terça-feira, 3 de junho de 2008

A II Grande Depressão?

A fotografia Migrant Mother, uma das fotos americanas mais famosas da década de 1930,
mostrando Florence Owens Thompson, mãe de sete crianças, de 32 anos de idade,
em Nipono, Califórnia, março de 1936,
em busca de um emprego ou de ajuda social para sustentar sua família.
Seu marido havia perdido seu emprego em 1931, e morrera no mesmo ano.
(ler mais sobre a Grande Depressão)

Fome e revoltas em todo o mundo: Uma catástrofe iminente

As revoltas da fome no Haiti e em vários países de África puseram em destaque uma perspectiva catastrófica. Este cenário é admitido por organismos internacionais do capitalismo. Por exemplo, a ONU adverte para o perigo de uma “crise global” devido ao custo dos alimentos. O seu Secretário-geral, Ban Ki Moon, declarou – em Viena de Áustria – que a “evolução dos mercados” levou a que cem milhões de pessoas estejam próximas de uma crise alimentar. Quer dizer, de perigo iminente de morrer de fome. A ONU anuncia que a subida dos preços desestabilizarão a economia de pelo menos 30 países. O custo dos alimentos de primeira necessidade disparou nos dois últimos anos. O trigo subiu 165%, o arroz 156%, a soja 125%, o milho 168%, o óleo de palma 145%. Para uma boa parte da humanidade isto é uma catástrofe. José Maria Sumpsi, subdirector da FAO (Agência da ONU para a alimentação e a agricultura), declarou que “os preços não voltarão ao nível antes. Manter-se-ão num patamar bastante alto, pelo menos 10 anos”. Consideremos a situação na África Central, onde, como é explicado pela Agência France Press: “O arroz, aumentou nos últimos meses mais de 50 % na Costa do Marfim, 50 % na República Centro-africana, 39 % nos Camarões, 45 % no Senegal, 42% na Mauritânia, e cerca de 300 % na Serra Leoa”. Um dirigente sindical da República Centro-africana declarou que “se o Governo não faz algo para que estes preços baixem, passaremos à acção. Aqui não recebemos regularmente os salários, e não nos podem impor mais sofrimentos”. Uma situação que só poderá agravar-se, se tivermos em conta que uma das exigências centrais do Fundo Monetário Internacional (FMI) a estes países sempre foi que não se subsidiassem os produtos de primeira necessidade, e que os consumidores paguem o preço real dos alimentos.

No nosso país, a fome não atinge as proporções destes países africanos, mas os aumentos de preço dos produtos básicos afectam gravemente milhões de pensionistas e cidadãos com baixos rendimentos, além de prejudicarem o conjunto da população trabalhadora.

O FMI anunciou que o impacto negativo do aumento dos preços dos alimentos pode, nalguns países, equivaler a uma quebra na sua Balança de Pagamentos de 1% do seu PIB.

Quais são as causas desta grave crise? Em primeiro lugar, a política de abandono de terras e a redução de cultivos, imposta pela União Europeia, na Europa, e pelos Tratados de Livre Comércio, que arruinaram os pequenos camponeses, na América Latina.

Convém recordar que só em Portugal a área cultivada diminuiu 5,1%, entre 1995 e 2003, e que o nosso país já importa 80% dos produtos alimentares que consome.

Um desastre programado

Trata-se de uma política mundial que está a levar à falta de reservas de alimentos. Nos finais de Abril, as cadeias de distribuição dos EUA – Costco e Wal-Mart – anunciaram que limitarão a venda de arroz branco a quatro sacos de nove quilos por pessoa, indicando que os próprios EUA poderiam ter problemas de abastecimento.

O Conselho Internacional dos Cereais (CIC), com sede em Londres, adverte ser provável que as reservas mundiais de grão se manterão num nível “muito baixo”, especialmente nos EUA.

Nos últimos anos, milhões e milhões de hectares destinados a produzir alimentos para consumo humano foram destinados a cultivos industriais para exportação controlados por multinacionais.

Mas, para além da redução das terras cultivadas – que já visa provocar uma subida dos preços – há a questão da especulação. A imprensa fala com frequência dos chamados biocombustíveis. Trata-se da produção de cereais e de óleos não para a alimentação humana, mas sim para produzir combustíveis para os motores (etanol, destilado dos cereais, como substituto da gasolina, ou biodiesel – obtido a partir de óleos vegetais). A administração Bush apoia, nos EUA, a produção de etanol (25% da sua colheita de milho foi dedicada a esse fim, no ano passado) e a União Europeia fixou o objectivo de, em 2020, 10% dos combustíveis serem biocombustíveis.

