segunda-feira, 30 de junho de 2008

O ENDIVIDAMENTO COMPULSIVO DO PORTUGA


A poucos dias de uma nova subida das taxas de juro, os dados relativos à situação de endividamento de uma grande quantidade de famílias portuguesas é, no mínimo grave e preocupante.
Os portugueses ocupam os primeiros lugares do top europeu, atingindo o endividamento particular 90% (!!!) do PIB, agravado pela incapacidade de cumprimento das dívidas, que disparou 60% (!) no mês de Abril.

Habituados a um nível de vida surreal, conseguido à custa de empréstimos sobre empréstimos, os portugueses, bombardeados diariamente por apelativos incentivos ao consumo desmedido, afundam-se cada vez mais num mar de dívidas na ânsia neurótica de atingir a materialista felicidade suprema. Massacrados por bancos e instituições especializadas em crédito pessoal, não conseguem resistir à tentação de se tornarem em maus ilusionistas que manobram as contas mensais em seu desfavor, gastando mais do que recebem.

Tecnicamente falando, uma enorme fatia da população está falida, ou para lá caminha, mas continua a não enjeitar o "luxo" de poder ostentar um crocodilo na camisete, três faixas diagonais nos ténis, um télélé 3G de última geração, lunetas de sol de centenas de euros e, claro, o imprescindível pópó, o ex-líbris máximo da ostentação, nem que seja para fazer inveja ao vizinho mais comedido. Quanto ao jantar, logo se vê, afinal sempre há o McDonalds que é barato, é "in", agora até parece que é saudável e sempre dá uns brindes para os putos.

Para tudo o português recorre ao crédito. Desde os calcantes da Charles ao plasma de grandes dimensões (sim, porque não pode de maneira alguma ser mais pequeno que o do vizinho, nem pensar!), passando até, pasme-se, pela compra de uma animal de estimação e finalizando na viagem de férias à meca do jet-set, tudo é bom motivo para endividamento.

Afinal, o que parece contar, ditar as regras e estabelecer a escala de valor e consideração pelo próximo nos dias de hoje, é a ostentação, a imagem, os sinais exteriores de riqueza e não a virtude, os valores, as ideias e as capacidades de cada um. É o pseudo novo-riquismo instituído na sua pior vertente de camuflante da pobreza escondida, promovido por um conceito erróneo de sucesso e felicidade e sustentado por uma miríade de sanguessugas que se deleita com os fabulosos lucros anuais arrecadados à custa da desgraça alheia.

Este país não precisa apenas de uma revolução política e económica mas, também e fundamentalmente, de uma revolução de ideias e mentalidades. Não podemos continuar a viver num país de faz-de-conta, onde a população ensaboada pelo marketing político e lavagens cerebrais parece viver eternamente iludida.

Este presente não é, nem pode ser o futuro.

Desertificação do interior - 3

Transcreve-se o texto publicado no jornal gratuito «Global Notícias» e, no fim juntam-se alguns links de posts já publicados neste espaço, sobre este tema.

Aqui o vazio - Desertificação
Global Notícias, 080630

Ricardo J. Rodrigues

Na aldeia de Cubas vivem apenas dois casais, mas estão zangados um com o outro. Em Sanguinhedo já não vive ninguém. O despovoamento do interior atinge níveis alarmantes.

População: quatro, dois contra dois. Há dez anos que os vizinhos de Cubas, concelho de Vila Pouca de Aguiar, andam desavindos. Na aldeia vivem apenas dois casais, estão azedos um com o outro por causa da limpeza de uns terrenos. Francisco Costa, 67 anos, e Maria da Liberação Alves, 59, acabam de amanhar um nabal às portas da aldeia. Agora, é preciso juntar os pés em molhos, atá-los bem e levá-los para qualquer lugar seco. O homem ocupa-se de agrupar a alfaia, a mulher de carregá-la para o celeiro. No caminho da horta para a povoação, é inevitável que cruzem a casa de José Diegas, 71, e Nazaré Costa, 76.São os dois outros habitantes de uma aldeia cheia de casas vazias e terra que nada produz. José decide vir à rua, Liberação passa-lhe ao largo sem o cumprimentar. "Um homem não se põe debaixo dos pés de ninguém", explicam os dois chefes de família mais tarde, coincidindo no argumento para a zanga. Nesta povoação desolada, o silêncio é ensurdecedor…

