quinta-feira, 14 de agosto de 2008

OS GUETOS EM TEMPO DE PROBREZA

Em tempo de pobreza acrescida, a sociedade portuguesa acorda para a existência de guetos, em regra escondidos, sem acesso por auto-estrada e de onde fogem os cidadãos comuns, por legítimo receio ou mero preconceito. Exemplificamos aqui a situação a partir da exposição que os ciganos tiveram a propósito dos acontecimentos da Quinta da Fonte Santa. E para que cada um avalie bem o seu próprio quinhão de racismo, nem sempre explícito para o próprio.
Desde sempre os ciganos souberam viver nas margens do sistema formal da economia, integrando-se nela, no entanto, de acordo com o que lhes é permitido, consoante as suas conveniências e alicerçando-se num forte espírito comunitário, que lhes serve de escudo, quando necessário. O Estado e a sociedade que o suporta sempre permitiram esse limbo, porque daí advêm evidentes vantagens, nomeadamente para alguns extratos sociais, muito minoritários. Quando chegam situações de crise, são os primeiros a ser perseguidos e Hitler também não lhes perdoou a diferença; e diferentes continuaram para os Aliados que não reconheceram em Nuremberga o seu carácter de vítimas do nazismo. Porquê? Porque não obtiveram, como os judeus, a dignidade que o dinheiro compra, não recolhendo, por consequência, o reconhecimento ou um estado de Israel plantado em terras alheias. O cigano pode ser apontado como a encarnação do perigo, da violência latente, do "outro", do diferente, onde facilmente se descobrem crimes reais ou inventados. Em Portugal, tradicionalmente, o cigano é o objecto do racismo envergonhado que por vezes salta à luz do dia, desentranhado com raiva. E, como estamos em era de globalização, o "mercado" também aqui gerou concorrência; a dos africanos, dos ucranianos, dos brasileiros, os primeiros acusados de ladrões, os segundos de mafiosos, as terceiras como desviantes de homens bem casados. Felizmente... que a Comissão Europeia está vigilante, decidindo criminalizar a imigração em geral, para sossego das almas simples e assustadas, que nem se aperceberam que o vigarista Berlusconi manda o exército contra eles. Empurrados para fora da respeitável sociedade dos portugueses de gema, os ciganos vão-se desenrascando como melhor sabem e podem, com a criatividade a que os pobres são obrigados a ser capazes. Veja-se como seria mais pobre a música popular europeia se não existisse a música de influência cigana, com o flamenco, com a sua predominância nos Balcãs e na Hungria, onde não é fácil de distinguir onde começa a música "nativa" e acaba a música cigana que até influenciou a própria música dita clássica (v.g. Haifetz e Kodaly). O Estado e a sociedade, interessados na sua perpetuidade como comunidade estranha, como um quisto, polarizador de procedimentos catárticos, enfia-os em áreas próprias, isoladas do resto da população, como elementos de um zoo. O turismo ainda não aproveitou nos circuitos de cidade. E chama a essas áreas, bairros sociais. Como o Estado e a sociedade não querem misturas com eles acham por bem juntá-los todos e acrescentar-lhes magotes de africanos igualmente pobres, para mais pretos, "todos iguais" como muitos dizem. Precisamente porque a sociedade não lhes quer admitir uma individualidade cidadã, junta todos, a esmo num mesmo "bairro social", que toda a gente sabe ter o anátema de indesejável para as pessoas "normais". A sociedade respeitável não lhes admite a dignidade que atribui a cães e gatos domésticos (de preferência de "raça"), com quem falam, que levam ao veterinário e metem dentro da cama. A Câmara de Loures – decerto não é única neste comportamento de guetização – limita-se a fixar nuns ridículos 4 ou 5 euros a renda das casas do bairro e, nem sequer se importa que os habitantes não paguem. A Câmara paga, portanto para que "eles" sejam incentivados a continuar no gueto; paga para perpetuar a discriminação do "outro" e a aceitação desse facto pelo resto da população; paga para que se mantenham à margem, distantes, distraidos uns com os outros (africanos e ciganos), para que se não cruzem com as pessoas respeitáveis.
O mito do RSI
É uma ideia feita junto das camadas populares, não desmentida pelo mandarinato ou pela superficialidade dos media, que os ciganos vivem do RSI, que este corresponde a uma pequena fortuna e que os seus beneficiários vivem como nababos, sem incentivos para trabalhar. Os factos desmentem esse mito, pelo menos no que se refere ao valor do subsídio. De acordo com o publicado na imprensa em Julho último, havia 334 865 pessoas a receber RSI com um encargo público de um milhão de euros por dia, o que corresponde, se não nos enganamos a 3 euros diários por pessoa ou 90 euros por mês. Curiosamente, provoca mais indignação do que a banca ao arrecadar 8,7 milhões de lucro por dia e que o Estado atribua aos bancos 700 milhões de euros de benefícios fiscais; ou que no folhetim BCP haja quem tenha manejado fraudulentamente muitos milhões de euros, recebendo milhões de reforma e indemnizações sujeitando-se em contrapartida à dura penalização de não poder exercer cargos num banco durante dez anos. E aceita-se com bonoma que, em 2007, a sisuda e programadamente ineficaz DGCI permita a evasão de centenas de mihões de euros em fugas de impostos ou prescrições de direitos de cobrança. "A rica teve um menino, a pobre pariu um moço" diz a canção, interpretando o pensamento dos miseráveis em relação aos mais pobres e a deferência para com o rico ou o patrão. A diabolização do "outro" serve para justificar a mania securitária expressa por um ministro com cara de parvo que gosta de exibir a sua autoridade citando a lei e o estado de direito, abrindo bem os sons do seu grasnado para melhor se ouvir. Os ciganos, os imigrantes ajudam os socratóides a justificar contratos de segurança, aquisição de equipamento de vigilância, etc; são pois equiparados a custos de promoção de vendas. A sequência do ciclo inicia-se previamente na discriminação, social, no emprego e na habitação. Em que condições e onde conseguem ciganos ou imigrantes, por exemplo, alugar casas para não falar em adquirir? A essa marginalização segue-se a inscrição no RSI como uma das poucas opções para a obtenção de rendimentos legais e apoios acessórios, como a utilização do SNS ou o acesso a casas nos bairros sociais. Na fase seguinte há várias opções. A da resignação à miséria dum subsídio estatal; a da venda de roupas e cópias clandestinas de DVD's nas feiras; ou a integração em circuitos marginais.