Isto tem animado as Bolsas e os mercados de matérias-primas a especular com base na subida dos preços. É evidente que a especulação com os alimentos se processa em paralelo com a especulação com o petróleo, que viu multiplicados por 10 os seus preços em dez anos e que, nos últimos 8 meses, subiu de 70 para 120 dólares por barril.

O principal grupo alimentar dos EUA, Cargill, acaba de anunciar que os seus lucros aumentaram 86%. Esta é a outra face da fome generalizada que está a ser organizada à escala internacional.

Os “peritos” ao serviço do capitalismo fazem debates sobre soluções técnicas para a carestia dos alimentos. E, como é natural, propõem as “soluções” que servem às grandes multinacionais dos alimentos (Monsanto, Nestlé, Pepsico, Unilever,…): mais transgénicos (quer dizer, sementes que constituem um monopólio destas multinacionais), novos adubos químicos, etc. Também propõem uma nova discussão no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), para “liberalizar” o comércio de alimentos. Ou seja, para que as multinacionais inundem o mercado com os seus produtos, expulsem os pequenos agricultores, assegurem um monopólio completo das sementes e da produção.

Não, não se trata de “soluções técnicas”. A única saída é acabar com o regime da propriedade privada dos meios de produção, hoje convertido no reino da especulação.

De facto, é este regime que arrasta a civilização para a mais negra barbárie – aquela em que a necessidade mais primária de cada homem, alimentar-se, já não consegue ser assegurada para centenas e centenas de milhões de seres humanos.

Os grandes títulos do Expresso, de 3 de Maio – “Subida de preços imparável” ou “O pão vai tornar-se um produto de luxo?” – não significam exactamente isso?

É precisamente esta situação de extrema gravidade que já provocou as revoltas da fome em trinta países, nestes últimos meses.

Aqueles que nos dizem que se trata de uma situação inevitável são, efectivamente, os que se subordinam ao sistema que criou as condições para esta catástrofe: o imperialismo e as suas instituições (do FMI, ao Banco Mundial e à OMC, passando pela União Europeia – que age para impor na Europa a política que em conjunto definem).

Não é então necessária a ruptura?

Joaquim Pagarete in O Militante Socialista (POUS)/Maio 2008

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Pescadores contra cidadãos inocentes

Os pescadores, tal como os táxis, os transportadores de pessoas e mercadorias, os particulares com carros, todos estão a sofrer directamente as consequências dos aumentos sucessivos do preço dos combustíveis. É uma realidade com que é preciso saber lidar.

Penso ser uma norma indiscutível da actividade empresarial que o preço dos seus produtos acabados é calculado com base nos custos dos factores de produção, em que as matérias-primas e a energia estão incluídas. Sendo assim, se um desses factores encarece, vai ocasionar o aumento do preço do produto final. Se esse cálculo não for feito dessa forma, a empresa não pode aguentar muito tempo os prejuízos continuados, terá de encerrar e mandar o pessoal para o desemprego.

Será lógico que a bandeirada do táxi aumente, que os bilhetes de autocarro aumentem, bem como o preço do peixe. O cliente, se não encontrar alternativas mais em conta para os produtos de que necessita, tem de aceitar esses aumentos.

Tudo isto me parece lógico. Mas os pescadores e armadores, em vez de agirem com inteligência estão a transformar-se em malfeitores, a praticar vandalismo, lançando para o lixo peixe fresco que havia na lota, quando há no País gente com fome. Se eles não têm respeito por tal produto alimentar, a população em geral tem, e acha mal que eles o destruam. Também não é justo que impeçam a população de comer peixe, venha da Espanha ou de qualquer outro País. Eles não têm o direito de impedir que o povo se alimente e que procure alternativas para o peixe que eles se negam a pescar. Estão profundamente errados e são desumanos quando pretendem «provocar uma escassez de peixe nos mercados para venda ao consumidor final».

Então qual deve ser a sua atitude perante os custos do combustível? Aquela que atrás ficou explicado para a generalidade das empresas e devendo pesquisar alternativas para tornar a sua actividade mais económica e propondo medidas mais racionais de distribuição e comercialização do peixe por forma a não o encarecer demasiado ao consumidos final.

Alguém disse na TV que o preço de venda ao consumidor é éne vezes o da venda pelo pescador, em virtude haver múltiplos intermediários a obter lucros exponenciais. Ora, uma medida que os pescadores devem propor é a venda através de circuitos mais curtos com menor número de intermediários. Até podem organizar empresas de transporte directo da lota aos mercados e peixarias, ficando eles com o lucro que está a ser disseminado pela extensa cadeia de distribuição.