População: sete, mais um a caminho. Samaria está grávida. Ela e Carlos Diegues instalaram-se há um ano em Cerdedo, concelho de Vinhais. Ele tem 31 anos, viveu 18 em Espanha.
Ela é de Salamanca, tem 24. Ambos apresentam o corpo coberto de tatuagens e piercings, Carlos também tem quatro rastas a enfeitar-lhe o cabelo curto, mas prometeu cortá-las no dia do nascimento do filho. A sua chegada teria provocado uma enorme estranheza entre os quatro moradores da povoação, não fosse o facto do jovem casal ter trazido consigo Lúcia, a filha de três anos. É a única criança que a aldeia vê crescer em décadas. Daqui a sete meses, a família poderá orgulhar-se de ter duplicado a população da aldeia. Cerdedo está a lutar contra o desaparecimento.

População: zero. A aldeia de Sanguinhedo morreu. Ou antes, foi morrendo. Há seis anos, os dois últimos residentes decidiram mudar-se para Braga, depois de os restantes terem morrido ou emigrado. Hoje, não é mais do que um povoado deserto no concelho de Montalegre, no lado transmontano do Gerês. Está tão visivelmente abandonado, que o chão da única rua que o atravessa está coberto de musgo. Ao longo do caminho, uma vintena de casas de granito, algumas com portas e vidraças cerradas, outras arruinadas. O mato tomou conta de uma – rachou-lhe paredes, rompeu-lhe soalhos, encheu-lhe a sala de giestas e urze. De resto, e um pouco por todo o lado, não se vê outra coisa que não sejam despojos: caixas de correio danificadas, uma arca vazia e podre, panos de loiça pendurados num prego, um arado ferrugento. É como se aldeia tivesse sido dizimada pela peste e todos os seus habitantes
fugido à pressa. Na verdade, o primeiro facto assinalável que se observa quando se chega
a Sanguinhedo, é que alguém se esqueceu de fechar a torneira da fonte.

Metade do país está em processo de desertificação humana e, nas serranias transmontanas, o fenómeno é particularmente visível. Enquanto no Sul a população está mais dispersa, aqui ela sempre esteve concentrada em aldeias. Isso significa que não faltam povoações inteiras mortas ou moribundas – em nenhum outro lugar a ferida do despovoamento ficou tão exposta. "O pior é que é cada vez mais difícil atrair população", diz Lívia Madureira, economista e directora do Centro de EstudosTransdisciplinares para o Desenvolvimento, da Universidade deTrás os Montes e Alto Douro. "Os serviços vão sendo afastados das pessoas, a oferta de emprego está mais dependente do sector público, a iniciativa agrícola não é incentivada. Queremos que os jovens se fixem no interior, mas onde é que eles vão pôr os filhos a estudar? Onde é que vão ao médico? De que se vão ocupar? Como é que lhes dizemos que a região
deles tem potencialidade?"

Os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) são esclarecedores. Dos 236 400 habitantes que moravam no Alto Trás os Montes em 1991, sobravam 221 mil em 2001.Calcula-se que hoje não haja mais de 212 mil moradores na região (só o censo de 2011 poderá fornecer dados exactos). No Alto Douro, o número desceu de 239 700 para cerca de 210 mil. O Vale do Tâmega também está a perder gente e apresenta índices inquietantes de envelhecimento da população – 181 idosos por cada 100 jovens. No que toca ao emprego, a mesma cantiga." Em 2001, mais de um quinto dos jovens economicamente activos
residentes nesta comunidade estavam desempregados. O mesmo acontecia com 16% das mulheres", lê-se num estudo do INE sobre a área da fronteira Norte de Portugal. Um relatório de 2007 da mesma instituição alerta para o facto de o poder de compra per capita ser, em municípios como Vinhais, Montalegre ou Vila Pouca de Aguiar, inferior a 50% da média nacional.

Amélia Cavaca Augusta tem uma teoria para explicar o que se passa hoje em Trás os Montes, mas também na Cova da Beira, no Alentejo Interior ou no Norte Algarvio. "Os problemas do interior não são diferentes dos do país, simplesmente têm uma expressão muito mais acentuada ao longo de toda a zona raiana", defende a socióloga, especialista em Mudanças e Transformações Sociais. Saúde, educação, emprego, competitividade económica – a manta destapou aqui. Este é um Portugal extremado ao mínimo, cada vez mais magro e curvado à idade. Os que ficam fazem-no por opção ou falta de oportunidades. Só podem ser chamados
de resistentes.

