda a Europa, influenciando organizações de trabalhadores e os mais fortes movimentos sindicais que se manifestaram na Rússia, Itália, Espanha e França.

[…]“O anarquista imagina uma sociedade na qual as relações mútuas seriam regidas não por leis ou por autoridades auto-impostas ou eleitas, mas por mútua concordância de todos os seus interesses e pela soma de usos e costumes sociais - não mobilizados por leis, pela rotina ou por supertições - mas em contínuo desenvolvimento, sofrendo reajustes para que pudessem satisfazer as exigências sempre crescentes de uma vida livre, estimulada pelos progressos da ciência, por novos inventos e pela evolução ininterrupta de ideias cada vez mais elevados. Não haveria, portanto, autoridades para governá-la. Nenhum homem governaria outro homem[...] - Proudhon

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

«Educação ou Armadilha Pedagógica?» - um livro a ler

Imagem KAOS

“Escrevo este livro para alarmar os pais,

para que eles salvem os seus filhos (…)

A pedagogia moderna apenas serve para justificar

o abandono das ambições que tínhamos para os nossos filhos.

Temos, perante nós, uma verdadeira catástrofe cultural.”

Marc Le Bris

( Et vos enfants ne sauront pás lire… ni compter,

Editions Stock, Abril 2004)


«Por mais forasteiro que seja às questões educativas, suponho que nenhum dos meus imaginários leitores entenderá como é que, em plena era de pontiagudo conhecimento científico, de refutação de alicerçados saberes das ciências exactas, de demonstração quotidiana da efemeridade das teorias – é possível uma sociedade inteira seguir, em benevolente acatamento, em integral dogmatismo, em completa renúncia a qualquer exame crítico, as mais utópicas especulações teóricas de ciências não exactas. Como explicar que ninguém exerça, relativamente a elas, ao menos uns relentos da velha dúvida metódica, ditame impreterível de qualquer ciência? Como explicar que nos acorcovemos todos a uma inexplicável intangível autoridade científica dessas mesmas Ciências?

Reitero, para que fique bem claro aos olhos do meu improvável leitor, que não afirmo, de todo, a necessidade do retorno a um sistema educativo da mesma natureza do que foi experimentado pela minha geração. O que afirmo é que considero um dever de elementar patriotismo que acordemos os cidadãos para esta absurda contumácia em que perseveramos. Que é um dever de cidadania recusarmo-nos assistir à transformação do país no reino, por excelência, do mais funcional iletrismo e da mais arrevesada incultura básica geral. Que é um dever de cidadania recusarmos ver a Escola e os professores reduzidos ao exercício cego de práticas absurdas e à condição de bodes expiatórios das mais primitivas frustrações individuais e colectivas da administração, dos pais, dos alunos, da sociedade… Que é um dever de cidadania recusarmos ver o país sustentar opções de estrutura e enquadramento que ensarilham a Escola numa tremenda confusão quanto à natureza das suas tarefas. Que é um dever de cidadania denunciarmos o gigantesco desperdício em simulacros de formações, de cursos e de diplomas que não preparam para o exercício competente das mais básicas funções. Que é, em suma, um dever de cidadania pedirmos que arrepie caminho um Sistema que nos obriga ao abandono das ambições que temos para os nossos filhos e, visivelmente, ao bloqueio das ambições que temos para o nosso país.

Por entre indefinições, amálgamas e embaraços, a missão da Escola é, cada vez mais, impossível. Os docentes estão no limiar da sua resistência psicológica. E as tremendas tensões geradas no interior do Sistema não tardarão em provocar a sua implosão.

Dizia mestre Camilo: “É permitido aos versistas poetarem em prosa; mas as liberdades poéticas não ajustam bem nos debates circunspectos da res pública” (in A Queda de Um Anjo, cap IX)

Deixemo-nos, pois, de “poetar”: assentemos os pés em terra! Façamos algo! Tornemo-nos a Escola possível! Devolvamos-lhe a sua função, a sua autoridade e a sua dignidade!»


“Conclusão” in Educação ou Armadilha Pedagógica?, Manuel Madaleno, Papiro Editora, 2006


Esta é a conclusão tirada por Manuel Madaleno ao diagnóstico que se faz da Escola Pública portuguesa, o qual vai sendo traçado nas suas várias vertentes ao longo dos capítulos do livro, cuja leitura aconselho. Podemos não estar de acordo com tudo o que é dito mas não há dúvida que o autor põe o dedo nas feridas onde mais dói ao actual sistema educativo e ao modo como funcionam os Agrupamentos no interior de um Sistema altamente falacioso.