Uma crise, quando bem aproveitada, pode originar o saneamento de circuitos injustificadamente extensos, que se traduzem em exploração do produtor, por um lado, e do consumidor final, por outro. A solução apresentada seria uma prova de inteligência e daria benefício aos pescadores e armadores, ao contrário do vandalismo que se traduz em fazer mal aos consumidores, em geral, sem daí colherem benefício. Atrair os ódios de gente humilde e desprotegida, como é a maioria do povo, não é e nunca será um bom caminho para resolver problemas de que este bom povo não é culpado.

domingo, 1 de junho de 2008

O excesso de segurança nada garante

O Correio da Manhã de ontem trazia a notícia de que um 1º sargento do «Núcleo de Investigação Criminal» (NIC) da GNR de Alenquer encontra-se sob suspeita de participação em furtos em residência.

Outra notícia refere que, a 29 de Novembro passado, um militar da mesma força de segurança foi detido por agentes da PSP quando tentava assaltar uma agência do BPI em Sassoeiros, concelho de Cascais.

Temos que crer que se trata de excepções que não devem afectar a confiança que nos merece a generalidade dos agentes das Forças de Segurança, mas há uma razão para aqui colocar este post. É que estas notícias vêm evidenciar os riscos referidos no post «Futuro com graves ameaças à liberdade».

E estes perigos não surgem apenas de indivíduos com mau comportamento, pois o referido sargento chefiava o NIC que apresentava bom desempenho, com alta taxa de conclusão de inquéritos, com detenções e apreensão de droga e material roubado.

Isto vem demonstrar, como se disse no referido post, que há grande perigo para as nossas liberdades se forem concentradas, numa base de dados centralizada, todas as informações sobre as nossas vidas. «As fraquezas humanas não dão garantias e não permitem descartar o perigo de um funcionário operador da base de dados os utilizar para uma vingança de alguém com quem se tenha desentendido» ou para uma malandrice pior do que entrar em nossa casa, quando sabe que estamos ausentes por tempo determinado.

Perante casos tão elucidativos, devemos reagir contra a tendência de um qualquer Poder tentar controlar tudo e todos, mesmo que seja com o pretexto de nos garantir melhor segurança!

sábado, 31 de maio de 2008

IDEIAS PARA A ALTERNATIVA (PARTE II)

Como sabemos o Mundo passa por uma gravíssima situação económica, social, política e climática, todos elas interligadas. Os “culpados” para que tal aconteça, todos o sabemos, é o CAPITALISMO, NEOLIBERALISMO E GLOBALIZAÇÃO.
Como o tenho afirmado várias vezes, o Mundo pode produzir para TODOS, trabalho, alimentação, bem estar, no fundo, uma vida digna.
Para que tal aconteça, é necessário O PODER NAS MÃOS DO POVO, não temos que delegar em ninguém o nosso destino.

Dizia Marx: "
A luta do proletariado contra a burguesia começa com sua própria existência".

Para depois afirmar:
“O operariado, tomando consciência de sua situação, tende a se organizar e lutar contra a opressão, e ao tomar conhecimento do contexto social e histórico onde está inserido, especifica seu objectivo de luta. Sua organização é ainda maior pois toma um carácter transnacional, já que a subjugação ao capital despojou-o de qualquer nacionalismo”.

Tomando por princípio e conforme o tenho afirmado, que a luta de classes é o cerne de todo o processo. A classe trabalhadora nunca conseguiu efectivamente ter nas mãos o seu destino, mesmo nos países socialistas a ideia de Marx quando dizia “que a solução era a ditadura do proletariado para atingir o socialismo” nunca foi atingido, ou seja, teve sempre pelo meio atropelos de vária ordem, que, de uma maneira ou outra, impediram o avanço para a verdadeira sociedade sem classes.

Hoje vivemos num Mundo (dito) globalizado, que serve apenas os interesses do capitalismo, nunca os nossos interesses. Por isso temos de arranjar soluções para nos defender e proteger dos avanços da burguesia capitalista.

Para tal, a unidade e a organização de classe são fundamentais, entre outras. Sou de opinião que a solução e ao contrário do que outros possam pensar não está nos partidos políticos, mas sim, nas organizações populares de base, ou seja, o povo auto-organizar-se e ser ele a comandar o seu próprio destino. Como, numa próxima oportunidade exporei as minhas ideias.