Os efeitos do despovoamento humano são, em primeiro lugar, económicos. Sem pessoas não se gere o território, não se produz riqueza, não há desenvolvimento sustentado. Mas são as feridas ambientais que estão cada vez mais à vista. Como os matos deixam de ser limpos, o risco de incêndios aumenta. O fim da agricultura e da pecuária tornam os solos áridos e ameaçam a biodiversidade. Já em 2005, Vítor Louro, coordenador do Programa de Acção Nacional para o Combate à Desertificação, alertava no Diário de Notícias que o abandono das terras está a acelerar o processo de desertificação dos solos. “Neste momento, o fenómeno atinge 36% do Continente. No espaço de duas décadas, se continuarmos
a este ritmo, o valor subirá para 66%.”

Paulo Alexandre Neto é investigador na Universidade de Évora, especialista em Desenvolvimento Regional e Planeamento Estratégico. Segundo ele, a desertificação do
interior decorre de um processo histórico. “Portugal sempre viu a sua fronteira atlântica como factor de orgulho nacional. Nunca se preocupou muito com a sua identidade europeia, ou seja, com a fronteira espanhola. O país era um império colonial e, devido à sua reduzida dimensão populacional, os recursos foram sendo canalizados para o Brasil ou África.”Aponta depois o caso espanhol para estabelecer as diferenças. “Nos anos 40, durante o regime de Franco,
foram criados planos de ordenamento do território de modo a que toda a superfície do país tivesse ocupação humana. A verdade é que hoje eles têm cidades de 400 mil habitantes
por toda a parte, que conseguem estancar a sangria do interior. Em vez de fugirem para a capital ou para o estrangeiro, as pessoas mudam-se para essas urbes, o que lhes permite voltar facilmente às suas aldeias. Aqui, nunca se pensou no que se queria fazer com cada parte do país.” Até hoje.

Sanguinhedo sucumbiu, Cubas definha, Cerdedo luta desesperadamente contra a fatalidade.
Juntas, não escrevem mais do que a crónica de uma morte anunciada. Ninguém pode negar que, hoje, metade do país agoniza, sem soluções à vista. Os resistentes são como um exército decadente, onde há mais dissidentes que soldados e a que ninguém distribui armas. A incompetência no ordenamento do território criou uma nação caricata. O centro das grandes cidades está vazio, os subúrbios cada vez mais sobrelotados e o interior sangra, despovoado.

O centro das cidades está a ficar vazio, os subúrbios ficam sobrelotados e o
Interior do país despovoa-se. Hoje, metade do país agoniza, sem soluções à vista. Em Espanha, há grandes cidades por toda a parte, que estancaram a sangria. Em vez de irem para Madrid, as pessoas fixam-se nessas cidades e voltam facilmente às aldeias de origem.

Links de posts anteriores:

Desertificação do interior - 2
Desertificação do interior - 1
Lição da China contra a desertificação
O Interior abandonado pelo Governo
Maus governantes ao sabor de manifestações
O interior português está ostracizado
Ministro da Saúde avança e recua

