terça-feira, 22 de julho de 2008

IDEIAS PARA A ALTERNATIVA (PARTE V)

Agora, com o desaparecimento do campo comunista, as inibições tradicionais que condicionavam o Norte nas suas relações com o Sul, desvaneceram-se também, como é lógico. Esta é a segunda grande mudança da última década. A sua expressão no campo de batalha das ideias é representada por um crescente assalto contra o princípio da soberania nacional. Aqui o momento decisivo foi a guerra dos Balcãs em 1999. A agressão militar contra a Jugoslávia desencadeada pela OTAN, foi abertamente justificada como tratando-se de uma superação histórica do fetiche da soberania nacional, em nome de valores mais altos — ou seja, em nome do valor dos direitos humanos. Desde então, um exército de juristas, filósofos e ideólogos construíram uma nova doutrina de “humanismo militar”, procurando demonstrar que a soberania nacional é um anacronismo perigoso nesta época de globalização. Por isso, pode e deve ser pisoteada, a fim de universalizar os direitos humanos, tal como estes são entendidos pelos países mais avançados e, decerto, ilustrados. Desde o ponto de vista do primeiro ministro britânico – o social-democrata Blair — ao de filósofos liberais célebres como John Rawls, Jurgen Habermas e/ou Norberto Bobbio, sustenta-se que existe uma nova “lei dos povos” — é esse o requintado título do último livro de Rawls – que vem sendo preconizada para legitimar e incentivar intervenções militares por parte dos “povos democráticos” – outra expressão esplêndida de Rawls — e com o fim de levar a liberdade aos povos “não democráticos”. Vemos hoje no Iraque o fruto desta «apoteose» dos direitos humanos. Assim, podemos dizer que, no campo das ideias, a nova hegemonia mundial se baseia em duas mutações fundamentais do discurso dominante na época da Guerra-fria: primeiro, a promulgação do capitalismo, declarado como tal, não apenas como um sistema socioeconómico preferível ao socialismo, mas também como o único modo de organizar a vida moderna, concebível para a humanidade, para todo o sempre. Segundo, a ostensiva anulação da soberania nacional como chave das relações internacionais entre os Estados, em nome dos direitos humanos. Podemos aperceber-nos de uma conexão estrutural entre estas duas mudanças. Um reino ilimitado do capital – quer dizer, dos mercados financeiros contemporâneos - pressupõe um cancelamento de facto de muitas das prerrogativas clássicas de um Estado nacional, que perde a sua capacidade de controlar a taxa de câmbio, a taxa de juro, a sua política fiscal e finalmente a própria estrutura do seu orçamento de Estado nacional. Neste sentido, a anulação jurídica da soberania nacional -- em proveito do humanismo militar -- completa e formaliza um processo de erosão já bastante avançado. Mas há ainda uma terceira mudança, a mais inesperada, que se delineia presentemente. Enquanto o neoliberalismo oferece um marco socioeconómico universal, o humanismo militar propõe um marco político universal. Ou seja, são suficientes, estas duas transformações ideológicas, para constituir uma nova hegemonia mundial? Não, porque uma hegemonia exige algo mais. Exige a existência de uma potência especial, que organize e faça cumprir as regras gerais do sistema. Numa palavra, não há hegemonia internacional sem Estado hegemónico. Este foi um dos pontos fundamentais, tanto da teoria marxista da hegemonia elaborada por António Gramsci, como das teorias anteriores da Realpolitik alemã – cujo matiz político, por outro lado, era conservador. Uma potência hegemónica tem que ser um Estado especial – com uma série de atributos que, por definição, não podem ser compartilhados por outros Estados, dado que são estas peculiaridades as que precisamente fazem uma superpotência sobreposta aos outros Estados. Um Estado especial capaz, pois, de desempenhar um papel universal como garantia do «bom funcionamento» do sistema.
continua...

Formas Exemplares de fazer a Revolução X: Operação Fazer o Echelon dar um estoiro

Copyright © 1998 Gláucio de Araujo

Em tempos o blogue extinto a Vaca K Ri iniciou uma rúbrica chamada "Formas Exemplares de Fazer a Revolução". Recupero aqui o post X por tratar de um assunto que alguns ainda desconhecem e que provavelmente só causaria verdadeira mossa se mais usassem esta forma de pôr um pauzinho na engrenagem, pelo menos dos serviços secretos americanos!

Ver aqui as palavras procuradas automaticamente pelo ECHELON cada vez que alguém as usa. Antes serviam para caçar hipotéticos terroristas (será que algum dos presos de Guantanamo já as usou?), mas parece que o método falhou quando foi preciso mandar umas torres abaixo para que os EUA justificassem uma nova ordem mundial (!). Por outras palavras para justificarem o uso de Echelons e outras formas de controle, como a guerra do Iraque, propiciadora de grandes negociatas bélicas.