#Kaótica

domingo, 11 de janeiro de 2009

A DESOBEDIÊNCIA CIVIL

Gandhi durante a famosa "Marcha do sal"


O melhor governo é o que governa menos” – aceito entusiasticamente esta divisa e gostaria de vê-la posta em prática de modo mais rápido e sistemático. Uma vez alcançada, ela finalmente equivale a esta outra, em que também acredito: “O melhor governo é o que absolutamente não
governa”, e quando os homens estiverem preparados para ele, será o tipo de governo que terão. Na melhor das hipóteses, o governo não é mais do que uma conveniência, embora a maior parte deles seja, normalmente, inconveniente – e, por vezes, todos os governos o são. As objecções levantadas contra a existência de um exército permanente – e elas são muitas e fortes e merecem prevalecer – podem afinal ser levantadas também contra a existência de um governo permanente. O governo em
si, que é apenas a maneira escolhida pelo povo para executar sua vontade, está igualmente sujeito ao abuso e à perversão antes que o povo possa agir por meio dele.

Afinal, a razão prática pela qual se permite que uma maioria governe,e continue a fazê-lo por um longo tempo, quando o poder finalmente se coloca nas mãos do povo, não é a de que esta maioria esteja provavelmente mais certa, nem a de que isto pareça mais justo para a minoria, mas sim a de que a maioria é fisicamente mais forte. Mas um governo no qual a maioria decida em todos os casos não se pode basear na justiça, nem mesmo na justiça tal qual os homens a entendem. Não poderá existir um governo em que a consciência, e não a maioria, decida virtualmente o que é certo e o que é errado? Um governo em que as maiorias decidam apenas aquelas questões às quais se apliquem as regras de conveniência? Deve o cidadão, sequer por um momento, ou minimamente, renunciar à sua consciência em favor do legislador? Então porque é que todo homem tem uma consciência? Penso que devemos ser homens, em primeiro lugar, e depois súbditos. Não é desejável cultivar pela lei o mesmo respeito que cultivamos pelo direito. A única obrigação que tenho o direito de assumir é a de fazer em qualquer altura aquilo que considero correcto. É com razão que se diz que uma corporação não tem consciência, mas uma corporação de homens conscientes é uma corporação com consciência. A lei jamais tornou os homens mais justos, e, por meio do seu respeito por ela, mesmo os mais bem-intencionados transformam-se diariamente em agentes da injustiça.
Um resultado comum e natural do indevido respeito pela lei é que se pode ver uma fila de soldados – coronel, capitão, cabo, soldados rasos, etc – marchando em direcção à guerra em ordem admirável através de montes e vales, contra as suas vontades, ah!, contra as suas consciências e o seu bom senso, o que torna essa marcha bastante difícil, na verdade, e produz uma palpitação no coração. Eles não têm duvida nenhuma de que estão envolvidos numa actividade condenável, pois todos têm inclinações
pacíficas. Então, o que são eles? Homens ou pequenos fortes paióis a serviço de algum homem inescrupuloso no poder?

A grande maioria dos homens serve o Estado desse modo, não como homens propriamente, mas como máquinas, com os seus corpos. São o exército permanente, as milícias, os carcereiros, os polícias, os membros das autoridades, etc. Na maioria dos casos não há um livre exercício seja do discernimento ou do senso moral, eles simplesmente se colocam ao nível da árvore, da terra e das pedras. E talvez se possa, fabricar homens de madeira que sirvam igualmente tal propósito. Tais homens não merecem respeito maior do que um espantalho ou um monte de lama. O valor que possuem é o mesmo dos cavalos e dos cães. No entanto, alguns deles são até considerados bons cidadãos. Outros – como a maioria dos legisladores, políticos, advogados, ministros e funcionários públicos – servem o Estado principalmente com o seu intelecto, e, como raramente fazem qualquer distinção moral, estão igualmente propensos a servir tanto o diabo, sem intenção de fazê-lo, quanto Deus. Uns poucos – como os heróis, os patriotas, os mártires, os reformadores no melhor sentido e os homens – servem o Estado também com a sua consciência, e assim necessariamente resistem a ele, na sua maioria, e são comumente tratados como inimigos. Um homem sábio só será útil como homem e não se sujeitará ao papel de “barro” para “tapar” um buraco que impeça o vento de entrar, mas deixará esta tarefa, ao menos, para as suas cinzas:
“Sou nobre demais para ser posse, ser um subalterno no comando, ou mesmo servo e instrumento útil, a qualquer Estado soberano deste mundo.”