domingo, 29 de junho de 2008

Nunca 30 000 foram tão poucos

Marcha da Indignação, 8/Março

Quem tivesse estado na manifestação dos professores, na Marcha da Indignação, começa a duvidar que lá tivessem estado 100 000. É que aqueles 100 000 ao pé dos 200 000 que no outro dia disseram que havia na manif da CGTP, passam a ser 300 000 ou coisa que o valha. Como não há-de haver quem facilite a vida aos miúdos na matemática para que se habituem a estas contagens sem as estranharem? Na manif de hoje, quem lá esteve diz que aquilo não eram mais do que 5 000, mas os números oficiais, os dos media que as pessoas ouvem, as que ouvem, voltaram a dizer que lá estavam 30 000!
Por que será que os media têm agora esta necessidade de fazer passar a mensagem que os trabalhadores estão na rua a manifestar-se em grande número pela CGTP? Este alinhamento, este sindicalismo instituído que cumpre agendas e calendários, e que só se agita quando ultrapassado pela massa, estrebucha de mansinho no seu canto de cisne. As forças por detrás dos media, congratulam-se com o facto e publicitam-no. A história da CGTP lhes agradecerá por terem registado que o movimento sindical não morreu sem luta e com o povo ainda a gritar na rua.
Conheço bem o programa de festas: contar as bandeiras, colocar em formatura, colocar um megafone na boca das Marias e vai disto avenida abaixo até ao discurso. Discurso. Palminhas acabou e alguém nos enganou. Hino, punhos no ar (cada vez menos), local para apanhar a camioneta de regresso a casa. Viagem de regresso já sem qualquer pressão na panela. Só cansaço. Pelo menos comeu-se qualquer coisa de borla com as senhas do sindicato. Esta gente há-de se cansar. Qualquer dia já ninguém mais virá.
Lembro-me dos tempos em que a Inter-sindical ia aos locais de trabalho organizar comités e convocava uma greve geral de trabalhadores se fosse preciso. Depois disso são inumeráveis as perdas dos direitos sofridas, as humilhações, o roubo escandaloso que fazem da força de trabalho, desvalorizando-a e exigindo que renda ainda mais, que os trabalhadores trabalhem mais horas, que produzam mais. Nenhuma greve geral. Para onde foi a ideia da greve geral? A UGT sempre pronta a negociar, não quer nada com greves, é um sindicalismo amarelo criado de propósito para tudo aceitar. A última unidade sindical de que há memória, foi a Plataforma Sindical dos Professores para forjar o acordo firmado pelo Memorando do Entendimento. Uma unidade sindical para tramar a classe levando-a apenas a adiar por uns meses o cumprimento das agendas e das directivas europeias convertidas nas políticas educativas do governo Sócrates, mais engenharias do que educativas, cosmética que, caso venha a ser implementada irá comprometer o futuro da escola pública portuguesa e falsear completamente os dados do estado do Ensino.
Mas os sindicatos não são o que os dirigentes querem que eles sejam. Têm lá dentro pessoas, trabalhadores, gente que sofre na pele as consequências dessas políticas. Até quando vão aguentar tamanha afronta? Como vão entender que tanta força que tiveram nas ruas seja assim desperdiçada e que acabem sempre perdendo alguma coisa em cada vitória anunciada? Que força é essa que constantemente perde direitos?

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Mas eles não ouvem?

Para bem da nossa fragilizada democracia ainda há figuras públicas que se dispõem a remar contra a maré, como é o caso do Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro. Conforme referimos nesta notícia, publicada no nosso Contracorrente, retirada do jornal Publico.pt, Pinto Monteiro defendeu ontem "um controlo" dos poderes do secretário-geral de segurança interna, sob pena de estes "se sobreporem às competências do Ministério Público". Segundo este alto responsável, a nova lei estabelece uma "amplitude imensa de poder" ao titular deste novo cargo, que irá funcionar na dependência directa do primeiro-ministro, sublinhando que algumas "podem colidir com as do Ministério Público".

Estas declarações foram feitas ontem perante a Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias, onde está a ser discutida na especialidade a nova lei de segurança interna, ou seja, no lugar institucionalmente dedicado a garantir os direitos dos cidadãos. No entanto, estou em crer que a maioria absoluta PS deixará intocado este novo articulado da lei, esquecendo-se, porventura, que a Sócrates outros primeiros-ministros se seguirão, assim espero... Pergunto-me, então, mas eles não ouvem?

POR UM MUNDO MELHOR


Declaração final do Fórum das ONG's do sul e as ruínas da globalização

Declaração Final

Nós delegados de organizações não governamentais, movimentos sociais, organizações populares e de instituições acadêmicas dos países do chamado Sul, reunidos na cidade de Havana, a partir de 1 a 3 de Março de 2000, como parte do processo conducente à Cimeira Sul, nós avaliamos os problemas relacionados com o fenómeno da globalização, as suas principais tendências e impacto sobre as economias nacionais dos nossos países, e estamos a discutir a possibilidade de influenciar, de gestão e de acção por parte da sociedade civil e as ONG dos nossos povos na internacionais actuais condições. Estamos de acordo em que um processo de globalização que tem unido o ser humano como centro de desenvolvimento podem oferecer oportunidades para avanços tecnológicos contribuem para promover o progresso eo bem-estar social.

No entanto, para passar sob o domínio do neoliberalismo que impõe excessiva vontade cega à desregulamentação e ao processo crescente e indiscriminada de privatização de recursos e bens que pertencem ao nosso povo em última instância, esta brutal causando fragmentação ea desintegração desenvolvimento económico e social dos nossos países, com consequências dramáticas para a sobrevivência dos mais vulneráveis e marginalizados.