O capitalismo acaba sempre por morder no próprio rabo!

(Aconselha-se a leitura das outras formas exemplares de fazer a revolução e propõe-se a criação da vossa parte de outras mais eficazes!)

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Intervenção da CDEP

Imagem Kaótica


Está a ser publicado no blogue da Comissão de Defesa da Escola Pública (CDEP) o Boletim resultante do Encontro de 19/Abril (leia aqui)

Aconselha-se a sua leitura a quem se preocupa com o Ensino
e/ou a quem o Ensino preocupa.

domingo, 20 de julho de 2008

Sinais preocupantes da ausência de valores

Desde pequeno (há muitas décadas!), habituei-me a ver na velha Albion qualidades, ao lado de alguns defeitos, que eram exemplo para as democracias que lhe seguiram o rasto e o culto de alguns valores fundamentais para a humanidade. Porém, recentemente, têm aparecido notícias de que a que transcrevo é uma das mais preocupantes. A falta de sentido das responsabilidades, de competência, de excelência, de vontade de cumprir com exemplaridade, está a baixar de nível de forma acelerada e grave. Já nem há respeito pelos segredos de Estado.

Com tais casos exemplares que são, certamente, um espelho do que se passa pelo mundo, surge a pergunta onde irá parar a humanidade? Dizem que o ozono e o óxido de carbono vão destruir a vida na terra, mas parece que o ser humano se quer antecipar.

Desaparecem 747 portáteis do Ministério da Defesa britânico
Sábado, 19 de Julho de 2008 | 01:00

O Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou sexta-feira o roubo ou extravio de 747 computadores portáteis nos últimos quatro anos, quase o dobro do que havia reconhecido anteriormente.

Além disso, desde Janeiro, 26 dispositivos portáteis de memória, propriedade do mesmo departamento, alguns com informação classificada como «secreta», foram roubados ou extraviados.

Dos 747 computadores desaparecidos, 658 foram roubados e 89 extraviados, e só foram recuperados 32, referiu o ministro da Defesa, Des Browne.

A oposição aproveitou o caso, alegando que é um exemplo da incompetência do Governo de Londres para proteger informação sensível.

Em Junho, foram perdidos em comboios documentos confidenciais, alguns deles sobre a Al-Qaeda e o Iraque.

No final do ano passado, foi também extraviada uma disquete com nomes e números de contas bancárias de milhões de pessoas que recebem subsídios, enviada pelo correio por um pequeno gabinete governamental.

Diário Digital / Lusa

sábado, 19 de julho de 2008

NATURISMO: UMA ALTERNATIVA REALISTA


Visto que este país cada vez produz menos e o que produz está em grande parte nas mãos de grupos estrangeiros, é imperioso investir em actividades que possam potenciar algum desenvolvimento e riqueza para Portugal.
Uma dessas actividades trata-se do naturismo que, segundo os entendidos na matéria, tem sido vítima de esquecimento, desperdiçando-se assim avultadas divisas que tão bem fariam à economia nacional.
Segundo o presidente da Federação Nacional de Naturismo, milhares de turistas acabam por ficar em Espanha, onde a legislação permite a prática desta actividade em qualquer praia e as condições são óptimas no que a centros de naturismo e hóteis diz respeito.
Em Portugal este mercado é incipiente e explorado quase exclusivamente por cidadãos estrangeiros e a oferta existente resume-se apenas a meia dúzia de turismos rurais e parques de campismo.
Ora com tanta procura, designadamente por parte de turistas do norte da Europa, e num país em que o Sol é rei, porque não utilizar instalações abandonadas de fábricas falidas, fraudelentamente ou não, para reimpulsionar a produtividade nacional?
Porque não criarem-se mecas naturistas aproveitando os hectares de terra não cultivada, nomeadamente no Alentejo?
Porque não incentivar a construção de traineiras naturistas, interligando a parte tradicional que os turistas tanto apreciam, com a componente comercial? As traineiras manteriam a tripulação, mas em vez de redes utilizariam cadeiras e espreguiçadeiras, passeando os naturistas estrangeiros em águas territoriais portuguesas, deixando o pescado para os marroquinos e espanhóis.
E por que não ir mais longe ainda e inovar, criando um sub-mercado direccionado exclusivamente a naturistas femininas, oferecendo resorts com atracções típicas regionais, do estilo Zézé Camarinha, certificados com sêlo de qualidade? Enfim um sem número de possibilidades a explorar.
Afinal de contas é necessário investir em força naquilo para que se está dimensionado, aproveitando as características e potencialidades próprias de cada país.
Cada um tem que se especializar naquilo em que acredita ter mais sucesso. Os árabes tratam do petróleo, os americanos do armamento e da tecnologia de ponta, os asiáticos do arroz, etc.
Nós, portugueses, temos que direccionar toda a nossa energia e criatividade para a indústria do Naturismo, um sector com enormes potencialidades ainda por explorar e que certamente faria em muito diminuir a taxa de desemprego e aumentar o PIB nacional.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

IDEIAS PARA A ALTERNATIVA (PARTE IV)

Reliable image uploads!

