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quinta-feira, 12 de março de 2009

PELA SALVAÇÃO DO POSTO DE TRABALHO, PARA NÃO RECORRER À MENDICIDADE

Quem fez a crise, que pague a crise.

Se um trabalhador for incompetente ou de qualquer forma executar a sua função ou tarefa com ineficácia, desleixo e prejudicar o bom funcionamento e sequência do trabalho para que estava contratado, é-lhe movido um processo disciplinar podendo até ser despedido com justa causa.

Por que razão não se pode aplicar esta “regra” aos milhares de incompetentes que nos levaram a todos para a situação actual, sim, porquê não?

Quando digo fábrica fechada, era fábrica ocupada, estou simplesmente a dizer, se os trabalhadores nada fizeram para que a mesma fechasse, por tal, temos o direito de salvaguardar o nosso posto de trabalho.

Portugal atingirá a curto prazo a cifra astronómica de QUINHENTOS MIL DESEMPREGADOS, 10% da população activa, milhares de compatriotas nossos começaram a recorrer à caridade, a sopa dos pobres não aceita mais ninguém, milhares de casas deixaram de ter electricidade ou água canalizada, a falta de pagamento assim o obriga, a carne ou o peixe tornou-se um luxo, no fundo, Portugal tornar-se-à a curto prazo um país de pedintes e sub-nutridos, onde meia-dúzia de chicos-espertos pró-sistema continuarão a mamar na teta daquilo que vai sobrando.

Solução, claro que existe solução, bastava para tal que o Povo de consciencializasse que o seu posto de trabalho nunca podia ser posto em causa, aliás direito constitucionalmente consagrado. Se somos nós que criamos a riqueza porque não tomar nas nossas mãos os nossos destinos, porque não actuarmos com firmeza perante actos de intimidação de quem põe em causa o nosso futuro e o dos nossos filhos?

Sim camaradas, não fomos nós que fabricamos a “crise”, esta foi-nos imposta pelo grande capital, pelos especuladores, pelos incompetentes quer governantes quer gestores, então vamos pedir-lhes responsabilidades. A única forma que temos é a da luta pelo posto de trabalho, se o patrão quer abandonar a empresa então tomamos nós conta da mesma, não somos capazes? Claro que somos. A auto-gestão é o caminho, exemplos de empresas auto-gestionárias não faltam, temos é de tomar atitudes firmes, sermos unidos e solidários e não deixar que ninguém fale ou actue em nosso nome.