Denunciamos a política neoliberal patrocinado pelo capital transnacional e agências internacionais como o Fundo Monetário Internacional eo Banco Mundial tem ajudado a concentrar a riqueza social e reafirmar polarização evidente no crescimento da pobreza que afeta tão criticado hoje mais de um milhar de milhões de pessoas em todo o mundo, que não têm qualquer possibilidade de acesso aos alimentos essenciais para a sobrevivência, serviços básicos de saúde e de educação e protecção social. Enfatizamos com igual vigor, que esses mesmos políticos tentativa para limpar nossas culturas e identidades, impondo mudar a assimilação cultural ea criação de paradigmas que legitimam o seu modelo: individualista, antisolidario e de exclusão.

Registamos com profunda preocupação a continuação da deterioração ecológica do nosso planeta e as barreiras para alcançar o desenvolvimento sustentável, nomeadamente a falta de vontade política para estabelecer uma rigorosa proteção ambiental, em comparação com a ação predatória e irracional das políticas económicas padrões insustentáveis de consumo.

Com base nestas considerações, identificamos os enormes obstáculos que a actual ordem económica internacional, nas suas diversas formas: Financeiro, comercial e tecnológica, se opõe ao direito ao desenvolvimento e as aspirações dos nossos povos justiça. Por conseguinte, exortamos os Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos 77 que se reunirá em Havana próximo de abril, como parte da Cúpula Sul, para reclamar. --

Está a dívida externa, o que impede atingir o desenvolvimento económico e social nas regiões Sul e que é uma expressão da injusta ordem econômica internacional ea política de globalização neoliberal, é agora mais do que nunca unpayable, incobráveis e deve ser anulada. -- Está a crescente fosso tecnológico entre os países industrializados e os países do Sul, que, entre outras causas é o resultado da aplicação estrita dos direitos de propriedade intelectual que exclui os nossos países de conhecimentos e tecnologias que só trazem benefícios para uma minoria e o desemprego em massa, a marginalização ea pobreza maiorias desterritorializadas, é um grave obstáculo para o desenvolvimento de nossos povos. --

Libertadora tendências do comércio mundial promovida pela Organização Mundial do Comércio são concebidos para incentivar as exportações dos países industrializados e causar a crescente deterioração da indústria e da agricultura nos países do Terceiro Mundo, embora acentuando as desigualdades históricas em termos de trocas comerciais entre o Norte eo Sul. -- Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) continua a diminuir e os 90 passagem de 0,35% para 0,22% do PNB dos países desenvolvidos, muito distante valor de 0,7% cometidos e indispensável no desenvolvimento da nossa estratégia nações empobrecidas. --

Que a política de cooperação, de financiamento e de crédito do Norte não têm em conta as necessidades económicas do Sul, nem o seu histórico e sócio-cultural, mas analisando as realidades dos nossos países a partir de uma perspectiva de subordinação e de marginalização recolonization Impor condições inaceitáveis. -- O aumento das especulações, volatilidade dos mercados financeiros e de desregulamentação dos movimentos de capitais comprometer seriamente a estabilidade económica e política dos nossos países. --

Está a aplicação unilateral e extraterritorial de leis nacionais ou medidas que violam o direito internacional ou de violar a soberania de outros Estados mina os princípios que regem a convivência entre as nações, minar a lágrima multilateralismo e dar-se a cooperação Sul povos necessitam para o seu desenvolvimento.

Pela nossa parte, os delegados a este Fórum, consciente da adversas circunstâncias em que a luta dos nossos povos para as suas mais sentidas reivindicações, e convicto da necessidade urgente de uma participação mais activa e efectiva de todos os setores da sociedade Conjugal trabalhadores e seus sindicatos, mulheres, jovens, crianças, idosos, deficientes, trabalhadores rurais, os povos indígenas, pesquisadores e de muitas outras instituições sociais e organizações que representem as pessoas, processos e discussão a tomada de decisões a nível nacional e internacional. -- Convite à apresentação de uma maior participação e demanda um maior grau de transparência dos governos e instituições internacionais no processo de tomada de decisões sobre questões que afectam directamente a nós, e que muitas vezes têm efeitos devastadores em termos de aumento da desigualdade, pobreza e desemprego. --

Exigimos o aprofundamento das relações de integração económica, cultural e social entre os países do Sul a reforçar a sua capacidade de agir como uma região para enfrentar os desafios da globalização. -- Reafirmar a vontade ea capacidade das organizações não governamentais e os setores sociais mais amplos para influenciar a concepção de estratégias, na execução de acções e à gestão dos recursos em favor do desenvolvimento social de nossos países. --