O meu tema desta noite é a batalha de ideias na construção de alternativas. Como podemos compreender este campo de batalha? É um terreno ainda dominado, obviamente, pelas forças que representam o que, na nossa perspectiva, designamos uma nova hegemonia mundial. Pois bem, para abordar a questão das alternativas, é preciso primeiro analisar os componentes desta nova hegemonia que, na nossa visão, representa algo de novo. Em que consiste esta novidade? Se Marx tinha razão, ao dizer que as ideias dominantes no mundo são sempre as ideias das classes dominantes, é muito claro que estas classes -- em si -- não mudaram nada nos últimos cem anos. Os donos do mundo continuam a ser os proprietários dos meios materiais de produção, à escala nacional e internacional.
No entanto, é igualmente claro que as formas da sua dominação ideológica se modificaram significativamente. Quero iniciar a minha intervenção com algumas observações a propósito, focando mais precisamente os tempos e os contornos da presente mutação. Se olharmos para a situação mundial após a derrota do fascismo em 1945, com o início imediato da Guerra Fria, que dividiu os antigos aliados da Segunda Guerra Mundial, o conflito entre os dois blocos -- o Ocidente liderado pelos EUA e o Leste liderado pela União Soviética -- este conflito configurava-se, objectivamente, como uma luta entre o capitalismo e o comunismo, e como tal foi definido pelo lado oriental, ou melhor, pelos soviéticos.
Quanto ao sector ocidental, os termos oficiais da luta eram completamente diferentes. No Ocidente, a Guerra-fria era apresentada como sendo uma batalha entre a democracia e o totalitarismo. Para descrever o bloco ocidental, não se utilizava o termo «capitalismo», considerado basicamente um termo do inimigo, uma arma contra o sistema, em vez de uma descrição do mesmo. Falava-se da “livre empresa” e – sobretudo – do «Mundo Livre», não do «Mundo Capitalista». Neste sentido, o fim da Guerra-fria produziu uma configuração ideológica inteiramente nova. Pela primeira vez na História, o capitalismo começou a proclamar-se como tal, com uma ideologia que anunciava a chegada de um ponto final do desenvolvimento social, com a construção de uma ordem baseada em mercados livres, para além da qual não se podem imaginar melhorias substanciais. Francis Fukuyama deu a mais ampla e ambiciosa expressão teórica desta visão do mundo no seu livro «O Fim da História». Mas, em outras expressões mais vagas e populares, também se difundiu a mesma mensagem: o capitalismo é o destino universal e permanente da humanidade. Não há nada fora deste destino final. Aqui reside o núcleo do neoliberalismo como doutrina económica, ainda maciçamente dominante a nível dos governos em todo o mundo. Esta jactância fanfarrona de um capitalismo desregulamentado, como o melhor possível de todos os mundos, é uma novidade do sistema hegemónico actual. Nem sequer no século dezanove, nos tempos vitorianos, se proclamavam tão clamorosamente as virtudes e necessidades do reino do capital. As raízes desta mudança histórica são claras: trata-se de um produto da vitória total do Ocidente na Guerra Fria, não simplesmente da derrota, mas ainda mais, do completo desaparecimento do seu adversário soviético, e da consequente euforia das classes possidentes, que agora já não necessitavam de continuar a recorrer a eufemismos ou a rodeios para disfarçar a natureza do seu domínio. Mas se a principal contradição do período da Guerra-fria tinha sido o conflito entre capitalismo e comunismo, este tinha estado sempre sobredeterminado por outra contradição global: a luta entre os movimentos de libertação nacional do Terceiro Mundo e as potências coloniais e imperialistas do Primeiro Mundo. Por vezes, as duas lutas fundiram-se ou entrecruzaram-se, como aqui em Cuba, ou na China e no Vietname. O resultado de uma longa história de combates anti-imperialistas foi a emergência em todo o mundo de estados nacionais formalmente emancipados da subjugação colonial e dotados de uma independência jurídica, gozando inclusive de assento nas Nações Unidas. O princípio da soberania nacional — muitas vezes violado na prática pelas grandes potências, mas nunca posto em causa, ou seja, sempre afirmado pelo direito internacional e solenemente inscrito na Carta das Nações Unidos — constituiu a grande conquista desta vaga de lutas no Terceiro Mundo. Mas nas suas lutas contra o imperialismo, os movimentos de libertação nacional viram-se beneficiados – objectivamente – pela existência e a força do campo soviético. Digo objectivamente porque nem sempre – ainda que o tenha feito em muitos casos – a União Soviética ajudou, subjectivamente, os movimentos em questão. No entanto, ainda quando lhe faltasse um apoio material ou directo por parte da União Soviética, a simples existência do campo comunista impedia o Ocidente, e sobretudo os Estados Unidos, de esmagar estas lutas com todos os meios ao seu dispor e sem temer resistências ou represálias. A correlação global de forças não permitia, depois da Segunda Guerra Mundial, o tipo de campanhas de extermínio livremente praticado (pela França em Marrocos ou pela Inglaterra no Iraque) depois da Primeira Guerra Mundial. Mesmo os Estados Unidos sempre cuidaram de se apresentar perante os países do Terceiro Mundo como uma nação anti-colonialista, como o produto da primeira revolução anti-colonialista do continente americano. A competição diplomática e política entre o Ocidente e o Leste no Terceiro Mundo, favorecia os movimentos de libertação nacional.
continua.....
Retirado do livro de Perry Anderson - Zona de Compromisso