(Excertos da obra de Henry David Thoreau)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A Personificação do Mal

Desde antes da sua fundação, Israel já era um país terrorista que colocava bombas por todo o lado e tudo destruía. Todavia, alcunham agora de terroristas àqueles que lutam pela sua liberdade e direitos fundamentais que eles próprios negam, escravizam, a quem roubam as terras, colonizam e mantêm em campos de concentração. Quem tiver memória que se recorde. Quem não a tiver que se instrua em lugar de acreditar em meios de comunicação dominados por sionistas e seus simpatizantes.

Os noticiários das mortes do actual genocídio dos que lutam pela sua liberdade, direitos humanos, contra o colonialismo, campos de concentração, etc., dizem-nos que 25% dos mortos são civis, mas encobrem que cerca de 20% de entre eles são crianças. Os criminosos stão actualmente a matar com bombas de tungsténio, que não são tão inofensivas como as de napalm. Afinal, a «solução final» não foi suficientemente final. A solução actual seria a de proceder a uma autêntica limpeza (no sentido literal do termo) com tungsténio, como eles mesmos fazem, ou com napalm. Limpar o mundo do terror dos malditos.

O que se segue é um artigo de Georges Bourdoukan, escritor e jornalista brasileiro. No Brasil os blogs não parecem estar tão acobardados como os portugueses.


Que venham as câmaras de gás e os crematórios
O que a mídia esconde sobre a trégua.

Ela duraria seis meses. E nesse meio tempo tanto o Hamas quanto Israel honrariam o compromisso.

E o que aconteceu?

O Hamas honrou o compromisso apesar das inúmeras invasões das tropas de Israel para assassinar os “líderes” daquela organização palestina.

Todos esses assassinatos ocorreram com o beneplácito da mídia, que em nenhum momento se preocupou em alertar a opinião pública sobre os crimes praticados e o conseqüente rompimento da trégua.

Os dirigentes israelenses entenderam isso como uma carta branca para agir a seu bel prazer.

Nenhum dirigente europeu protestou contra esse rompimento da trégua por Israel. E o delinqüente Bush não só não protestou como sempre apoiou tais assassinatos.

É evidente que os dirigentes do Hamas perceberam que não podiam ficar de braços cruzados.
Precisavam responder para alertar a humanidade. E qual foi a reação do Ocidente?

Acusar os dirigentes do Hamas de terrorismo. É importante ressaltar que os dirigentes do Hamas jamais invadiram Israel, apesar das tropas israelenses fazerem de Gaza o seu campo de teste de novas armas.

E Israel não se contentou em assassinar palestinos. Precisava matá-los de fome e sede.

Sempre com o silêncio do Ocidente.

Só para se ter uma idéia da situação em Gaza. Israel cercou toda a região e confinou um milhão e meio de palestinos no maior campo de concentração de que se tem notícia.

E mais: proibiu a entrada de víveres, água, cortou a energia elétrica, destruiu hospitais, proibiu a entrada de medicamentos.

Tudo isso durante a trégua...

E ainda: Os palestinos não podiam receber qualquer tipo de ajuda humanitária.

Aos palestinos restaram duas alternativas: morrer à míngua ou defendendo-se.

Eles morrerão às centenas e milhares.

Serão massacrados.

E como todo palestino assassinado pelos israelenses, seja ele criança, mulher ou idoso, é considerado liderança, aos israelenses só restará aplicar a solução final.

Fornos crematórios e câmaras de gás.

Até quando?


A história da malvadez deste povo é demasiado longa para caber num post. Para alguns pormenores, hoje desconhecidos por uma grande maioria, veja-se aqui.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

15 anos do levantamento zapatista



Faz agora 15 anos que no estado de Chiapas, no sul do México, o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) deu início ao seu levantamento armado, exactamente a 1 de Janeiro de 1994, o mesmo dia em que entrou em vigor o Tratado de Livre Comércio da América do Norte, o TLCAN ou NAFTA.