A integração nos circuitos económicos
Uma breve referência ao colonialismo português e ao modo como acentuou o subdesenvolvimento em Portugal e nas suas colónias permitirá elucidar alguns aspectos da relação entre a sociedade portuguesa respeitável e as comunidades ciganas. A existência de colónias, com os seus mercados de consumo ainda que limitados, fidelizados ao abastecimento da "metrópole" favoreceu no capitalismo português uma aversão ao risco, à concorrência, ao investimento. Se as colónias eram obrigadas a consumir têxteis, vinho e bens de consumo produzidos em Portugal porque razão os capitalistas portugueses iriam investir em qualidade ou sofisticação? Recordamos que até o transporte era coutada dos bravos armadores portugueses e por isso, no princípio da década de 80 o governo do bloco central, sem colonias para administrar, conduziu a marinha mercante ao seu carácter residual de hoje. Passados mais de 30 anos da descolonização os bravos capitalistas portugueses passaram a dedicar-se prioritariamente a actividades fora da concorrência externa; o imobiliário, a distribuição, as comunicações, Mas, a indústria continua a precisar de escoar os produtos de menor valia – têxteis lar, por exemplo – roupa de marca contrafeita ou DVD's piratas para além de produtos defeituosos não exportáveis. E então, quem melhor poderá comercializar esses produtos produzidos por respeitáveis industriais lusos? Quem mais se arrisca a estar nas ruas de olho na polícia, nas chamadas "Boutique Alcofa" a vender esses produtos? Quem costuma estar presente em feiras e mercados apregoando camisolas da moda aos passantes? Os ciganos protagonizam assim um negócio P2P à moda portuguesa, de pobre para pobre. Este exemplo, evidencia a complementaridade entre capitalistas portugueses e a comunidade cigana. A polícia persegue ou faz que persegue os vendedores (nas feiras e nas ruas), enquanto o poder se distrai de intervir junto dos produtores, conivente óbvio de uma economia paralela que junta "empresários", políticos e funcionários. O mesmo sucede para os DVD's. Mesmo mediatizando apreensões volumosas para mostrar serviço, a verdade é que o abastecimento nunca falhou. As fábricas têxteis que abastecem este mercado não se situam nos bairros sociais, tal como os locais onde se produzem os milhares de CD's e DVD's que reproduzem os produtos pimba que estão na berra. Essas indústrias encontram-se por aí, em locais recônditos, esquecidos pelos fiscais das finanças, sem anúncios luminosos e geram toda uma economia paralela de que os ciganos arrecadam a parte menor do lucro e a maior do risco. E quanto às drogas? Os barcos que anunciam com foguetes a chegada à praia com material pertencem a ciganos com veia marinheira? Os reputados "industriais da noite" que contratam policias de folga para seguranças, serão ciganos? Quanto do dinheiro que oleia o imobiliário ou a hotelaria/restauração, previamente lavado no discreto sistema bancário, resulta do tráfego de drogas? Todos sabemos que a economia paralela é florescente e que nela se inclui, ainda mais florescente, a economia do crime. Sabe-se também, que quanto mais lucrativa é uma actividade, mais poderosos são os que a ela se dedicam e beneficiam; e, aí encontraremos sem dúvida, os bancos, muitos dos "empresários" e "investidores", os partidos do poder, muitos autarcas, os donos do futebol. Qual a relevância de ciganos ou africanos neste mundo?
Os preconceitos e a estupidez na sociedade respeitável
Em todo este contexto, a sociedade respeitável não pensa demasiado. Vê, como recentemente, gente a pagar rendas ridículas e a receber o RSI com plasmas e playstations em casa. Talvez gostassem mais de os ver nas esquinas, andrajosos, de mão estendida à caridade pública, pois assim sentir-se-iam mais afastados da indigência. O que move muitos elementos respeitáveis de pura cepa lusitana é a inveja. Uma inveja tão pura, tão disfarçável como um elefante num centro comercial. Muitos, trabalhadores por conta de outrém, com o IRS retido pelo patrão, com o salário estagnado e os juros da casa a subir, ou a aposentação adiada têm, de facto, pouca margem para arrecadar uns cobres suplementares não tributados pela sanguessuga fiscal. E, têm dificuldades. Pagam, porém, o seu preço pela total submissão a uma cidadania madrasta, a um Estado predador que muito exige e lhes devolve apenas um NIF gratuito e domicílio no país mais pobre da Europa ocidental. Custa-lhes ver elementos da comunidade cigana, que consideram de segunda classe, apenas com as pontes indispensáveis com a economia formal, viverem sem dificuldades que não o anátema e o risco da sua marginalização, da sua informalidade. O que não é pouco. Como convém aos miseráveis, toleram tanto as golpadas dos ricos e dos corruptos como se sentem roubados pelos apoios aos pobres ou quando estes melhoram a sua vida. Em todos os casos um só sentimento: a inveja que consta no decálogo de Moisés e que grangeou tanto apoio popular nas cruzadas de Hitler contra os judeus. Em Portugal, Sócrates agradece-lhes, do fundo do coração, a sua distração.