domingo, 13 de julho de 2008

Confiança no Poder é indispensável

Um comentário de Fernando Vouga, enfatiza a necessidade de confiança dos cidadãos na honestidade e competência dos governantes, o que merece ser meditado de forma séria pelos políticos. Por isso aqui trago algumas cogitações sobre o tema.

Como militar, com brilhante folha de serviços ele sabe que um líder só o é integralmente quando inspira total confiança nos seus seguidores. Sabe, por teoria e por prática, que um comandante, principalmente nos mais baixos escalões, se não inspira confiança nos seus subordinados de forma a estes o seguirem até à morte, poderá, num momento crítico, olhar para trás e verificar que está sozinho, o que será um «suicídio», pois não será poupado pelo inimigo que, a seguir, destruirá também a sua unidade.

Um fraco rei faz fraca a forte gente. E no futebol, a confiança no treinador é indispensável para a equipa ganhar o campeonato. Não é por acaso que muito se fala no moral do balneário.

Entre nós, a falta de confiança nos políticos além de experiências anteriores, tem agora razões muito fortes e persistentes: desde a confusão sobre as habilitações literárias, às promessas falsas e enganadoras, à «politica do chocolate», às «medidinhas», ao aparecimento nas TVs só para se mostrar, com o disfarce de mais uma promessinha, ao deslocamento a qualquer promoção empresarial como a do carro eléctrico, as viagens ao estrangeiro quando as comunicações permitidas pelo choque tecnológico, tanto do gosto do actual Governo, permitem a conversa e a negociação sem sair do gabinete, tudo isso mina a confiança que existia no início.

O caso da promoção da Nissan-Renault foi caricato, não só pelo desconhecimento da lei sobre um caso em que tinha decidido falar, mas principalmente pela aparente intenção de querer fazer passar a ideia de que o carro eléctrico foi uma criação deste Governo, ou de Portugal!!! Ou de que a substituição do petróleo seja uma invenção de portugueses!!! Como se pode ter confiança em alguém que age como um mau vendedor da banha da cobra?

Mas, repito aquilo que aqui já escrevi de que, nos primeiros meses, considerei que este foi o melhor primeiro-ministro depois do 25 de Abril, porque mostrou intenção de fazer as reformas, que de há muito eram necessárias, na estrutura do Poder, para desenvolver Portugal em benefício dos portugueses. Porém, começou por criar uma equipa fraca e por não a liderar de forma coerente e eficaz, com uma estratégia dirigida para objectivos bem definidos, e concretizada de forma coordenada e controlada. Fracasso, de que resultou um conjunto de recuos, com os cidadãos a apertarem os cintos diariamente enquanto os tubarões vêm a barriga crescer, alargando os cintos de forma ostensiva e desavergonhada.

Infelizmente o mal já vem de longe, já o Eça, o Guerra Junqueiro e outros descreviam o «estado» da época com palavras que ainda hoje são actuais. Grande parte dos nossos políticos, tendo saído de um povo atrasado, não souberam sobressair e mostrar capacidade e competência. Tive um mestre agora falecido e de quem tenho saudades que, em 1980, num curso de pós graduação de um ano lectivo em que o tema de fundo era «O Portugal que somos», a propósito dos portugueses, dizia «somos poucos, pobres e profundamente ridículos». Desde então, não temos melhorado em eficácia, mas as despesas dos governantes têm aumentado em espiral.