Continua

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Pela coesão social

Por paradoxal que possa parecer, é um responsável que tem defendido as teses do neoliberalismo, que vem agora à praça pública bramar contra um dos mais graves e preocupantes problemas deste tipo de sistema económico. Falo, nem mais nem menos, do próprio Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, que reiterou hoje a sua preocupação em relação aos elevados rendimentos "desproporcionados", auferidos por altos dirigentes de empresas face aos salários médios dos seus trabalhadores. A este propósito sugiro que leiam esta notícia publicada no nosso site, retirada do jornal Publico.pt.

Cavaco Silva salientou que "neste momento este tema é uma preocupação quase generalizada dos países europeus, porque as grandes desproporções entre rendimentos dos gestores e dos seus trabalhadores põem em causa a paz e a coesão social". E, atirando uma farpa aos nossos governantes, declarou ainda que "este problema não diz apenas respeito ao mercado como alguns pretenderam aqui insistir no nosso país". Embora as limitações do cargo que exerce o impeçam de exercer qualquer tipo de pressão directa sobre o executivo, estes recados bem fortes deviam ser tomados em conta por um governo que deixa o mercado agir livre e selvaticamente, independentemente de quaisquer considerações sociais, por muito que afirme o contrário. Refiro-me, naturalmente, ao governo PS.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Qual é a política social do Governo?

Foram notórias as notícias de que Portugal «ostenta o mais desonroso dos recordes europeus, o da pobreza e desigualdade», mas isto não é tudo. Vale a pena ler os dois artigos do JN que, sem ligação entre si, mostram que, em dois ministérios, estão a ser encaradas medidas convergentes para o agravamento desta situação. Foi um acaso virem a lume no mesmo dia, tornando mais visível a forma de actuar do Governo.

Cuidar dos ricos

Por outras palavras, Manuel António Pina

Segundo a "Forbes", os milionários americanos gastam milhões para se protegerem e às suas fortunas casas equipadas com "robots" que localizam automaticamente intrusos e os imobilizam com descargas de alta tensão, leitores biométricos, portas falsas, salas blindadas de refúgio de onde é possível encher o resto da habitação de gás lacrimogéneo, cães treinados (55 mil dólares cada um), seguranças oriundos de forças especiais (SEAL, fuzileiros, comandos) a 600 dólares a hora.

Em Portugal, país que ostenta o mais desonroso dos recordes europeus, o da pobreza e desigualdade, milionários como Jean-Pierre Bemba, acusado pelo TPI de crimes contra a humanidade, são protegidos por polícias pagos pelo… Orçamento de Estado.

E, se for para a frente uma proposta de lei do ministro Alberto Costa, as fortunas dos milionários ficarão agora a salvo não só dos ladrões mas até dos direitos dos credores, e mesmo das penhoras do fisco e Segurança Social.

Assim, de acordo com uma notícia do "Público", o CEF do Ministério das Finanças está a estudar a criação de um fundo, idealizado pelo Ministério da Justiça, que visa proteger as grandes fortunas "de credores privados, bem como do fisco e da Segurança Social".

É o "Estado Social" na versão socialista "moderna" e neoliberal.

Ministro contra apoio jurídico a endividados

Lucília Tiago

Oposição criticou Teixeira dos Santos pelas previsões do preço do barril e taxas de juro, inscritas nas GOP

O ministro das Finanças mostrou-se, ontem, totalmente contra a criação, pelo Estado, de mecanismos de apoio a famílias endividadas, porque acredita que isso apenas agravaria a situação. Intervindo na Comissão de Orçamento e Finanças, Teixeira dos Santos foi igualmente claro ao recusar qualquer descida de impostos como forma de atenuar a actual escalada dos preços dos combustíveis e bens alimentares.

"Se for dado um sinal de que o Estado vai chamar a si a resolução desses problemas [de endividamento], haverá tendência para subestimar o risco". Foi esta a resposta de Teixeira dos Santos ao repto lançado pelo deputado socialista Vítor Baptista, para a criação de um instituto de apoio jurídico às famílias com dificuldade em fazer face aos seus créditos. Dados agora revelados pelo Banco de Portugal mostram que o endividamento dos particulares não tem parado de aumentar, situação que se torna particularmente preocupante num contexto, como o actual, de subida das taxas de juro e da generalidade dos preços.

O ministro das Finanças acredita, no entanto, que qualquer medida deste género apenas faria com que as partes envolvidas - bancos e particulares - subavaliassem o risco que sempre está presente na concessão de um empréstimo.

Nesta audição, Teixeira dos Santos sublinhou também que não aceitará propostas para reduções de impostos (além da já prevista no IVA), "seja pela alteração da taxa, seja pela alteração da base tributável".