Do amigo "esquerda desalinhada"


quarta-feira, 13 de agosto de 2008

ABAIXO A PSEUDO-PRODUTIVIDADE


De acordo com um estudo efectuado pelo Journal of Occupational and Environment Medicine (Jornal de Medicina Ocupacional e Ambiental) trabalhar mais de 60 horas por semana causa problemas mentais.

De acordo com o próprio Marreta, tal selvajaria não causa somente problemas mentais como é passível de matar, especialmente se tal acontecer antes do 1/2 dia.

De facto, o referido estudo aponta para várias perturbações que foram estudadas num universo de 60.000 trabalhadores de várias empresas privadas e estatais: depressão, ansiedade, outros problemas emocionais e abuso de substâncias.

Os resultados demonstram que 5% dos trabalhadores apresentavam níveis de stress de tal forma elevado que aumentavam o risco de sofrer uma perturbação mental séria. 9% registaram stress moderado, que é associado a uma possível patologia psicológica, e 22% dos inquiridos estavam a ter acompanhamento psicológico.

Ora este estudo vem juntar-se a outros mais, existentes, que provam linearmente que o aumento de produtividade não se alcança com o aumento de horas de trabalho e que, bem pelo contrário, tal se torna prejudicial à saude e desempenho do trabalhador, bem como obviamente acarreta perdas de produtividade e prejuízos a vários níveis para as empresas.

Os nossos "inginheiros" da produtividade que se eduquem e formem e que apostem na segurança e higiéne nas instalações, na formação profissional e nos incentivos aos trabalhadores, pois é esta a fórmula "mágica" para o real aumento da tal baixa produtividade que tanto apregoam.

Como perdemos a liberdade!

Já conhecia estes textos, mas agora acabo de os receber novamente em e-mail e ficam aqui para meditação de quem se interesse pela vida.

Maiakovski
Poeta russo "suicidado" após a revolução de Lenin escreveu, ainda no início do século XX :

Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.


Depois de Maiakovski…

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht (1898-1956)


Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...

Martin Niemöller, 1933 - símbolo da resistência aos nazistas.


Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ónibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até à morte uma criança, que não era meu filho...