Para se concretizarem as reformas de que o País precisa com urgência a fim de não continuar a afastar-se a ritmo tão acelerado da média europeia, é indispensável conquistar a confiança dos cidadãos, de qualquer quadrante, para aderirem com esperança de êxito às alterações. A oposição deve comprometer-se com as reformas a fim de que estas não sejam colocadas de lado na mudança de Governo, deitando por água abaixo o esforço feito e os recursos gastos e os que deixaram de ser criados.

Mas a confiança não se conquista nem se mantém com inverdades, jogo oculto, medidas injustas, favoritismos, conluios, corrupção, medidinhas, «política do chocolate», «tachos dourados» e «pensões milionárias». Já não é cedo para se entrar no bom caminho, e, por isso, não convém adiar mais.

sábado, 12 de julho de 2008

Coisas Imaginárias

Das várias definições de ficção escolhi esta da Enciclopédia Larousse: "Acto ou efeito de simular, fingimento; criação do imaginário, aquilo que pertence à imaginação, ao irreal; fantasia, invenção". Isto para chegarmos à ideia que vivemos num mundo completamente ficcionado, refiro-me aos preços de bens materias e não materiais. A Lei da oferta e da procura serviria na sua génese para equilibrar preços e produções consoante as variáveis da oferta e procura. A explicação lógica tem a melhor das intenções, logo, viveríamos num mundo mais justo e com o preço mais justo. Só que a natureza humana consegue desvirtuar em absoluto este sistema, que, poderia resultar numa comunidade de seres éticos e com respeito pelo o próximo. Mas como o nosso estado evolutivo ainda é a selva, acontece exactamente o contrário.
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Vejamos, na nossa sociedade, uma pessoa que fala sozinha, que diz que vê coisas que mais ninguém vê, diz-se logo que está maluquinho ou não é muito certo da cabeça. Vamos agora supôr a seguinte situação:
"Um homem chega a casa depois da sua jornada de trabalho e a sua mulher pergunta-lhe como correu o seu dia, ao qual ele responde - Olha eu hoje comprei uma produção de trigo que ainda não existe e vendi 2 toneladas de café da Indonésia que ainda não foi cultivada e tenho três petroleiros parados no oceano à espera que o preço suba mais um pouco. A mulher diz-lhe - Querido voltaste a esquecer-te de tomar o Prozac outra vez!" (esta última sou eu a brincar).
Ou seja, o mercado de capitais, é o irreal, aquilo que não existe, a ficção, só que, revestido de seriedade, credibilidade porque se dá valor a isso. Todos os dias úteis se transfere muito, muito dinheiro de uns para outros. É tudo virtual. Ninguém vê a cor do dinheiro. Tudo contabilisticamente guardado em suportes informáticos.
Há muitos anos na América alguns financeiros propuseram a agricultores que lhe davam X pela sua próxima produção. O agricultor que dependia do factor climatérico para ganhar mais ou menos, aceitava, porque assim, tinha um rendimento certo. Então se tinha um ano muito bom e o lucro da sua produção era X+Y ele ficava com o X contratado com o financeiro e este ficava com o Y. Se fosse ao contrário ganhava na mesma o X e ficava o financeiro com o prejuízo. Assim foram os primódios dos futuros. Hoje é muito mais complexo, mas, a base é igual.
Que o diga o Société Générale (banco francês) que no ano passado - por intermédio de um seu funcionário - perdeu muitos milhões de euros, ou seja, passaram para outras mãos. Os responsáveis logo se descartaram de que nada sabiam, nem os auditores, ninguém sabia de nada. Descredibilizaram o rapaz dizendo que ele não era muito certo e tal, técnica habitual. Só que, quando ganhava dinheiro para o banco estava tudo bem.
Os preços das acções das empresas não reflectem o real valor das mesmas. Especula-se, espalham-se boatos, são dadas informações a conta-gotas, tudo, para manipular os preços, e claro está, ganhar dinheiro. Há conta de quem ? Não interessa.
Nos luxuosos restaurantes de Manhattan decide-se o fecho de fábricas no outro lado do mundo. Importa lá se há pessoas que deram quase uma vida inteira de trabalho para a empresa. Tudo está no deve e haver.
Veja-se por exemplo o caso da Galp no Brasil. Estratégicamente sai a informação que se descobriu mais um poço de petróleo e logo as acções disparam. Quando já têm a informação toda, compassam-na no tempo para subir o valor das acções a seu bel-prazer.

