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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Suspeição do eleitor

Transcrição do post de 15 de Março publicado no blogue As minhas Leituras de José Luís Sarmento Maia. Análise com isenção, serenidade e lógica, que merece ser meditada por todos os cidadãos eleitores e, principalmente, pelo indivíduo visado.

Será José Sócrates corrupto?

José Sócrates é suspeito no caso Freeport. Podem as polícias e as magistraturas portuguesas não suspeitar dele - dão a impressão, de resto, que evitam diligentemente suspeitar - mas eu, por exemplo, suspeito. E suspeitam muitos outros portugueses, tenho a certeza. E suspeitam as autoridades britânicas.

Trata-se duma simples transposição da voz activa para a voz passiva: se alguém suspeita dele, é suspeito.

Como cidadão, perante a justiça, José Sócrates beneficia da presunção de inocência: deve ser considerado inocente até se provar que é culpado. Como político em campanha, perante os eleitores, não beneficia da mesma presunção: é culpado até se provar que é inocente, e assim é que está bem. Perante um tribunal, um réu pede que não o condenem, e numa sociedade civilizada tem direito a que o ónus da prova recaia sobre quem o acusa. Mas um político em campanha não é um réu perante um tribunal, a não ser em sentido metafórico. Não está a pedir aos eleitores que não o condenem: está a pedir-lhes que confiem nele. E para tal tem que ser ele a provar que é digno desta confiança.

Eu não quero José Sócrates preso sem provas cabais de que é culpado; mas também não o quero eleito sem provas cabais de que é inocente. Ao mostrar-se tão ofendido por suspeitarem dele e ao recusar-se a dar explicações, José Sócrates não afasta as suspeitas, só as reforça.

Os cidadãos eleitores, ao contrário dos tribunais, têm o direito de ter em consideração os antecedentes do acusado. No caso de José Sócrates, estes não são brilhantes: projectos de engenharia elaborados por outros e assinados por ele, o uso prolongado dum título académico falso, a obtenção deste título por processos lamentáveis, a sistemática obstrução, no Parlamento, de todos os projectos de lei que visassem dificultar a corrupção, a aprovação dum Código de Processo Penal que dificultou ainda mais a investigação e a prova nos crimes de colarinho branco, a colagem sistemática aos interesses do poder económico em detrimento do bem público: nada disto prova nada contra ele no caso Freeport, mas tudo isto torna plausíveis as suspeitas.

Quanto às promessas eleitorais não cumpridas, há uma que pode ter perdão e outra que seguramente não o tem. Se José Sócrates não cumpriu a promessa de criar 150.000 novos postos de trabalho, pode alegar que tentou mas não conseguiu. Isto aceita-se. Pode até tergiversar e dizer que nunca prometeu um saldo positivo na criação de emprego, nem que os empregos criados fossem melhores, mais bem pagos e menos precários do que os empregos destruídos: será mais um exemplo de trafulhice a juntar a tantos outros, mas quase se pode aceitar. O que não se aceita de todo é que tivesse prometido um referendo sobre o Tratado de Lisboa e não o tivesse feito. Se José Sócrates não cumpriu esta promessa, não foi porque não pudesse: foi porque não quis.

E não quis porque a Europa que ele quer é a que a oligarquia quer: uma Europa dos interesses contra uma Europa dos Cidadãos. O referendo foi sonegado aos eleitores para evitar que eles, votando contra aquela, abrissem caminho a esta.

Para José Sócrates exigir, como arrogantemente exige, que o consideremos acima de toda a suspeita, devia ter construído no passado uma reputação em que pudesse fundar esta exigência. Não a construiu. Pelo contrário, provou abundantemente que a mentira, a artificialidade, a superficialidade, o discurso vazio, a trafulhice, as explicações embrulhadas, a subserviência ao poder económico - incluindo o sector mais criminoso deste poder - são as marcas definidoras do seu estilo. Eu, pela minha parte, nunca lhe compraria um carro usado; muito menos votarei num PS de que ele seja líder.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Freeport : Sondagem da Univ. Católica

A maioria não é assim tão burra que vá outra vez votar em Sócrates (embora isto seja tudo gente “sem simpatia partidária”, ou seja talvez nesse dia nem vão votar!)

(Gente sem simpatia partidária é gente com quem os partidos não simpatizam ou é gente que não simpatiza com os partidos?)

Em suma: é uma sondagem, vale o que vale, mas não deixa de ser curioso que destes ainda haja 42% que roça com o dedo na ferida. Eu diria antes a actuação negativa da Justiça portuguesa, que a meu ver é o mais grave e perigoso que ressalta de mais este caso Freeport. Mas nada de que não suspeitássemos, não é verdade?

Resultados da Sondagem sobre o caso Freeport

A sondagem da U. Católica sobre o caso Freeport saiu hoje no JN. Alguns dados interessantes podem ser apurados, destacando-se a mossa que o caso está a ter na imagem do primeiro-ministro, nomeadamente entre os eleitores sem qualquer simpatia partidária.

- 61% dos inquiridos acha que Sócrates deixou coisas por esclarecer (65% dos quais não possui qualquer simpatia partidária);
- 43% dos inquiridos acredita que houve favorecimento no licenciamento do Freeport (47% dos quais não possui qualquer simpatia partidária);
- 31% dos inquiridos afirma que a sua opinião sobre José Sócrates piorou (31% dos quais não possui qualquer simpatia partidária).

De destacar também que 42% avalia negativamente a actuação das autoridades judiciais, 38% concorda com a existência de uma “campanha negra” e 44 % avalia positivamente a actuação da comunicação social.

Sondagem retirada do blogue Activismo de Sofá