Nesse dia, a guerrilha que leva o nome do camponês e revolucionário Emiliano Zapata que liderou o Ejército Libertador del Sur na revolução mexicana do início do século XX, tomou a cidade de San Cristóbal de las Casas e mais sete capitais de município. Os combates não duraram muito e em alguns dias o EZLN viu-se obrigado a retirar para a floresta.

A insurreição zapatista é de composição maioritariamente indígena e reclama direitos e justiça para os indígenas e para os pobres. A sua orientação política e a sua actuação aproxima os zapatistas de outros movimentos como os sem-terra no Brasil ou os piqueteros argentinos, os cocaleros bolivianos, o movimento antiglobalização na Europa e EUA ou o Abahlali baseMjondolo na África do Sul. A sua particularidade está na declaração que não pretende tomar o poder, uma característica libertária que deu origem a discussões intensas à esquerda com o seu ponto mais marcante na polémica em torno do livro do sociólogo e filósofo John Holloway de orientação marxista “Mudar o Mundo sem Tomar o Poder” que tem a insurreição zapatista como referência.

Na comemoração destes 15 anos ouve-se a voz do comandante zapatista David, no Caracol de Oventik, Chiapas:

“En quince años que nos han venido golpeando, hemos aprendido a resistir y a sobrevivir. Los pueblos originarios de estas tierras vamos a seguir adelante con la lucha que hemos iniciado, seguiremos adelante con dignidad y rebeldía los golpes del mal gobierno”

“el mal gobierno durante quince años ha formado, financiado y entrenado grupos paramilitares en todos los pueblos indígenas, para amenazar, provocar y dividir a nuestros pueblos”

EM MEMÓRIA DE GONÇALVES CORREIA



Numa recente conversa natalícia em família - daquelas que acabam por versar invariavelmente sobre política - veio à baila uma historieta remota que o meu sogro, alentejano dos sete costados e comunista dos oito costados, resolveu desenterrar do baú das memórias dos anos malditos do profundo Alentejo.

A história, surgida entre a segunda e a terceira garrafa de “Terras do Pó” tinto, recuperava a mítica figura de Gonçalves Correia, anarquista convicto e, segundo consta, o primeiro a pôr em funcionamento uma verdadeira comuna em Portugal, nos idos anos de 1917/1918, no Vale de Santiago.

Relatava o meu sogro, comovido, a lembrança que tinha do homem de barbas e cabelos brancos compridos que, como caixeiro-viajante que era de profissão e vegetariano de opção, regularmente irrompia pelo modesto café que os seus pais possuíam na aldeia de Alqueva requisitando prontamente com ternura o seu manjar predilecto: “D. Maria, arranje-me aí uma açorda de alho com um ovo!”.

Entre mais uma garfada e um golo, continuava o meu sogro recordando com imenso afecto o homem que, de forma não intencional, o tinha influenciado no seu percurso de vida, mostrando-lhe através das suas acções tão bondosas e desinteressadas que existe lugar para a solidariedade, a tolerância e o respeito pelas pessoas e pelo ambiente no mundo em que vivemos e, por conseguinte, lugar para uma sociedade mais justa.

Com as lágrimas a humedecerem-lhe as órbitas, as lembranças pendiam agora para as noites cerradas em que Gonçalves Correia humildemente pedia para passar para a parte traseira do café, onde existia um rádio que surrateiramente era sintonizado na Rádio Moscovo e que o mesmo, mais experiente na matéria, ensinara a “camuflar”, colocando um copo de água no topo, impedindo assim, segundo rezam as crónicas, a captação das ondas curtas pela GNR.

Agora, e já com as gotas a desprenderem-se dos seus olhos e a querem pender sobre o bacalhau com batatas, veio à baila uma outra história, das muitas que pareciam brotar a cada instante dos confins da sua memória de decano, tratava-se de António Romão (sogro do meu sogro, ou seja pai da minha sogra) que sendo estafeta na aldeia - possuía uma carroça que transportava mercadorias e pessoas de e para Moura -, certa vez ao fazer um frete de Moura para o Alqueva em que trazia a carroça carregada de bens e apinhada de aldeões, Gonçalves Correia que também apanhara boleia, após a passagem do rio Guadiana na barca que fazia a ligação das margens, se apeou e fez todo o percurso restante a pé para aliviar o macho do sofrimento de puxar tanto peso durante tanto tempo.