Até agora, o Governo tem optado por medidas dirigidas às famílias de menores rendimentos para atenuar o efeito da subida dos preços, nomeadamente o congelamento do preço dos passes sociais durante 2008, e o aumento em 25% do valor dos abonos de famílias para os 1.º e 2.º escalões. Em resposta ao deputado do PCP Honório Novo, o ministro esclareceu que este aumento abrangerá todas as crianças naqueles escalões, independentemente da idade. E garantiu que a redução da taxa do IVA de 21 para 20% não afectará a consignação da receita deste imposto para a Segurança Social.

O cenário macroeconómico que o Governo inscreveu nas Grandes Opções do Plano (GOP) mereceu críticas da Oposição, que considerou irreal a previsão da evolução do preço do petróleo (115 dólares) e das taxas de juros.

A REVOLTA DA CHIBATA



Quero, neste belo espaço e no meu primeiro texto, lembrar o que nunca devemos esquecer, a luta dos heróis anônimos em prol dos trabalhadores.

Lembrar, sobretudo, da força de luta de João Cândido, o Almirante Negro!

Superando, por força das condições miseráveis que lhes eram impostas, o profundo atraso cultural em que viviam os milhares de marinheiros liderados pelo negro João Cândido, então com trinta anos, foram os protagonistas de um dos mais extraordinários episódios, dentre muitos outros dos quais a história do Brasil está repleta, que exemplificam a coragem, a determinação e a capacidade das massa exploradas do país, em particular do seu proletariado, de se insurgirem contra a exploração, a opressão e a tirania dos exploradores e seus governos.

Os limites naturais, estabelecidos pela inexperiência política de João Cândido, bem como de toda a nascente classe operária brasileira não lhe tira em nada o mérito desta luta heróica. A falta de experiência levou-os a conferir crédito às promessas dos setores da oligarquia no governo, bem como à farsa da anistia realizado no Congresso, que não impediu que as forças militares pusessem em marcha o processo de perseguição e vingança que consumiu a vida de centenas de marinheiros de forma cruel e sanguinária.

João Cândido, o Comitê Geral e todos e seus comandados em revolta são um exemplo heróico de luta que desmente, como tantos outros o mito do caráter submisso e acomodado, que a burguesia e seus teóricos pequenos burgueses, que se propagam como ervas daninhas no movimento operário e popular, tentam atribuir ao povo brasileiro.

João Cândido e a Revolta da Chibata é um exemplo para a classe operária e todos os explorados, em geral, e para os trabalhadores e a juventude negra, em particular, de quais são os métodos e o caminho para se conseguir a emancipação diante da opressão capitalista: a organização independente dos explorados, a luta com seus próprios métodos e instrumentos de luta por suas reivindicações e mesmo a sua derrota após a vitória ilustram a necessidade de liquidar com o governo e o regime político da burguesia para ver essas reivindicações fundamentais atendidas.

O que foi a Revolta da Chibata?

A chibata havia sido abolida na Armada pelo terceiro decreto do primeiro governo republicano do País, em 16 de novembro de 1890, mas continuava em vigor na prática, a critério dos oficiais. Centenas de marujos, de expressiva maioria negra, continuavam tendo seus corpos retalhados, como nos tempos da escravidão pelos oficiais, sem exceção brancos.

Conforme o relato do 2º sargento Eurico Fogo, o Carrasco apanhava uma corda mediana, de linho, atravessava-a de pequenas agulhas de aço, das mais resistentes e, para inchar a corda, punha-a de molho com o fim de aparecer apenas as pontas das agulhas. A guarnição formava e vinha o marinheiro faltoso algemado. O comandante, depois do toque de silêncio, lia a proclamação. Tiravam as algemas do infeliz e o suspendiam nu da cintura para cima no pé de carneiro, ferro que se prendia ao balaustrada do navio. E, então, Alipío, mestre do trágico cerimonial, começava a aplicar os golpes. O sangue escorria. O paciente gemia, suplicava, mas o fascínora prosseguia carniceiramente o seu mister degradante. Os tambores batiam com furor, sufocavam os gritos (...) A marinhada, possuída de repulsa e de profunda indignação concentrada, murmurava: - Isto vai acabar!".

O marinheiro Marcelino recebeu as 250 chibatas assistidas por toda a tripulação do navio. Mesmo depois de desmaiado o flagelo continuou.

Naquela mesma noite, do dia 22 de Novembro de 1910, às 22 horas, a bordo do Minas Gerais, primeiro e, depois do São Paulo e do cruzador Bahia, centenas de marinheiros se amotinaram, destituíram seus comandantes e toda a oficialidade. Tudo conforme haviam arquitetado os líderes da revolta, à frente dos quais se encontrava João Cândido, marinheiro negro do Minas Gerais.