Cláudio Humberto, em 09 FEV 2007


Sócrates logo no dia da posse atacou os farmacêuticos.
Eu não disse nada porque não sou farmacêutico.
A seguir atacou os magistrados, também nada disse porque não sou magistrado.
Depois foi aos médicos e enfermeiros. Também nada disso é comigo.
A seguir congelou as carreiras dos funcionários públicos, quero lá saber eu nem sou manga de alpaca.
Maltratou os polícias, os militares, os professores... os padres também não escaparam.
Aumentou os impostos.
Aumentou a idade da reforma, a insegurança nas ruas, nas escola e até nas nossas casas.
Áh, mas criou “as novas oportunidades” “o divórcio” a insegurança, o crime, a violência, os “canudos” de férias e Domingos.
Hoje bateu à minha porta com a Lei da mobilidade e atirou-me para o desemprego. Já gritei e ninguém me ouve, até parece que a coisa só me afecta a mim.


O que os outros disseram, foi depois de ler Maiakovski.
Incrível é que, após mais de cem anos, ainda nos encontremos tão desamparados, inertes, e submetidos aos caprichos da ruína moral dos poderes governantes, que vampirizam o erário, aniquilam as instituições, e deixam aos cidadãos os ossos roídos e o direito ao silêncio: porque a palavra, há muito se tornou inútil…

- até quando?...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Redução da função pública

No primeiro semestre deste ano, passaram à reforma em média, 63 funcionários por dia, totalizando 11610. A manter-se este ritmo, ao fim do ano serão cerca de 23 mil funcionários. E, como por cada dois que saem, será admitido um, o conjunto de funcionários será reduzido de cerca de 11500.

Não sei se isto é ou não positivo. Uma coisa deve estar sempre presente na mente dos governantes: a função pública destina-se a servir os cidadãos. Como estes se vêem defrontados com uma burocracia crescente, parece que a partir desta redução, serão atendidos com menor eficiência e rapidez e serão obrigados a perder mais tempo em filas de espera. Por este prisma, a redução não será benéfica para a sua finalidade.

Porém, visto o fenómeno por outro lado, é de esperar que a decisão de reduzir o efectivo da função pública tenha resultado de estudo sério, pormenorizado e sistemático, por forma a reduzir a burocracia, a eliminar muitos trâmites desnecessários, a diminuir as voltas que os papéis dão dentro dos serviços, tornando assim mais reduzida a quantidade de funcionários necessários e definindo as suas tarefas por forma a tornar o sistema mais claro e eficiente, sem perdas de tempo nem de energias. Se esse estudo existiu e serviu de base à redução dos efectivos, então a redução é positiva.

Mas a burocracia está na massa do sangue dos estadistas portugueses, havendo quem diga que é ela que alimenta a corrupção e dá importância aos influentes que conseguem dar um jeito lá dentro para abreviar um processo que parece estar muito demorado. A redução dos efectivos irá, assim, dar mais justificações para demoras, para mais contratos com gabinetes de estudos de camaradas de partido amigalhaços, resultando em prejuízos para os utentes e para o orçamento do Estado.

Resta a esta notícia uma explicação sobre os estudos em que a administração central e local se basearam para reduzir o número de funcionários. Sem tal estudo, ficamos na dúvida de haver ou não interesse para o público em geral. Pela experiência, a dúvida além de justificada, inclina as pessoas para a hipótese mais pessimista.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Inaptidão da Polícia e Banha da Cobra dum Ministro Impostor

O assalto de ontem a um banco com tomada de reféns, praticado por uma par de parvalhões, veio demonstrar a incapacidade da polícia, consequência única das condições em que políticos corruptos e falsos do género do actual ministro do interior a colocaram.

Sem treino adequado, sem formação psicológica, sem princípios de procedimento cívico, sem logística adequada, os agentes andam por aí desorientados e perdidos. Aos tiros como num western e crêem-se competentes e eficazes. Por demais, têm ordenados que os obrigam a viver quase na miséria e não têm apoio psicológico adequado. O ministro, por seu lado, em lugar de pedir desculpa por este estado, pois que é ele o principal responsável, tenta arrogantemente uma lavagem da cabeça aos cidadãos.

Neste caso a polícia provou:

  • Não ser capaz de lidar com casos do género, pois cometeu vários erros, começando por enviar o jantar aos assaltantes.

  • Não foi capaz de ter uma conversa produtiva com os assaltantes, pois que nos dizem que os queriam convencer a render-se. Que loucura de desmiolados. Que falta de tacto.