Outras histórias houve, de um rol que parecia infindável e que acabaram por tornar o bacalhau do meu sogro ainda mais salgado devido ao infrutífero esforço de contenção das lágrimas, como aquela em que Gonçalves Correia, na praça de Moura, comprava gaiolas de pássaros, para depois os soltar aos vivas à liberdade perante o ar de espanto dos transeuntes.

Assim, por longo tempo e à medida que novas memórias iam surgindo, se foi recordando uma figura cada vez mais admirada por todos os convivas, que naquela noite natalícia comemoraram não só um, mas dois homens justos e solidários.

E porque homens assim não abundam, e porque de memórias e da História também se faz o futuro, dignei-me a fazer uma procura na internet sobre tão carismática figura, tendo encontrado pouca coisa sobre Gonçalves Correia. No entanto, daquilo que consegui encontrar, apraz-me referir que a sua memória continua a ser preservada por um blog de nome “Centro de Cultura Anarquista Gonçalves Correia” do qual retiro, com a devida vénia, a biografia que nele consta:

“António Gonçalves Correia (1886 – 1967) responde por si só às razões de ser deste novo projecto libertário no Alentejo. Tomar-lhe o nome para um Centro de Cultura Anarquista dinamizado a partir de Aljustrel, reclama a sua herança e recorda a urgência dos apelos de que fazia eco desde há um século para cá, enquanto percorria como caixeiro viajante as vilas do Baixo Alentejo. Não o chegamos a conhecer. Mas a sua força surpreendeu-nos enquanto a memória anarquista mais viva (e calorosa) que viemos a encontrar à nossa volta em diversas gerações que lhe tomaram o pulso. Julgo que hoje recordam, para lá da sua proeminente figura viva de revolucionário, essa força, essa dignidade humanista e anti autoritária, que lhe emanava na difusão do ideal anarquista. Quando uma nova geração, neste novo século, trava de novo encontro com Gonçalves Correia numa nova aventura anarquista, sabemos em diante de que o seu nome não figurará apenas nas estantes académicas a ganhar pó.A vida de Gonçalves Correia cruza-se na primeira metade do século XX com o emancipar das ideias anarquista, com as lutas anarco-sindicalistas das minas de Aljustrel, São Domingos ou Lousal, com as lutas dos camponeses do Alto ao Baixo Alentejo e com os vários grupos e jornais anarquistas de Portalegre e Évora, a Odemira ou Cercal do Alentejo, etc. Colaborador de vários jornais como A Batalha, A Aurora, O Rebelde, em 1916 funda o semanário A Questão Social na vila de Cuba. Um ano depois publica o opúsculo Estreia de um crente, tendo ainda vindo a publicar outra obra A Felicidade de todos os Seres na Sociedade Futura (1ª ed.1923).Sobre os princípios de vida de Gonçalves Correia, a sua biografia chama a atenção para que quem hoje olhe para os «tópicos da cultura libertária de há 100 anos, não deixará de se surpreender com a actualidade de muitas das propostas. Com efeito, grande número dos princípios que enformam a nossa modernidade – a liberdade, a emancipação da mulher, a defesa do amor livre, a ecologia, o respeito pelos animais, o naturismo, certos estilos alternativos de vida – mergulham as suas raízes na velha moral anarquista».Gonçalves Correia, vegetariano e tolstoiano, preconizou, como refere J.M. Carvalho Ferreira, um tipo de anarquismo naturista e pacifista, numa época em que predominavam as teorias e as práticas do anarco-comunismo e do anarco-sindicalismo. Hoje, certamente bem mais do que o seu posicionamento essencialmente moral, alicerçado na transformação do indivíduo através da bondade e da fraternidade, a vivência deste natural de São Marcos da Atabueira (Castro Verde) é para nós de grande actualidade ao firmar essencialmente dois aspectos principais. Por um lado a afirmação e o alcance da acção individual e dos compromissos que lhe cabem por inteiro à margem dos rebanhos e das massas políticas e amestrados; e por fim a urgência em observar as lutas sociais em estreita relação com as questões do nosso planeta, como um todo. Este último aspecto “ambiental” tornou-se assim tão-somente referido num lugar comum, mas a verdade é que em Gonçalves Correia a desconstrução desse discurso de hoje tão politicamente correcto, emergia e aprofundava-se já no discurso anarquista dos inícios do séc. XX em Portugal e é hoje o discurso da primeira linha dos anarquistas do séc. XXI perante o avanço avassalador da Máquina sobre a vida humana, animal e do planeta terra.Nesse sentido o seu testemunho mais rico, do qual cada vez mais opções e projectos entre a serra e a planície alentejana parecem hoje herdar, residiu nos projectos comunitários da Comuna da Luz, em Vale de Santiago, entre 1917 e 1918, e a Comuna Clarão, em Albarraque, já nos finais da década de vinte e inícios de trinta do século XX. O pôr em prática a utopia, os princípios e práticas do anarco-naturismo, não se abstraindo da ligação destas comunas às populações em redor, surpreende o próprio: «Mas será isto verdade? Não estarei eu sonhando? Será verdade que este pedaço de terreno sagrado, que o dinheiro da solidariedade humana resgatou, pertence de hoje em diante a um grupo de homens que são irmãos, a umas dúzias de indivíduos que querem ser livres na Terra Livre, a um punhado de seres que detestam a vida irracional das grandes cidades? Será verdade que morreu aqui a árvore maldita da propriedade privada? Será verdade que estes 3 quilómetros benditos vão ser explorados em benefício comum? Será verdade que aqui vai ser a divina cidade da Luz e que além, daqui a 3 mil e tal metros, é a terra das trevas, o sítio do vício, a estrada do crime?».Reprimida policialmente após a revolta dos trabalhadores rurais do Vale de Santiago durante a crise de 1918, no alargado surto grevista dos trabalhadores rurais alentejanos, a comunidade foi desmantelada e o próprio Gonçalves Correia preso. Mal sai da prisão reacende a chama na Comuna Clarão em Albarraque, prosseguindo um ideal de vida alternativo, albergando depois de 1926 e até à sua dissolução, a resistência e os perseguidos da ditadura.Por fim, por outros caminhos prosseguirá António Gonçalves Correia, para ainda hoje ser recordado como o homem que comprava pássaros para depois os soltar na praça pública, no meio de vivas à Liberdade.”