Nos outros navios a marujada também se organizava: o cabo Gregório conspirava no São Paulo, e no Deodoro havia o cabo André Avelino.

O governo ficou estarrecido. Supôs tratar-se de um golpe político das forças inimigas. O pânico apoderou-se de grande parte da população da cidade. Muitas pessoas fugiram. Somente em um dia correram 12 composições especiais para Petrópolis, levando 3 000 pessoas. Todos os navios amotinados hastearam bandeiras vermelhas. Alguns navios fiéis ao governo ainda tentaram duelar com os revoltosos, mas foram logo silenciados. Com isto os marujos criaram um impasse institucional. De um lado a Marinha, que queria a punição dos amotinados, em conseqüência da morte de alguns oficiais da armada. Do outro lado, o governo e os políticos, que sabiam não ter forças para satisfazer essa exigência.

Mesmo porque os marinheiros estavam militarmente muito mais fortes do que a Marinha de Guerra, pois comandavam, praticamente, a armada e tinham os canhões das belonaves apontados para a capital da República. Depois de muitas reuniões políticas, nas quais entrou, entre outros, Rui Barbosa, que condenou os “abusos com os quais, na gloriosa época do abolicionismo, levantamos a indignação dos nossos compatriotas”, foi aprovado um projeto de anistia para os amotinados. Com isto, os marinheiros desceram as bandeiras vermelhas dos mastros dos seus navios. A revolta havia durado cinco dias e terminava vitoriosa. Desaparecia, assim, o uso da chibata como norma de punição disciplinar na Marinha de Guerra do Brasil.

As forças militares, não-conformadas com a solução política encontrada para a crise, apertam o cerco contra os marinheiros. João Cândido, sentindo o perigo, ainda tenta reunir o Comitê Geral da revolução, inutilmente. Procuram Rui Barbosa e Severino Vieira, que defenderam a anistia em favor deles, mas sequer são recebidos por esses dois políticos. Unem-se, agora, civis e militares para desafrontar os “brios da Marinha de Guerra” por eles atingidos.

Finalmente vem um decreto pelo qual qualquer marinheiro podia ser sumariamente demitido. A anistia fora uma farsa para desarmá-los.

São acusados de conspiradores, espalham boatos de que haveria uma outra sublevação. Finalmente, afirmam que a guarnição da ilha das Cobras havia se sublevado. Pretexto para que a repressão se desencadeasse violentamente sobre os marinheiros negros. O presidente Hermes da Fonseca necessitava de um pretexto para decretar o estado de sítio, a fim de sufocar os movimentos democráticos que se organizavam. As oligarquias regionais tinham interesse em um governo forte. Os poucos sublevados daquela ilha propõem rendição incondicional, o que não é aceito. Segue-se uma verdadeira chacina. A ilha é bombardeada até ser arrasada. Estava restaurada a honra da Marinha.

João Cândido e os seus companheiros de revolta são presos incomunicáveis, e o governo e a Marinha resolvem exterminar fisicamente os marinheiros.

Embarca-os no navio Satélite rumo ao Amazonas. Os 66 marujos que se encontravam em uma masmorra do Quartel do Exército e mais 31, que se encontravam no Quartel do 1º Regimento de Infantaria, são embarcados junto com assassinos, ladrões e marginais para serem descarregados nas selvas amazônicas. Os marinheiros, porém, tinham destino diferente dos demais embarcados. Ao lado dos muitos nomes da lista entregue ao comandante do navio, havia uma cruz vermelha, feita a tinta, o que significava a sua sentença de morte. Esses marinheiros foram sendo parceladamente assassinados: fuzilados sumariamente e jogados ao mar.

João Cândido, que não embarca no Satélite, juntamente com alguns companheiros foram recolhidos a uma masmorra da ilha das Cobras, onde viviam como animais. Dos 18 recolhidos ali, 16 morreram. Uns fuzilados sem julgamento, outros em conseqüência das péssimas condições em que viviam enclausurados. João Cândido enlouqueceu, sendo internado no Hospital dos Alienados. Aos poucos, ele se restabelece. É solto e expulso da Marinha. Os navios mercantes não o aceitam: nenhum comandante quer por perto um ex-presidiário, agitador, negro, pobre e talvez doido.
João Cândido continuará contudo perto do mar, até morrer, em 1969, aos 89 anos de idade, como simples vendedor de peixe.
Os que fizeram a Revolta da Chibata morreram ou foram presos, desmoralizados e destruídos. Seu líder terminou sem patente militar, sem aposentadoria e semi-ignorado pela História oficial.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Ex-combatentes desprezados

Todos nós temos na família, mais ou menos próxima, ex-combatentes que foram obrigados a tomar parte numa guerra e da qual vieram com sequelas várias, algumas impeditivas de uma vida autónoma.