Apelamos para uma cooperação mais estreita entre as nossas organizações, incluindo o reforço dos elementos que nos unem na defesa do direito ao desenvolvimento, em que concebemos como um direito humano fundamental, e exigem governos cumprirem os compromissos assumidos com as necessidades e futuro dos nossos povos. -- Afirmamos a nossa convicção de que, em comparação com o domínio avasallador atingido pelas corporações transnacionais, nas vésperas do novo milénio e para a realidade preocupante que aqueles experimentando um crescimento muito mais elevada do que a economia mundial como um todo, ameaçando a sua soberania e de poder o direito ao desenvolvimento dos países do Terceiro Mundo, a nossa resposta não pode ser diferente para aprofundar a luta, de unidade e de solidariedade, com a adesão ao respeito pela diversidade que caracteriza tanto nós e nos enriquece, construir alternativas para um mundo melhor.

A globalização da solidariedade não é uma intenção, é a única forma de enfrentar com sucesso os males de hoje e os desafios de amanhã.

(Traduzido do castelhano)

Sinais da área militar - 5

Transcreve-se texto, recebido por e-mail, focando o descontentamento de um sector nacional que, pela sensibilidade de que se reveste, merece mais atenção da parte dos responsáveis políticos.

Exército mercenário de Portugal na Miséria

Não se defende mais a Pátria, defendemos quem nos derrotou.

Militares desfilam quarta-feira, em Lisboa, em protesto contra a indefinição de carreiras, protecção social e assistência na saúde, noticia a agência Lusa.

O protesto, que se inicia às 18:30 com uma concentração no Largo de Camões e prossegue uma hora depois com um desfile até à Assembleia da República, é organizado pela Comissão de Militares, Associação Nacional de Sargentos e Associação de Praças da Armada.

Justificando a iniciativa, o presidente da Associação Nacional de Sargentos, Lima Coelho, sustentou à Agência Lusa que «há problemas que continuam a afectar a família militar, e até se agravaram», e para os quais o Governo não mostrou o «mínimo interesse» em «discutir soluções».

Atrasos nas comparticipações médicas para tratamentos crónicos e «indefinição» quanto à renegociação de protocolos com unidades de cuidados de saúde, dos «mecanismos de protecção social» e da revisão de carreiras são alguns dos «problemas» apontados.

Lima Coelho lembrou que continua por elaborar o anteprojecto de revisão de carreiras, suplementos e remunerações, não obstante um despacho de Março ter nomeado uma equipa e dado um prazo de dois meses, que terminou em Maio, para que o documento fosse feito.

«Há sargentos que estão no mesmo posto há 16 anos sem perspectivas de carreira», alegou o mesmo dirigente, indicando casos de outros militares que, pelas mesmas razões, se arriscam à «reserva compulsiva».

O presidente da Associação Nacional de Sargentos recordou ainda a «dívida do Estado à família militar», que ronda mais de mil milhões de euros do Fundo de Pensões e do Complemento de Reforma, e para a qual os sargentos das Forças Armadas sugeriram recentemente que o Governo pagasse em títulos.

SR Presidente da República
Sr Primeiro Ministro (Para conhecimento)

É com muita mágoa que me dirijo a VExas.

Sou militar na situação de REFORMA, com 75 anos, e NUNCA pensei que os militares viessem a sofrer como Vexa poderá ler no anexo, extraído de um jornal online e que me deixa triste ao pensar que os militares servirão apenas as vontades politicas. Assim foi no tempo em que Vexa fora alferes miliciano no tempo de Salazar e Caetano e assim é no tempo em que Vexa foi Primeiro Ministro e agora Presidente da República, mas agora já com outra responsabilidade, sendo Comandante Chefe das Forças Armadas portuguesas...

Sr Presidente da República, já foi dito por várias vezes que os militares são como os cães de caça na época do defeso, mas hoje li que no fim de contas são como a pastilha elástica que se mastiga e depois ...deita-se fora...

Reveja, Sr Presidente, a situação dos militares por que até neste momento existem militares no estrangeiro...em missão de paz.

Mas é vergonhoso para os militares, e para a Nação, o que se está a fazer com eles...
Chego mesmo a perguntar a VExa por que não acabar então com as Forças Armadas??? Se não há dinheiro... acabem mesmo com elas...

Para umas coisas não há dinheiro, mas existe dinheiro para aquisição de viatura pessoal ( ? ) do Ministro da Defesa Nacional, de viaturas de LUXO para a administração da CP, já para não falar no caso da SIRESP...

O sistema de saúde-hoje ADM/IASFA (leia-se Serviços Sociais das Forças Armadas, foi feito por nós e mudaram-lhe o nome sem a nossa audição, hoje a vertente social está desvirtuada do que foi destinada.