In “Centro de Cultura Anarquista Gonçalves Correia

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

80% dos israelitas concordam com a operação de chacina



Será isto o resultado de mera manipulação da opinião pública, ou aceitação de facto da legitimidade de acabar por qualquer meio necessário com o “lado contrário”? O que nos diz esta aceitação alargada da chacina sobre a nossa própria condição de espectadores quase sempre não actuantes, não interventivos, do que se passa no mundo?

É um facto pacífico que doses mais ou menos elevadas de manipulação da opinião pública são levadas a cabo na defesa de interesses particulares alheios à pessoa comum. Em altura de guerra isso é, inclusive, assumido publicamente. Mas essa manipulação está longe de ser hegemónica. A diversidade de informação a que a internet, por exemplo, permite aceder é sinal disso mesmo. O que será hegemónica é a aceitação da ideologia militarista e terrorista, ou a complacência perante ela, o que tem raízes mais profundas que a mera desinformação prestada pelos meios de comunicação social e pelos governos.

Os 80% por cento de apoiantes israelitas do massacre de civis - e todos os outros por esse mundo fora com as diversas direitas à cabeça - não são simplórios facilmente manipuláveis, vítimas dos lóbis, da fabricação forçada do consenso, controlados por títeres invisíveis. Esta infantilização dos indivíduos e das opções por eles tomadas não é aceitável e prejudica a luta contra a própria manipulação. Não é apenas o governo e o exército (qualquer governo e qualquer exército) que levam a cabo estas acções, são também todos aqueles que os apoiam e lhes dão força.