  • • Não foi capaz de qualquer outra acção se não a de disparar, como de costume. A polícia, completamente desorientada e fora das suas atribuições, arma-se em juiz, condena e assassina. Tanto mais grave quanto num país onde não há pena de morte.

  • Como de costume também, cometeu abusos selvagens contra os cidadãos, obrigando os residentes a passarem inúmeras horas fora de casa e sem jantar. Injustificadamente.


Tirando todas as dúvidas a quem de compreensão curta, fica aqui bem expresso que a culpa do estado de incompetência, de abuso e brutalidade da polícia não deve nem pode ser imputado à própria polícia nem aos homens e mulheres que a compõem. Para quem ainda não o tenha descoberto, saiba-se que as culpas de todas estas consequências são sempre e incondicionalmente dos maus dirigentes cuja administração incapaz produz tais resultados. Por demais, com ministros aldrabões e corruptos como o do interior, não se pode esperar qualquer melhoria nos tempos próximos. Se o homem se apraz em travestir os erros e tudo que está mal em actos de louvor, que se pode esperar?

Vote-se nessa cambada de parasitas que apenas querem viver e enriquecer roubando o tesouro público, o nosso dinheiro. Dúvidas? Notem-se as últimas estatísticas da União Europeia, demonstrando que Portugal é o país onde os bancos mais roubam a população. Onde a diferença entre os juros por eles recebidos e os pagos é de longe a maior. Não se pode pedir um empréstimo porque os bancos nos arruínam com juros; não interessa economizar porque os bancos quase não pagam juros. Ficam com o dinheiro todo para eles e pagam menos impostos. É isto a justiça social num país democrático? Quem o permite, senão os mesmos corruptos dos clãs oligárquicos? Ainda existem néscios a dizerem que Portugal é uma democracia.

Adenda
Mais tarde veio a conhecer-se que quando a polícia soube que o assaltante agora morto disse ao primo que preferia morrer a render-se, a polícia tomou a decisão de matar ambos. Trata-se pois dum assassínio claramente premeditado. Ninguém tem o direito de matar a outrem, mesmo que esse outro mate, o que não foi o caso nem nunca seria. salvo por possível desnorteamento dos assaltantes. Não há excepção, nem pode haver, senão cada um faria a sua. A polícia é completamente incapaz, não por falta de treino, mas por falta de treino adequado, com os (ir)responsáveis que tomam as decisões à cabeça. Quanto mais alto se sobe pior é esta condição.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

MAIS UMA ESTÓRIA DE ENCANTAR NESTE PAÍS DE FAZ-DE-CONTA


Um número indeterminado de assaltantes roubou esta madrugada uma caixa Multibanco do interior do tribunal de Almada, tribunal esse que não possui qualquer meio de vigilância nocturna, seja física ou de captação de imagens através de circuito interno de televisão.

Já tinhamos conhecimento anterior de agressões a juízes, perda e extravio de processos e salas de audiência a funcionar nos sítios mais "exóticos" possíveis e imaginários, fruto da precaridade das instalações, mas o roubo de um ATM de dentro do edifício de um tribunal era até há bem pouco tempo completamente inédito. Esta situação não foi a primeira, há menos de 1 mês o tribunal de Loures foi assaltado com o mesmo propósito.

Recorde-se que os Tribunais são, juntamente com o Presidente da República, a Assembleia da República e o Governo, um órgão de soberania e por tal garante da aplicação da Justiça, um dos pilares basilares do Estado.

Sendo já por si grave este tipo de acto, mais se torna quando se percebe que quem o cometeu facilmente poderia da mesma forma aceder a qualquer processo e roubá-lo ou subtrair-lhe provas e documentos fulcrais para um julgamento.

Numa altura em que tanto se fala em gastar vários milhões de euros na alta velocidade para percorrer 200 ou 300 kms, não seria mais producente investir na melhoria das condições de segurança e funcionamento dos tribunais, na valorização do ensino e das escolas, nomeadamente acabando de vez com os barracões pré-fabricados de décadas e construindo escolas dignas com recintos apropriados à prática desportiva, e na saúde disponibilizando à população um serviço eficiente e uma rede alargada e de qualidade de prestação de cuidados?

Sendo nós um país de fracos recursos financeiros, os mesmos não deveriam ser empregues tendo em atenção as prioridades imediatas e as necessidades mais prementes como são a Educação, a Saúde e a Justiça?

Francamente continua a causar-me grande confusão esta falta de discernimento em distinguir o acessório do essencial. Se calhar é porque sou mesmo marreta...

domingo, 3 de agosto de 2008

Parem e oiçam a música!



Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer.