Foram arrastados para «a defesa do território nacional», e mentalizados com o slogan «honrai a Pátria que a Pátria vos contempla». Mas a Pátria, pela mão dos seus maus representantes, não só não os contempla como os tem esquecido, desprezado. Esse desprezo para quem tudo arriscou, muitos lá perderam a vida, contrasta com a acumulação de subsídios de políticos parasitas e de muita gente que nada produziu nem para o País nem para a vida económica nacional.

O tema foi ontem focado pelo «Público» no artigo de Paula Torres de Carvalho e pelo jornal gratuito «Global-Notícias» no editorial de Silva Pires, em que se referia que «o provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, manifestou ao ministro da Defesa Nacional a sua preocupação quanto à existência de atrasos que considerou "excessivos" e "injustificados" na tramitação de processos de invalidez de ex-combatentes e de qualificação como deficientes das Forças Armadas».

Tasso de Figueiredo, presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) disse que a situação é "inqualificável", e saudou a iniciativa do provedor.

O gabinete de Nascimento Rodrigues explicou que, na sequência da apreciação das queixas de ex-combatentes, se apurou que "os atrasos ficam a dever-se à excessiva demora na marcação e realização de juntas hospitalares de inspecção e na elaboração de pareceres pela Comissão Permanente de Informações e Pareceres da Direcção dos Serviços de Saúde, que atinge um atraso médio de cerca de três anos".

Apesar de a guerra ter terminado já há 34 anos, esta questão tem vindo ser arrastada e já tinha sido colocada ao anterior ministro da Defesa que suscitou um parecer da Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar, determinando a necessidade de realizar uma "revisão do percurso dos processos de reconhecimento de invalidez ou da qualificação como deficiente das Forças Armadas (DFA), ponderando a efectiva necessidade de intervenção de determinadas entidades do Exército".

Agora, na sua nota, o provedor salienta que ainda não são conhecidas as conclusões da criação de um grupo de trabalho pelo actual Governo, incumbido de estudar e reformar o sistema de saúde militar até ao fim de 2006. Continua assim sem se saber que medidas serão tomadas quanto aos atrasos relativos aos processos de invalidez ou qualificação como deficientes das Forças Armadas.

Esses atrasos "são fortemente penalizadores dos interesses legítimos dos cidadãos afectados, constituindo uma violação grave dos seus direitos", considera o provedor: "Num determinado contexto histórico e político, o Estado exigiu a estes cidadãos o exercício do serviço militar num teatro de guerra, física e psicologicamente, violento. Hoje, o Estado de Direito democrático deve-lhes o respeito pelos seus mais elementares direitos, ou seja, deve avaliar e decidir, com rigor e celeridade, a respectiva situação jurídica e, nos casos que se mostrem devidos, a recompensa de uma adequada protecção social."

Os atrasos são "fortemente penalizadores dos interesses legítimos" dos ex-combatentes, diz Nascimento Rodrigues. E pode suspeitar-se que os adiamentos são intencionais, esperando, o Poder, que eles vão morrendo e aliviando o Estado de tal encargo! Imoralidade, falta de honradez e de sentido de Estado.

Agora, que terminaram com o serviço militar obrigatório (SMO), e que os militares, em contrato voluntário, estão ser enviados para missões de perigo, no estrangeiro, irá levantar-se o problema de os jovens de hoje se consciencializarem do desprezo que a Pátria votou aos seus pais e avós, projectem em si as mesmas «recompensas» e comecem a deixar de ser voluntários para tais missões que poderão lançá-los na miséria para o resto da vida. O que farão então os nossos iluminados políticos?

terça-feira, 27 de maio de 2008

Jovens excepcionais

Segundo o jornal gratuito «Global Notícias» de hoje, um grupo de quatro alunos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), obteve o primeiro lugar, por unanimidade, no concurso Nacional de Software «Imagine Cup», patrocinado pela Microsoft.

O concurso subordinava-se ao tema o Ambiente e incitava os alunos a «imaginar um mundo onde a tecnologia possibilite o desenvolvimento de um ambiente sustentável».

Os quatro alunos, André Souza, José Faria e Marco Barbosa da licenciatura de informática, e Martinha Rocha de Engenharia Ambiental e de Recursos Naturais apresentaram um trabalho inovador para a recolha de óleos alimentares, um projecto intitulado «Smart Containers» que consiste em sensibilizar para o problema da recolha de óleos domésticos usados e a ajudar a resolvê-lo.