Fotos de Guardian

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

POR UM GOVERNO POPULAR


Hoje, a “luta” política na democracia burguesa, trava-se nos gabinetes mofentos dos palacetes fim de século, em salões onde a burguesia de antanho organizava festas carregadas de álcool e ópio que desembocavam quase sempre em fartas orgias ou, mais grave, são as “ordens” de todo o tipo (religiosas, mafiosas, maçónicas, etc.) que tendo no seu seio a maioria da classe política actual, são estes que “delineiam” a agenda política que traçam as orientações e que definem os parâmetros a seguir. No fundo são meia dúzia de “iluminados” que com a “legitimidade” do voto, fazem o que bem entendem sempre nas costas do Povo, este só é chamado quando estes senhores o entendem e quais cordeirinhos amansados lá vão legitimar os mesmos, sempre os mesmos, depois, mais quatro anos a penar a sofrer, para voltar tudo ao mesmo.

A burguesia que apoia este status-quo não quer mudanças profundas no sistema, não lhes convém, estão bem assim, vão fazendo umas cócegas ao poder instituído, umas palavras por vezes duras mas circunstanciais, mas no fundo comem todos da mesma gamela, a gamela do Povo, na minha, na tua, na de todos nós.

Políticos e economistas, de todas as áreas, já nos vêm alertando que o ano que aí vem é de vacas magras (onde é que já ouvi isto) que a crise veio para ficar, (como o Toyota, passe a publicidade) que o cinto dos mais “desfavorecidos” vai ficar mais apertado, ao contrário, o dos mais favorecidos pode alargar um pouco. Dizem eles que têm de ser dadas mais benesses (leia-se dinheiro) ao patronato, (mais uns carritos topo de gama vão sair das linhas de montagem) a banca tem de ser financiada pois os seus donos são uns desgraçados pedintes e não têm culpa de serem ladrões, ou melhor de saberem olhar pela vidinha, dizem também que o país não necessita de investir no Povo mas sim em alcatrão e obras de fachada, onde, depois de concluídas, para além de nada servirem ainda lhes colocam uma placa com o nome do eunuco que a vai inaugurar. Enfim, é um fartar vadilagem, que o povo é sereno e não chateia e de tão parvo que é ainda legitima esta gente com o voto.

NÃO, eu digo NÃO

Não quero o meu país governado por esta gente, quero sim, o meu país, governado pelo meu Povo, este sim, são os únicos que têm legitimidade, eu quero fazer parte dos destinos do meu país, eu quero decidir, não quero que ninguém o faça em meu nome. Para isso, só o Poder Popular Revolucionário o poderá fazer, só com mudanças profundas na sociedade e nas mentalidades será possível. Por isso a minha luta (a nossa luta) será dura e longa, mas, unidos na vontade, unidos na esperança, unidos na coragem, havemos de conseguir.

Publicado também em O Libertário

sábado, 27 de dezembro de 2008

PS anti-democrático e autoritário


Apesar de pretender transmitir para o público uma imagem coesa, o Partido Socialista é composto por múltiplas sensibilidades políticas, a mais evidente das quais é a posição de Manuel Alegre, em diversas ocasiões e de forma muito notória. No entanto, a diversidade de opiniões não se esgota nesta figura histórica. Tornou-se recentemente público que vários dirigentes da esquerda do PS, entre os quais Vera Jardim, Paulo Pedro, Ana Gomes e Maria de Belém Roseira, gostariam de ver assumida por José Sócrates, no próximo congresso do partido, a garantia de que, se for governo após as legislativas de 2009, o PS adoptará medidas fiscais que favoreçam as pessoas mais afectadas pela crise.

De acordo com informações recolhidas pelo jornal Público, este grupo de dirigentes do PS, que foram todos apoiantes de Manuel Alegre em 2004 e que estão unidos por laços comuns de pensamento quanto ao papel do PS, que fortaleceram entre si durante a direcção de Ferro Rodrigues, querem que o PS dê um sinal claro de que é um partido de esquerda, que governa à esquerda e que é também um partido moderno. Mas como é isto possível?

O cunho autoritário que o partido do governo tem assumido sob a liderança de José Sócrates dificulta que se tornem públicas posições contrárias à actual governação, mesmo no interior do próprio PS. Neste caso, o excesso de auto-censura imposta pelos actuais dirigentes do partido do poder transforma-se no veneno que vai corroendo a própria maioria absoluta de que são confortavelmente detentores. Sem que existam sinais de abertura a novas correntes de pensamento, novas alternativas, o PS fechar-se-á cada vez mais sobre si próprio, pagando também essa factura perante o eleitorado. Reforçando a sua atitude autoritária e anti-democrática no nosso regime político.