Eis que o sujeito desce na estação do metro, vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora de ponta matinal. Mesmo assim, durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.

Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Três dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares. A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino.

A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte. A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefacto de luxo sem etiqueta de grife.

Esse é um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas que são únicas, singulares, e a que não damos a menor bola porque não vêm com a etiqueta de seu preço.

O que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes? É o que o mercado diz que você deve ter, sentir, vestir ou ser?

Essa experiência mostra como na sociedade em que vivemos os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado, pelos mídia, e pelas instituições que detém o poder financeiro.

Mostra-nos como estamos condicionados a nos mover quando estamos no meio do rebanho.

(recebido por mail)

sábado, 2 de agosto de 2008

Magalhães, negócio pouco claro

O negócio do computador «Magalhães» apresenta-se pouco claro, sem transparência, com adjudicação sem concurso público e rodeado das habituais palavras hiperbólicas do primeiro-ministro, que deram uma ideia demasiado optimista das potencialidades tecnológicas da indústria portuguesa e das características dos componentes essenciais do Netbook. Vale a pena ler estes dois apontamentos extraídos da Internet (ver os URLs) e recebidos por e-mail

«Magalhães», um computador pouco português

Apresentado com pompa e circunstância por José Sócrates, trata-se de um produto totalmente idealizado pela Intel

Foi anunciado como o primeiro computador português, mas não é bem assim. O Magalhães é originalmente o Classmate PC, produto concebido pela Intel no sector dos NetBooks, que surge em reacção ao OLPC (One Laptop Per Child) XO-1, que foi idealizado por Nicholas Negroponte.

Será, no fundo, um computador montado em Portugal, mais propriamente pela empresa JP Sá Couto, em Matosinhos. Tirando o nome, o logótipo e a capa exterior, tudo o resto é idêntico ao produto que a Intel tem estado a vender em várias partes do mundo desde 2006. Aliás, esta é já a segunda versão do produto.

Este computador ultraportátil já está à venda em vários países, inclusivamente o Brasil, mas nem sempre é conhecido pelo mesmo nome. A ideia não é portuguesa, mas irá dar postos de trabalho na montagem dos componentes. Também permitirá manter bem viva a acção das empresas de comunicações, que irão fazer mais alguns milhares de contratos de acesso a Internet. São 500 mil portáteis disponíveis para as crianças dos seis aos dez anos. Um agrado para os mais novos, que com certeza também satisfará os pais.

Na Indonésia o «Magalhães» é conhecido pelo nome de «Anoa», na Índia é o Mileap-X series, na Itália é o Jumpc e o no Brasil é conhecido por Mobo Kids. O Governo do Vietname percebeu o sucesso da oferta e já o colocou nas escolas a preço reduzido. Uma ideia agora adoptada por José Sócrates.
(…)

Ao contrário da pompa e circunstância difundida pelo Governo, a notícia teve um outro impacto a nível internacional, sendo considerado um grande negócio para a Intel na guerra pela liderança no mercado dos Netbooks com a rival OLPC (One Laptop Per Child - Um Computador Por Criança).

Segundo a porta-voz da empresa, Agnes Kwan, para além da maior venda de sempre destes computadores, a Intel passará a ter direito de conselheira tecnológica do Ministro Mário Lino, que está a liderar o programa. A mesma porta-voz diz que estes computadores (Classmate PC) já estão presentes em mais de 30 países, relata a agência Associated Press.

http://diario.iol.pt/tecnologia/intel-magalhaes-tecnologia-socrates/977084-4069.html


OLPC contra Intel. Diferentes plataformas, com objectivos diversos. Qual o melhor?

A ideia surgiu da mente do «guru» dos media e da tecnologia Nicholas Negroponte. Pretendia que houve um computador por criança, pensando nomeadamente em África. Nasceu a Fundação OLPC (One Laptor Per Child) e o computador dá pelo nome de XO-1. Sem fins lucrativos, visava construir um portátil por 100 dólares.

A ideia foi apanhada por outras empresas. E surgiram outros produtos, como o Classmate PC, da Intel, que surgirá em Portugal como o nome «Magalhães». Este tem sido, aliás, um nicho de mercado muito explorado recentemente, com o surgimento de vários computadores mais pequenos, de baixo custo, conhecidos como Netbooks. Assim aconteceu há cerca de um mês com o Asus EeePC, mas também existe o Everex CloudBook, entre outros.

O XO-1 e o Classmate PC são, porém, destinados ao mercado educacional, assumindo um design dirigido, como o facto de serem ergonómicos, resistentes à água e a algum choque.