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Diamantes, outro exemplo, de manipulação artificial de preços. Sei através de um familiar que trabalhou muitos anos numa Companhia Belga na Lunda Norte em Angola que diamantes há muitos. Mesmo muitos. E que depois da independência também serviu para financiar a máquina de guerra da UNITA. Nos pescoços de muitas madames brazonadas e nas colecções de jóias de casas reais está uma pequena percentagem dos diamantes prospectados e lapidados. Existe um monopólio de algumas Companhias Belgas e Holandesas que compram tudo o que aparece e guardam, muito bem guardadinho em Antuérpia e Amsterdão (do que se sabe) muitos diamantes em bruto vindos de África, de zonas de guerra, alguns ainda vêem com sangue de alguém que foi para o Extrafísico. Mas, facto, é que o diamante, é uma pedra preciosa, uma pedra rara e valiosa. Morre gente em guerras inócuas, gente que fica estropiada e crianças que ficam sem Pais. Mas o Preço é que interessa. Azar de quem foi apanhado no meio. Interesses mais relevantes se impõem. O Filme "Blood Diamonds" feito para o mass-market e tirando as Loves Stories que adornam habitualmente estes produtos, está muito bom e mostra bem a questão dos diamantes em África.

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A questão do sub-prime americano outra ficção imaginária da sobre-valorização dos imóveis, serve de desculpa para tudo, quando se fala de que isto está mau. Lá muita gente não consegue pagar os empréstimos, depois os bancos executam as hipotecas, no final as habitações valem muito menos do que está escriturado e o valor que lhes dão nem dá para limpar o rabo.
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Por fim a Galp. Todos batem na Galp nos dias de hoje. Entre as petrolíferas a Galp é o elo mais fraco, todos nós sabemos. Mas volto à questão ética. Obviamente que esta situação tem suporte legal e admnistrativo. Mas moral e éticamente como é possível a mesma empresa que compra o petróleo no mesmo fornecedor, refina nas mesmas instalações, tem preços muito diferentes em Elvas e Badajoz. É uma questão a pensar. O nosso (des)governo diz que não tem margem orçamental para baixar o ISP mas não tem qualquer problema em estar a ganhar mais receita com o aumento dos preços.
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Qualquer semelhança com a realidade deste post é pura coincidência.
Post Scriptum : Post de 2008/05/29

quinta-feira, 10 de julho de 2008

A PROPÓSITO DE ALTERNATIVAS...