# ferroadas

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O NEO-LIBERALISMO OU A BURGUESIA DECADENTE

Há uma ideia comum embora falsa de que votar a cada quatro anos para eleger uns quantos tipos pertences de uma máquina burocrática altamente centralizada significa que o povo comum controla o estado. Será mesmo assim? Obviamente que não.
O voto é uma importante vitória arrancada dos poderosos. Mas ele é apenas um pequeno passo a caminho do socialismo libertário. Todas as formas de hierarquia, até mesmo aquelas em que aqueles que estão no topo são eleitos, são marcadas pelo autoritarismo e pelo centralismo. Em todo o sistema hierárquico, o poder está concentrado no topo de uma elite de forma que a sociedade torna-se impotente para se impor ou libertar. E tudo isso, para uma vez eleitos, possam fazer tudo ao seu belo prazer. Em todas as burocracias políticas, muitas decisões importantes são tomadas por pessoas não eleitas, ou seja pelos lobys de pressão. No estado burguês acontece com frequência a passagem de fulanos da política para empresas e vice-versa o que demonstra a promiscuidade entre estas duas “castas”, poder político e poder económico.
A natureza da centralização é colocar o poder nas mãos de uns poucos privilegiados e incompetentes. A democracia representativa baseia-se nesta delegação de poder, com eleitores elegendo outros para governá-los. Além de não ajudar isto pode criar uma situação em que a liberdade é colocada em risco.
Bakunin dizia: “o sufrágio universal não previne a formação de um corpo de políticos, privilegiados, os quais, dedicando-se exclusivamente à administração dos negócios públicos da nação, acabe tornando-se uma espécie de aristocracia ou oligarquia política”
O centralismo torna a democracia sem sentido, com a tomada de decisão política sendo determinada por políticos profissionais em capitais distantes, sem autonomia local, as pessoas ficam isoladas umas das outras (atomizadas) sem qualquer forum político onde possam discutir em conjunto, debater, e decidir eles mesmos os assuntos que consideram importantes. As eleições não se baseiam em agrupamentos naturais, descentralizados e assim deixam de ser pertinentes. O indivíduo é apenas mais um “eleitor” no meio da massa, um “componente” político e nada mais.
O povo isolado não representa nenhuma ameaça aos poderes instituídos. Este processo de marginalização pode ser visto na história “ocidental”, por exemplo, quando as reuniões nas cidade foram substituídas por corporações eleitas, com os cidadãos sendo colocados no papel passivo de espectadores. Na condição de um eleitor atomizado o mesmo dificilmente terá uma noção ideal de «liberdade», apesar da retórica dos políticos sobre as virtudes de uma «sociedade livre» e de «um mundo livre» como se o acto de votar uma vez a cada quatro pudesse ser classificado como «liberdade» ou até mesmo como «democracia».
Deste modo, o interesse e o poder sociais são retirados aos cidadãos comuns e centralizados nas mãos de uns poucos. A marginalização das pessoas é o mecanismo de controle chave para o estado e para as organizações autoritárias em geral. Considerando a UE, por exemplo, verificamos que o mecanismo de tomada de decisão entre os estados que a compõem, repousa nas mãos de uns quantos funcionários burocráticos, através de grupos de trabalho altamente centralizados e centralizadores. Os encontros das cúpulas, incluem os Primeiros-ministros, que simplesmente endossam as conclusões concordadas pelos Ministros e outros burocratas que na sua maioria nada sabem dos assuntos discutidos. Só depois desse processo intergovernamental, é que os parlamentares e o povo são informados das decisões tomadas.
Assim como as elites sofrem pressões económicas, os governos também enfrentam pressões dentro do próprio estado devido à burocracia que vem com o centralismo. Há uma enorme diferença entre estado e governo.
Como Bakunin mostrou, “a liberdade só pode ser válida quando o controle popular do estado é válido. Pelo contrário, onde tal controle é fictício, esta liberdade das pessoas se torna igualmente uma mera ficção”
Isto significa que o centralismo do estado pode-se tornar uma séria fonte de perigo à liberdade e ao bem-estar da maioria das pessoas subjugadas a ele. Porém, algumas pessoas beneficiam do centralismo estatal, esses que vegetam no poder e que querem “carta branca” para fazer o que bem entendem, ou seja, os dois sectores da elite governante e poderosa, os burocratas e os políticos profissionais, ambos vendidos ao capitalismo.

#ferroadas
Publicado também em O LIBERTÁRIO

terça-feira, 3 de junho de 2008

A II Grande Depressão?

A fotografia Migrant Mother, uma das fotos americanas mais famosas da década de 1930,
mostrando Florence Owens Thompson, mãe de sete crianças, de 32 anos de idade,
em Nipono, Califórnia, março de 1936,
em busca de um emprego ou de ajuda social para sustentar sua família.
Seu marido havia perdido seu emprego em 1931, e morrera no mesmo ano.
(ler mais sobre a Grande Depressão)

Fome e revoltas em todo o mundo: Uma catástrofe iminente

As revoltas da fome no Haiti e em vários países de África puseram em destaque uma perspectiva catastrófica. Este cenário é admitido por organismos internacionais do capitalismo. Por exemplo, a ONU adverte para o perigo de uma “crise global” devido ao custo dos alimentos. O seu Secretário-geral, Ban Ki Moon, declarou – em Viena de Áustria – que a “evolução dos mercados” levou a que cem milhões de pessoas estejam próximas de uma crise alimentar. Quer dizer, de perigo iminente de morrer de fome. A ONU anuncia que a subida dos preços desestabilizarão a economia de pelo menos 30 países. O custo dos alimentos de primeira necessidade disparou nos dois últimos anos. O trigo subiu 165%, o arroz 156%, a soja 125%, o milho 168%, o óleo de palma 145%. Para uma boa parte da humanidade isto é uma catástrofe. José Maria Sumpsi, subdirector da FAO (Agência da ONU para a alimentação e a agricultura), declarou que “os preços não voltarão ao nível antes. Manter-se-ão num patamar bastante alto, pelo menos 10 anos”. Consideremos a situação na África Central, onde, como é explicado pela Agência France Press: “O arroz, aumentou nos últimos meses mais de 50 % na Costa do Marfim, 50 % na República Centro-africana, 39 % nos Camarões, 45 % no Senegal, 42% na Mauritânia, e cerca de 300 % na Serra Leoa”. Um dirigente sindical da República Centro-africana declarou que “se o Governo não faz algo para que estes preços baixem, passaremos à acção. Aqui não recebemos regularmente os salários, e não nos podem impor mais sofrimentos”. Uma situação que só poderá agravar-se, se tivermos em conta que uma das exigências centrais do Fundo Monetário Internacional (FMI) a estes países sempre foi que não se subsidiassem os produtos de primeira necessidade, e que os consumidores paguem o preço real dos alimentos.