«É uma má escolha e não me parece transparente, porque o que tem sucedido noutros países é que é aberto um concurso para a escolha dos melhores produtos. Sempre que isso acontece o produto OLPC tem vencido, como sucedeu no Uruguai e no Brasil», revelou ao Portugal Diário o produtor americano Wayan Vota, criador do site OLPC News e uma das referências nesta área.

«A boa notícia é que Portugal está a apostar na tecnologia, colocando-a à disposição das crianças. Mas o que não é claro é o método. Para além disso, é estranho que a Intel fique como conselheira tecnológica do Ministério responsável. Será que convidariam a Opel para conselheira da indústria automóvel?», questiona, assumindo a perplexidade: «Há aqui uma perda de autonomia de escolha no futuro. Para além disso, não foi bem esclarecido a verba dispendida por cada aluno. Não me parece que tenha sido um processo totalmente transparente».

Afinal o chip não é de última geração

José Sócrates referiu que o «Magalhães» surgirá com o último microprocessador da Intel. Mas tal não corresponde à verdade, como referiu a directora-geral da Plataforma para os Mercados Emergentes, Lila Ibrahim. A primeira leva de produtos levará o processador mais antigo da Celeron e só depois terá direito ao novo chip Atom, da Intel.

Diferentes objectivos

Algo que poderá ter pesado na escolha portuguesa é a produção do computador em solo nacional. «A OLPC não deixa dúvidas. Só constrói na China, para que o processo seja sistematizado e garantido o preço do computador», lembra Wayan Vota.

A verdade é que os objectivos do Classmate e do OLPC XO são diferentes. O primeiro tem como objectivo adaptar um computador normal (preferencialmente em Windows XP) a uma dimensão mais reduzida, com características menos exigentes, para uma utilização simplificada.

A plataforma do OLPC aposta mais do chamado software open-source (livre), que poderá ser totalmente modificado pelas próprias crianças, mediante as suas necessidades pessoais/educativas. Assim, poderá aprender enquanto mexem no computador, como explicou Mary Lou Jepsen, uma das responsáveis pelo desenvolvimento tecnológico do produto.

«O Classmate é mais caro, consome dez vezes mais energia, tem um terço da captação de rede wifi e não pode ser usado durante muito tempo no exterior. O XO não é só mais barato, mas requer uma infraestrutura menos dependente da energia eléctrica e do acesso à Internet. No Peru, por exemplo, podemos pô-lo a funcionar com energia solar de dia e à manivela à noite por cerca de 25 dólares por criança», frisou em entrevista ao site Groklaw.net.

http://diario.iol.pt/tecnologia/magalhaes-intel-olpc-socrates/977089-4069.html

terça-feira, 29 de julho de 2008

Partidos, para que servem?

É suposto que, em democracia representativa, o povo soberano tenha de delegar em pessoas que ache idóneas para, em seu nome, tratarem dos assuntos nacionais para benefício dos cidadãos. E como não é natural que todos pensem da mesma maneira, acabam por surgir grupos ou partidos políticos, como delegados e polos de atracção dos votos do povo soberano.

Mas não parece ser conveniente que os militantes dos partidos levem muito a peito a designação «partido» porque, para ser eficiente, será preferível que esteja inteiro, como uma equipa coesa, unida e com espírito de missão. Não deve ser um corpo triturado como um monte de areia, mas sim como um bloco em que a areia esteja aglomerada por um cimento adequado a que pode chamar-se espírito de equipa, disciplina ou amor ao objectivo estratégico que convirja para o desenvolvimento de Portugal e a felicidade e bem estar das pessoas, principalmente as mais carentes de recursos.

Ora, ao contrário destas reflexões, os principais partidos parecem apostados em se transformarem no monte de areia sem cimento, o que cria más perspectivas para o País, ultimamente fadado ao desaire.

O PSD, até agora o maior partido da oposição, teima em não se aglutinar em torno de uma directriz respeitada pelos principais militantes. Quando se pensa que eles agora vão ganhar juízo, logo surge a desilusão. Ao derrubarem Santana elegeram o Mendes, mas, em vez de o apoiarem convictamente, depressa começaram a campanha para o derrubar. Elegeram Menezes, com o apoio da maioria, mas logo os «barões», incapazes de acção, mas que se consideram donos do «partido», começaram a cortar-lhe as pernas e, o mais grave, quando as eleições legislativas estavam a curta distância. Manobraram à vontade e das eleições internas saiu vencedora Ferreira Leite, uma escolha que por ser democrática devia ser respeitada. Mas os donos dos cordelinhos, não podem estar quietos sem brincar com eles e estão já a começar a puxá-los novamente. Para quê? O que pretendem para o Partido e para o País? Que resultado desejam obter nas próximas eleições legislativas? Ao menos lutem para não ficarem abaixo do terceiro lugar!!!