Hoje é um dia histórico. Pelo menos para mim. A partir deste preciso momento, o Estado Português deixou de contar com um cidadão honesto, sério e cumpridor dos seus deveres e obrigações.
Até então, ao longo dos meus 201 anos, tenho pautado a minha conduta de vida pela lisura, por ideais e por princípios bem defenidos, muitas vezes em detrimento da minha própria satisfação pessoal.
Acabou-se! Acabou-se a mama toda! Chega de ser olhado como um allien, ser tratado como um marreta, ser apelidado de teimoso, casmurro, quezilento, revolucionário, outsider, do contra! Chega!
Estou farto desta gentalha que consporca este país, onde tive a sorte ou o azar de ter nascido; farto desta podridão de valores e atitudes que me rodeia por todo o lado; farto desta presunção globalizada que toma conta da massa cinzenta dos carneiros belmirescos; farto deste cancro de corrupção que mina a sociedade; farto desta trilogia de lambe-botismo, chibaria e compadrio que corroe as empresas, o aparelho do estado e, no fundo, todos os sectores da sociedade portuguesa.
Estou farto! Aliás, já estou farto desta merda há muito tempo. Mas hoje o saco do aspirador rebentou e a merda acumulada esvoaçou a pelo menos 3 kms de altura.
Quando um homem circula no comboio e chama a atenção do revisor para um cabrão qualquer que se diverte a esfregar os cascos nos assentos que os outros utentes vão utilizar, o que é que pode acontecer? O lógico é o revisor advertir o cabrão, correcto? Não, o revisor responde:
- O que é que eu tenho ver com isso? Se quiser vá lá voçê!
Quando um cliente é multado porque se esqueceu de validar o título de transporte, o que é que pode acontecer? O lógico é ser advertido pelo inspector para a necessidade de validar o título, correcto? Não, o cliente é identificado e aplicada uma multa de 185 euros! E o que é que se segue? O cliente deverá proceder ao pagamento da multa dentro do prazo estabelecido, correcto? Correcto. A não ser que... A não ser que a coisa se esqueça se, o cliente entretanto "persuadido", fizer o obséquio de passar para as mãos do filho da puta do inspector metade do valor da multa.
Estes insignificantes mas preciosos exemplos são bem demonstrativos do estado generalizado em que se encontra este país. Podre de ideias, podre de ideais, podre de princípios, podre de valores. Podre. Premeia-se o demérito, desvaloriza-se o mérito, incentiva-se a mesquinhez, deprecia-se o carácter.
Na minha empresa utiliza-se uma máxima engraçada: "Quem trabalha muito erra muito, quem trabalha pouco erra pouco, quem não trabalha não erra, quem não erra é promovido." Então e quem trabalha muito e erra pouco?
Para além disso o chupista do director utiliza a velha regra do bolo para a distribuição dos aumentos, quando os há. 50% da verba disponível para ele, 35% para distribuir por meia dúzia de bufos e lambe-botas de que se faz rodear, e os 15% que sobram pelos restantes funcionários, que não são tão poucos como isso.
Mensalmente recebo na minha caixa de correio facturas para pagar plenas de ilegalidades, com valores acrescidos de taxas, sobretaxas, suplementos e estimativas. Todos nós sabemos que estamos a ser gamados e então? Contrata-se um advogado e processa-se aquela escumalha toda? Gasta-se uma pipa de massa em honorários? Perdem-se dias de trabalho para fazer a coisa andar? Eles bem sabem que muito dinheiro arrecadam por falta de iniciativa do cliente em fazer valer os seus direitos. Eles bem sabem que é o cliente que tem de provar a ilegalidade. Eles bem sabem que a grande maioria fecha os olhos e deixa andar porque não tem tempo nem dinheiro para avançar na defesa dos seus direitos. Todos têm a mesma filosofia, o mesmo marketing, a mesma linha de actuação, bancos, seguradoras, empresas de fornecimento de água, gás, electricidade. Todos.
Quando contratei o meu crédito habitação num banco que é um autêntico mini-mercado de bairro, visto derivar da junção de três mercearias de esquina, apresentaram-me 3 spreads diferentes em 3 balcões diferentes. No último, aquele onde pretendia fazer o empréstimo ofereceram-mo 0,8%. Disse que não. Já me tinham oferecido 0,39%. Onde, perguntou a criatura?
- Noutra dependência, respondi eu.
- Qual? Questionou a criatura.
- Não posso dizer. Respondi eu para não melindrar a "concorrência" interna.
- Acho muito estranho, porque este banco tem uma política interna de spreads igual. Retorquiu a criatura.
- Ah sim? Então analise a situação e depois diga-me qualquer coisa, porque se não baixar o spread vou pregar para outra freguesia. Ataquei eu.
Ao sair a porta do banco toca o telemóvel. Atendo. Era a criatura que se desfez em desculpas. Afinal eu tinha razão, tinha confirmado (que rapidez!) e houve um lapso interno, coisa que não costuma acontecer, etc. e tal. Fiquei com os 0,39%.
Quando mudei de casa, liguei para a Cabovisão a perguntar qual o procedimento que deveria ter para continuar a usufruir do serviço. Disseram-me que não precisava de fazer nada. Bastava indicar a nova morada, o dia e a hora em que queria que a instalação fosse feita e já está.
Muito bem, à hora do dia combinado os técnicos apareceram, activaram o serviço, assinei a folha e bye bye.
Nos 3 meses seguintes não recebi qualquer factura. Estranhei. Até que um dia ligam-me para o telemóvel a comunicarem-me que tinha 3 meses em atraso por pagar e que se não procedesse à liquidação cortavam-me o serviço. Expliquei que tinha mudado de casa e tinha indicado a nova morada à Cabovisão, mas que até ao momento ainda não tinha recebido qualquer factura. A criatura apressou-se a verificar no sistema e informa-me que estava tudo correcto, as factura tinham sido emitidas e enviadas para a nova morada.