Sr Presidente da República portuguesa

Como militar reformado, não sou ouvido por ninguém. Fizeram dos meus anos de serviço como uma "passagem ", mas não pode ser assim Sr
Presidente...

Ainda temos dignidade suficiente para não voltar a ler seja o que for contra os militares e acabar mesmo com a arrogância com que se vê o MDN e o PM...

Julgo que vai sendo tempo de DECIDIR: MORRER DE PÉ!!!

Com os melhores cumprimentos
João Ernesto Fonseca dos Santos

Em tempo: Não me preocupo, jamais, com qualquer processo disciplinar

Frente Única

BUILD THE REVOLUTIONARY PARTY!

* * *

In every discussion of political topics the question arises:

Shall we succeed in creating a strong party for the moment when the crisis comes? Might not fascism anticipate us?
Isn't a fascist stage of development inevitable?

The successes of fascism easily make people lose all perspective, lead them to forget the actual conditions which made the strengthening and the victory of fascism possible. Yet a clear understanding of these conditions is of especial importance to the workers of he United States. We may set it down as a historical law: fascism was able to conquer only in those countries where the conservative labor parties prevented the proletariat from utilizing the revolutionary situation and seizing power. In Germany two revolutionary situations were involved: 1918-1919 and 1923-1924. Even in 1929, a direct struggle for power on the part of the proletariat was still possible. In all these three cases, the social democracy and the Comintern [the Stalinists] criminally and viciously disrupted the conquest of power and thereby placed society in an impasse. Only under these conditions and in this situation did the stormy rise of fascism and its gaining of power prove possible.

Leon Trotsky (Trotsky Net)

(daqui)

domingo, 22 de junho de 2008

Um primeiro-ministro incomodado

Parece-me notório que o primeiro-ministro José Sócrates tem muita dificuldade em governar em regime democrático. Já quando era ministro do Ambiente no governo de António Guterres quis impor - e conseguiu - o método da co-incineração dos resíduos tóxicos em cimenteiras localizadas no nosso território, perto de localidades ou no meio de Parques Naturais. Mas, nessa altura, não passava de um simples ministro de um governo minoritário, que se explicava e fazia alianças através do seu primeiro-ministro.

Actualmente, é ele o primeiro-ministro e estes sintomas ditatoriais agravaram-se. Tomemos este exemplo bem significativo, ao qual demos destaque no Contracorrente, nesta notícia que publicámos, retirada do jornal Publico.pt. Ontem, José Sócrates recusou-se a comentar as críticas que tinham sido feitas pela presidente do PSD. Contudo não resistiu a afirmar que nos últimos três anos, ou seja, todos os que leva de governação, só tem havido da oposição "maledicência e "nenhuma proposta". Ora, no vocabulário português, "maledicência" significa "dizer mal". Mas... É evidente, se uma oposição dissesse bem, já não era oposição, não é verdade? Por outro lado, como é que se pode fazer oposição "sem propostas"? Em suma, estamos perante o permanente incómodo de um primeiro-ministro que foi eleito através de mecanismos próprios da democracia, mas que se dá mal com a prática do regime democrático.

sábado, 21 de junho de 2008

Soares no seu melhor: Um passo na poça


«Na altura própria toda a gente deu vivas ao Tratado. Até eu próprio, não por considerar que fosse bom porque não o é. É um mau Tratado porque é confuso e complexo mas é um passo para resolver a saída da paralisação da Europa e esse passo era essencial»
Mário Soares a propósito do Tratado de Lisboa e do NÃO da Irlanda

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Crise não significa Apocalipse

As pessoas andam descoroçoadas com os efeitos da actual crise do petróleo, mas a melhor cura para o desânimo está em cada um, principalmente, nos líderes políticos e empresariais. Uma crise, geralmente, representa o início de uma nova era de desenvolvimento em muitos aspectos. Não esqueçamos que a II Guerra Mundial, estimulou o aparecimento dos computadores, de novas formas de comunicação, de tratamento da informação e de gestão, permitindo um grande salto em frente no desenvolvimento da humanidade. E se, por outro lado, aumentou as diferenças entre os mais e os menos desenvolvidos, foi porque estes, por falta de preparação prévia, não puderam ter a iniciativa de acelerar o passo. Isto que sirva de exemplo para que cada País e cada pessoa procure entrar já na carruagem da frente.