O CDS, por seu lado, parece não querer ficar atrás na corrida para a desorganização total, para a pulverização em areia fina, sem cheiro de cimento, sem coesão, nem disciplina. E também não é de agora, pois a luta pelos poleiros vem de longe. Agora, há a notícia da desfiliação de 31 militantes da juventude do partido, de Setúbal, por discordarem do líder.

Mas esta falta de coesão e espírito de equipa não se passa apenas nos partidos da oposição que já estiveram no Governo, pois o PS, embora no Governo, está também a mostrar desagregação muito visível, desde as atitudes independentes de Manuel Alegre, aos atritos com João Cravinho sobre a corrupção e o enriquecimento legítimo e, hoje a notícia de que militantes de Viseu (distrito em que o PS deve enfrentar a supremacia do PSD) atacam o líder do Partido, em vez de o apoiarem com vista a manter a posição das eleições anteriores. Mas fundamentam a sua posição em não concordarem que no partido haja uma claustrofobia asfixiante, onde nada se debate, em vez de haver diálogo aberto suscitando a participação dos que ocupam cargos políticos a diversos níveis, porque um partido que reduz a participação e pretende apenas um «silêncio cúmplice e de consonância com o status quo de importantes personalidades» acaba por não evoluir por não receber ideias frescas e sugestões práticas, por não alimentar a convergência de esforços.

Com este panorama, os portugueses que pensam com isenção e sem compromissos com qualquer cor politica, têm razão para viver preocupados com a vida que estamos a preparar para as gerações vindouras, que muito irão sofrer devido aos erros dos pais e avós.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Cartas de condução em falta

O Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMMT) calculou que tivessem desaparecido 73 mil pedidos de cartas de condução, mas passado algum tempo disse que o número é de "apenas" 46 mil. Gosto do «apenas» como se 46.000 seja uma ninharia. Faz-me lembrar a anedota que corria entre os militares em que um sargento foi encarregado de dizer a um soldado recruta que tinha havido um desastre lá na aldeia e o pai tinha perdido a vida e foi-lhe recomendado para ser cuidadoso na forma como ia dar tão trágica notícia. Ele, na formatura, disse ao rapaz que lá na terra houve um acidente e morreu toda sua família e, depois de o soldado entrar num choro convulsivo, acalmou-o dizendo calma aí que só morreu o teu pai!

Num organismo com a responsabilidade do IMMT era de esperar que a preparação dos dirigentes fosse superior à de um sargento do século passado.

Mas o mais grave é que o desaparecimento de 46.000 pedidos de cartas não é uma pequena falha, não é um erro negligível. Causa transtornos a muita gente, afecta a confiança que a população deve ter nos serviços públicos. E a Microfil declina responsabilidades. Por isso, é de estranhar não haver ainda notícias de nenhum responsável ter sido sancionado, e a tutela não ter assumido a sua responsabilidade no caso. Parece que já foi esquecido o belo exemplo dado pelo então ministro Jorge Coelho que se demitiu quando ocorreu a queda da ponde em Entre-os-Rios.

Há pouco tempo um general francês, altamente colocado na hierarquia das Forças Armadas, demitiu-se porque num exercício, com numerosa assistência de civis, um soldado fez tiro com balas reais em vez de balas simuladas, tendo ferido mais de uma dezena de civis. O general não era obrigado a ir junto de cada soldado verificar o tipo de munições que tinha consigo, mas o seu sentido de honra e de eficiência levou-o a esses gesto brilhante. Mas, para Portugal, esse exemplo só prova a inocência doentia e antiquada dos Franceses que, coitados, até têm centrais nucleares, para produzir energia eléctrica!

Não. Não se deve brincar com erros tão evidentes do desleixo dos serviços públicos que conduzem à perda de confiança do povo nos seus governantes. Tais falhas não devem ficar impunes e os mais altos responsáveis devem tomar uma atitude de dignidade. Não deve repetir-se que um ministro continue em funções e elogie a construção de um aeroporto no deserto, onde disse que «jamé» isso aconteceria, em vez de ter confessado o erro, de forma idêntica à de Jorge Coelho e do general francês, ambos sem culpas pessoais nos casos que os levaram a tomar atitudes exemplares. Agora, quanto às cartas de condução, ficava bem, era de bom tom, alguém de alta posição imitar os dois exemplos citados.