Para isso, os quatro universitários criaram um recipiente inteligente de baixo custo que permite á empresa de recolha saber quando o recipiente está pronto a ser recolhido. Esse desiderato é conseguido pela possibilidade de o software de gestão central fazer automaticamente a monitorização dos recipientes e elaborar as rotas de recolha, com a representação automática dos recipientes no mapa, devido a sensores, à ligação em rede online ao processamento dos dados e à representação num mapa da área de responsabilidade.

Tal como, outros casos já aqui referidos noutros artigos, este evidencia que nas gerações mais jovens existem pessoas altamente capacitadas para inovar e tratar de problemas complexos. O futuro de Portugal depende de serem dadas aos jovens mais capazes condições de estudo e trabalho adequadas aos seus projectos e serem aproveitados na economia do País em funções que contribuam para resolver os temas essências da vida das populações. Isto exige dos detentores do Poder a selecção do que é substancial para o País a definição de prioridades por forma a não perder tempo com coisas de menos significado para o desenvolvimento das condições de vida da população.

Há razões para ter esperança no futuro, assim tenhamos governantes à altura das competências que estão surgindo.

Ver o post Jovens válidos são esperança para o País e a lista de links que contém.

FORÇA PORTUGUESES!


Recebi este mail recentemente, que aqui publico por acreditar que é, no mínimo, pertinente e se adequa na perfeição à triste realidade política-económica que o nosso país atravessa.

SEGUNDO PALAVRAS DO PRÓPRIO MINISTRO DA ECONOMIA, NÓS PORTUGUESES QUE TEMOS VIATURA PRÓPRIA, AO CONTRÁRIO DO PRÓPRIO MINISTRO QUE TEM CARRO E DESPESAS PAGAS PELOS NOSSOS IMPOSTOS, ("QUEM UTILIZA COMBUSTÍVEIS QUE OS PAGUE, NÃO OS CONTRIBUINTES...!"), ISTO É IGNORÂNCIA E UM INSULTO AOS MILHÕES DE PORTUGUESES QUE COMO EU, PAGAMOS OS IMPOSTOS E PRECISAMOS DE UMA VIATURA PARA IR PARA O TRABALHO, POIS NÃO HÁ TRANSPORTES PÚBLICOS NUM RAIO DE 10KM DO MEU EMPREGO, NEM TÃO POUCO TENHO QUEM VÁ BUSCAR OS MEUS FILHOS À ESCOLA.
TALVEZ O SENHOR MINISTRO POSSA LÁ IR, POIS TEM CARRO E GASOLINA À BORLA PAGOS PELOS NOSSOS IMPOSTOS.
A ALTERNATIVA QUE TEMOS TODOS DE PROCURAR NÃO PASSA POR SUBTITUIR OS NOSSOS CARROS POR BICICLETAS OU PATINS, MAS SIM SUBSTITUIR OS NOSSOS GOVERNANTES QUE DIARIAMENTE DÃO PROVAS DE IGNORÂNCIA SOCIAL E ECONÓMICA EM PROL DOS SEUS PRÓPRIOS INTERESSES E NÃO DOS DO PAÍS.
ESTÁ A CHEGAR A ALTURA IDEAL PARA MOSTRAR À EUROPA O NOSSO DESCONTENTAMENTO, ALÉM DA BANDEIRA NACIONAL PENDURADA NA NOSSA JANELA DURANTE O EURO 2008 COLOQUEMOS TAMBÉM UMA MANTA NEGRA EM SINAL DE LUTO PELAS POLITICAS MAL APLICADAS E PELO SOFRIMENTO ECONÓMICO QUE ESTAMOS A ATRAVESSAR POR VONTADE DE UMA EUROPA INDIFERENTE ÀS DIFICULDADES DO NOSSO PAÍS, POIS SÓ ASSIM PODEMOS MOSTRAR À EUROPA O QUE REALMENTE SE PASSA NESTE PAÍS QUE ESTÁ LENTAMENTE A MORRER ASFIXIADO PELO AUMENTO DESCONTROLADO DOS COMBUSTÍVEIS, DOS JUROS E DOS BENS ALIMENTARES.
POR FAVOR REPASSEM ESTE EMAIL A TODOS OS VOSSOS CONTACTOS, SOMOS TODOS PORTUGUESES E ISTO TEM DE ACABAR, OU ENTÃO É O PAÍS QUE ACABA!
FORÇA PORTUGAL!
FORÇA PORTUGUESES!