Tenho em Do Miradouro e em Do Mirante chamado a atenção para a necessidade de se estimularem os jovens a prepararem-se para a inovação, apoiando qualquer iniciativa positiva que deles saia. Não tem sido o caminho seguido e viu-se nas condecorações do 10 de Junho que os critérios estiveram distantes de preocupações de futuro.

Porém, as pessoas mais válidas não adormecem à sombra de vãs propagandas anestesiantes e vêm claramente que o patriotismo não se resume ao apoio á selecção de futebol, antes e muito acima disso, se preocupa com os grandes problemas actuais.

Hoje, o DN traz notícias que merecem muita meditação, ou pelo menos uma leitura lenta e ponderada. No editorial refere três exemplos de inovação dados pela Carmin, pela Renova e pela SIBS:

1) No Alentejo, a Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz (Carmin) a fim de se colocar mais próxima do consumidor final, com benefício dos preços a pagar por este, decidiu adquirir uma empresa distribuidora. Já aqui tínhamos sugerido solução semelhante aos pescadores para aumento dos seus ganhos e venda mais barata aos consumidores.

2) Em Torres Novas, a Renova conseguiu reduzir o preço dos transportes, aumentando em duas toneladas (de 5,3 para 7,3) a capacidade de cada camião, com a simples solução de retirar o ar das embalagens, tornando-as menos volumosas.

3) A SIBS foi considerada pela Associação de Pagamentos do Reino Unido o melhor multibanco da Europa, conclusão tirada depois de um estudo comparativo.

Outra notícia vem de Viseu, onde o presidente da Junta de S. Salvador, Álvaro Pereira, mostrou ser pessoa consciente da importância da conservação do ambiente, pelo que pediu ao delegado de saúde que procedesse à análise das águas e lençóis freáticos existentes na zona onde tinham sido despejados resíduos electrónicos que causaram alguns danos ambientais. Na sequência da sua iniciativa, equipas da Câmara Municipal de Viseu procederam, ontem, à recolha de mais de 300 quilos de resíduos electrónicos despejados, junto a uma urbanização. O autarca teme que os solos «tenham ficado contaminados com estes resíduos que incluem cádmio, chumbo e outros poluentes. Se houver infiltração, as águas poderão ter ficado contaminadas e solicitámos análises para que se possa despistar essa eventualidade». Até lá, a junta aconselha os moradores do local, «e que disponham de captação de água própria, a não consumir a água».

Também é positivo o facto de ser tornado público que as autarquias têm sido geridas sem seriedade responsável, sem competência ao ponto de, como é referido em dois artigos que há Municípios sem dinheiro para pagar as dívidas e que o 'monstro' do défice e da corrupção mudou-se para as autarquias. Tais notícias poderão ser o início da moralização dos gestores de dinheiros públicos em respeito pelos direitos dos contribuintes seus eleitores.

De salientar também a notícia de que o fisco não anda apenas a perseguir os pequenos infractores de uns pares de euros, mas está principalmente no encalço dos potenciais lesivos de milhões. Segundo ela, equipas mistas do Ministério Público e da Administração Fiscal procederam ontem a buscas a empresas lideradas por Américo Amorim, no âmbito da 'Operação Furacão' e diz que esta operação é um processo que já contabiliza mais de 250 arguidos e que a equipa liderada pelo procurador Rosário Teixeira já efectuou buscas, nos Açores, à Fábrica de Tabacos Estrela, controlada pela Madeirense de Tabacos dos empresários Joe Berardo e Horácio Roque. Oxalá não acabe tudo por ficar arquivado, como aconteceu em «operações» anteriores muito mediatizadas mas de resultados desconhecidos.

Entretanto, surgem iniciativas para ensinar as pessoas a gerir as próprias capacidades e a rentabilizar os recursos humanos que dormem no subconsciente de cada um de nós. É preciso saber o que se quer, o que se pode fazer e querer de verdade, com persistência, atingir objectivos previamente estabelecidos.

Enfim, há motivos para não nos deixarmos sucumbir à crise. E deixo umas dicas atrevidas: Porque não lutarmos contra a monodependência do petróleo? Porque não preparar a energia de cada prédio, através da decomposição da água por forma a utilizar o hidrogénio para produzir a energia necessária ao prédio? Ou a eólica ou a solar? Porque não modernizar as comunicações ao ponto de tornar desnecessários os cabos que ligam o prédio às centrais eléctricas, de telefones de TV por cabo, etc? Porque não utilizar a Internet para trabalhar a partir de casa aliviando os transportes e a poluição?