- Mas olhe que até ao presente ainda não recebi nenhuma. Atalho eu.
- Não pode ser, está tudo correcto. Continua a criatura.
- Então para onde é que estão a mandar a carta? Pergunto eu já desconfiado que a morada não devia estar correcta no sistema deles.
- Para tal e tal, nº 2.
- Nº 2??!! Mas eu moro no número 3! Exclamo eu cá a pensar para os meus botões que os mentecaptos nem são capazes de anotar uma morada.
- Não pode ser. A informação que tenho é que é o 2.
- Ó minha senhora, o nº 2 nem existe. Quando comuniquei a nova morada referi de certeza nº 3. Além disso estiveram cá os seus colegas a fazer a activação. Como é que eles sabiam que eu morava no nº 3 se aí tem o nº 2? Qualquer coisa não funciona por aí.
- Realmente tem razão. Lamentou a criatura depois de uma aturada verificação.
- Mas, sabe, nós só podemos fazer a alteração se nos enviar um comprovativo da nova morada, um recibo de EDP, da água, qualquer coisa. Continua a criatura.
- O quê? Então eu comunico a morada, dizem-me na altura que não é precisa mais nenhuma formalidade, mandam uma equipa técnica fazer a activação ao número correcto e agora vem-me dizer que tenho que lhe mandar um comprovativo? Então não tem aí a ficha técnica assinada por mim em como os técnicos estiveram nesta morada?! Explodo eu.
- Só um momento, vou passar a um superior. Responde a criatura algo envergonhada.
Volto a explicar o sucedido à criatura nº 2 e, depois de uma longa e aturada dissecação, a mesma responde-me que está bem. Vão passar a enviar a correspondência para a morada correcta (até parece que era um favor que faziam...) MAS teria que proceder à liquidação dos meses atrasados quanto antes senão nada feito.
Ora, então expliquei à criatura que para pagar qualquer coisa tenho que ter na minha posse uma factura com os valores discriminados e os serviços prestados que, certamente, a Cabovisão também não pagava aos fornecedores sem uma factura. Pois sim, e tal, mas não. Ou sim ou sopas.
Marreta por marreta, eu considero-me mais do que eles e nada feito, não paguei. Passado algum tempo chego a casa pego no telefone e... nada. Os cabrestos tinham-me cortado a ligação (o serviço contratado inclui TV cabo + internet + telefone) sem ao menos um pré-aviso. Furibundo ligo para o número de assistência, o único que funcionava, e peço para falar com o graduado de serviço.
- Mas de que é que se trata? Qual é o seu número de cliente? Atalha outra criatura.
- Ó minha senhora, passe-me aí ao superior, que é para eu não estar para aqui a repetir a história vezes sem conta. Se eu lhe vou dizer a si a senhora não vai conseguir resolver nada, por isso, para não perdermos tempo, ligue-me ao carola de serviço. Desabafo eu.
Depois de esperar algum tempo, surge-me uma "encomenda" com vozinha de torrada com mel, explico-lhe o sucedido com toda a calma e aguardo pela reacção dela.
- Ah pois, mas agora para activar novamente o serviço, só pagando as facturas atrasadas. Reage a criatura.
- Mau, mau Maria! Ou ligam-me esta merda já ou isto vai acabar mal. Rebento eu.
Munido de alguns decretos-lei, alguns inventados, diga-se de passagem, trituro a criatura numa berraria enorme, ameaçando a Cabovisão com a ANACOM, a DECO, os jornais, as televisões, os tribunais e, inclusive com uma chacina sem limites que incluía caçadeiras, matracas e catanas. Para terminar ameaço-a que desligo eu próprio a ligação, espeto com aquilo tudo na rua e contrato os serviços da concorrência que, aliás, já andava a sondar persistentemente as possibilidades de adesão.
E parace que foi exactamente este último argumento, mais do que todos os outros, que demoveu a criatura de não reactivar o telefone.
A situação resolveu-se, mas sem que eu tenha deixado de apresentar queixa no Livro de Reclamações da empresa e junto da ANACOM.
Esta história serve como mais um exemplo da cultura comercial e da forma como estas sanguessugas tratam e consideram os seus clientes, no fundo, o seu mais precioso bem.
Este exemplo seria facilmente extensível a inúmeras empresas prestadoras de serviços por este país fora, como concordarão. O desleixe, a falta de organização, de método, a impreparação do pessoal, a falta de formação profissional e, em muitos casos, a falta de higiéne e segurança no trabalho, aliados à qualidade geral medíocre de gestores postos em cargos de grande responsabilidade são grandes males que atrofiam constantemente o desenvolvimento económico do nosso país.
Por tudo isto e por muito mais que haveria a dizer e, face à conclusão de que 800 anos não foram suficientes para mudar mentalidades, outros 800 também não adiantarão muito, o Marreta a partir de hoje vai passar-se para o inimigo, ou seja, para o amigo a partir de agora. A ilegalidade, a fraude, a corrupção, passiva e activa, o crime, vão passar a fazer parte da cartilha de actuação desta alminha pecadora.
Para tudo o que for ilegal e nefasto, ou seja, no fundo, para tudo o que seja bem visto pela sociedade actual podem contar com o Marreta. Se o crime compensa, o Marreta vai ser compensado.

terça-feira, 8 de julho de 2008

A este Burlesconi não há-de faltar o spaguetti


Maior fabricante de massas diz que biocombustíveis são uma "loucura"
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