No nosso país, a fome não atinge as proporções destes países africanos, mas os aumentos de preço dos produtos básicos afectam gravemente milhões de pensionistas e cidadãos com baixos rendimentos, além de prejudicarem o conjunto da população trabalhadora.

O FMI anunciou que o impacto negativo do aumento dos preços dos alimentos pode, nalguns países, equivaler a uma quebra na sua Balança de Pagamentos de 1% do seu PIB.

Quais são as causas desta grave crise? Em primeiro lugar, a política de abandono de terras e a redução de cultivos, imposta pela União Europeia, na Europa, e pelos Tratados de Livre Comércio, que arruinaram os pequenos camponeses, na América Latina.

Convém recordar que só em Portugal a área cultivada diminuiu 5,1%, entre 1995 e 2003, e que o nosso país já importa 80% dos produtos alimentares que consome.

Um desastre programado

Trata-se de uma política mundial que está a levar à falta de reservas de alimentos. Nos finais de Abril, as cadeias de distribuição dos EUA – Costco e Wal-Mart – anunciaram que limitarão a venda de arroz branco a quatro sacos de nove quilos por pessoa, indicando que os próprios EUA poderiam ter problemas de abastecimento.

O Conselho Internacional dos Cereais (CIC), com sede em Londres, adverte ser provável que as reservas mundiais de grão se manterão num nível “muito baixo”, especialmente nos EUA.

Nos últimos anos, milhões e milhões de hectares destinados a produzir alimentos para consumo humano foram destinados a cultivos industriais para exportação controlados por multinacionais.

Mas, para além da redução das terras cultivadas – que já visa provocar uma subida dos preços – há a questão da especulação. A imprensa fala com frequência dos chamados biocombustíveis. Trata-se da produção de cereais e de óleos não para a alimentação humana, mas sim para produzir combustíveis para os motores (etanol, destilado dos cereais, como substituto da gasolina, ou biodiesel – obtido a partir de óleos vegetais). A administração Bush apoia, nos EUA, a produção de etanol (25% da sua colheita de milho foi dedicada a esse fim, no ano passado) e a União Europeia fixou o objectivo de, em 2020, 10% dos combustíveis serem biocombustíveis.

Isto tem animado as Bolsas e os mercados de matérias-primas a especular com base na subida dos preços. É evidente que a especulação com os alimentos se processa em paralelo com a especulação com o petróleo, que viu multiplicados por 10 os seus preços em dez anos e que, nos últimos 8 meses, subiu de 70 para 120 dólares por barril.

O principal grupo alimentar dos EUA, Cargill, acaba de anunciar que os seus lucros aumentaram 86%. Esta é a outra face da fome generalizada que está a ser organizada à escala internacional.

Os “peritos” ao serviço do capitalismo fazem debates sobre soluções técnicas para a carestia dos alimentos. E, como é natural, propõem as “soluções” que servem às grandes multinacionais dos alimentos (Monsanto, Nestlé, Pepsico, Unilever,…): mais transgénicos (quer dizer, sementes que constituem um monopólio destas multinacionais), novos adubos químicos, etc. Também propõem uma nova discussão no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), para “liberalizar” o comércio de alimentos. Ou seja, para que as multinacionais inundem o mercado com os seus produtos, expulsem os pequenos agricultores, assegurem um monopólio completo das sementes e da produção.

Não, não se trata de “soluções técnicas”. A única saída é acabar com o regime da propriedade privada dos meios de produção, hoje convertido no reino da especulação.

De facto, é este regime que arrasta a civilização para a mais negra barbárie – aquela em que a necessidade mais primária de cada homem, alimentar-se, já não consegue ser assegurada para centenas e centenas de milhões de seres humanos.

Os grandes títulos do Expresso, de 3 de Maio – “Subida de preços imparável” ou “O pão vai tornar-se um produto de luxo?” – não significam exactamente isso?

É precisamente esta situação de extrema gravidade que já provocou as revoltas da fome em trinta países, nestes últimos meses.

Aqueles que nos dizem que se trata de uma situação inevitável são, efectivamente, os que se subordinam ao sistema que criou as condições para esta catástrofe: o imperialismo e as suas instituições (do FMI, ao Banco Mundial e à OMC, passando pela União Europeia – que age para impor na Europa a política que em conjunto definem).

Não é então necessária a ruptura?

Joaquim Pagarete in O Militante Socialista (POUS)/Maio 2008