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segunda-feira, 13 de abril de 2009

AUTOGESTÃO, O CAMINHO

A ocupação da fábrica de portas e janelas, Republic Windows and Doors, localizada em Chicago nos Estados Unidos, foi encerrada no último dia 11, depois de quase uma semana de ocupação. Os 250 operários estavam na fábrica desde o dia cinco.
Trabalhadores da Republic Windows& Doors foram atendidos depois de seis dias de ocupação da fábrica, mostrando que contra as demissões o caminho é a ocupação das fábricas e a auto-gestão.

Os trabalhadores ocuparam a fábrica depois que souberam que os patrões iriam fechá-la sem pagar nenhum direito aos trabalhadores. Algumas máquinas e equipamentos já tinham sido retirados da fábrica pelos patrões antes da ocupação. A fábrica conta com a maioria, 80%, de trabalhadores latino-americanos.
Os trabalhadores reivindicavam o pagamento de indenização referente a 60 dias de salário, férias e também seguro saúde. A empresa despediu os trabalhadores sem qualquer aviso prévio. No estado de Illinois, os trabalhadores, antes de serem demitidos, têm o direito de receber dois meses de salário e pagamento de férias.
A ocupação teve repercussão em todos os Estados Unidos e até mesmo internacional. Os principais jornais noticiaram a ocupação, sindicatos e associações de imigrantes deram apoio à ocupação. Uma das justificativas para o fecho da fábrica foi o corte de crédito do Bank of America, mesmo após ter recebido do governo norte-americano uma ajuda de US$ 25 biliões como parte do pacote “salva-vidas” para as empresas diante da crise financeira.
Na quarta-feira, dia 11, cerca de 1.000 pessoas, entre os trabalhadores da fábrica, sindicatos, associações, estudantes etc., fizeram um protesto em frente ao Bank of America para exigir o pagamento.Com forte pressão e apoio generalizado, o Bank of America cedeu e pagou US$ 1,35 milhões para os trabalhadores. O banco JP Morgan Chase, proprietário de 40% da fábrica também desembolsou os restantes US$ 400 mil dólares para o pagamento dos trabalhadores.
O atendimento das reivindicações ocorreu devido à pressão dos trabalhadores e o forte receio de que este movimento contagiasse outros trabalhadores e provocasse uma onda de ocupações de fábricas em todos os Estados Unidos.
Os trabalhadores de Chicago, da Republic Windows and Doors mostraram o caminho para a classe trabalhadora norte-americana e mundial lutar contra a crise e a ofensiva dos patrões para acabar com direitos e com os empregos, assim como a auto-gestão.
Isto passou-se a 16 de Dezembro de 2008 nos USA’s, país onde os direitos dos trabalhadores é miragem, onde o capitalismo mais selvagem predomina, mas a luta destes trabalhadores em “terreno” nada propício levou a que as suas reivindicações e direitos vencessem.
E por cá?
Onde estão os “heróis” (chefes) dos sindicatos a apoiarem formas de luta idênticas?
Onde estão os grandes defensores da classe operária?
O caminho é este: ocupação de fábricas e auto-gestão.

# ferroadas

quinta-feira, 5 de junho de 2008

IDEIAS PARA A ALTERNATIVA (PARTE III)

ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E LABORAL

Além do crescente desencanto com os políticos profissionais, na democracia representativa a opinião do Povo só é consultada uma vez a cada quatro anos. E após serem eleitos, os políticos tradicionais podem agir praticamente como bem entenderem, até a próxima eleição.
Essa separação em
castas de governantes e governados faz com que os políticos estejam mais atentos às suas próprias vontades e vontades de outros poderes que não aquele que emana da eleição popular, como por exemplo o económico. O político ocupa uma posição que foi criada pela delegação de um poder que não lhe pertence de facto, mas apenas de direito. Entretanto, ele age como se o poder delegado fosse dele, e não do eleitor. Isso torna a sua vontade susceptível a todo tipo de negociatas das quais ele possa extrair mais poder, seja em forma de aliados políticos ou em forma de capital.
O fim da casta de políticos tornaria o jogo político-social mais intenso, com discussões verdadeiramente produtivas mobilizando a sociedade, pois atribuiria ao voto um valor inestimável, uma vez que pela vontade do povo questões de interesse próprio seriam decididas (imaginem o fervor que surgiria nas semanas que antecederiam uma votação a favor ou contra o aumento do salário mínimo, integração europeia, tratado de Lisboa, etc.).
Escreveu Kropotkin no seu livro “A Conquista do Pão”
“haverá um dia em que o sistema económico será baseado em trocas de bens e serviços e na cooperação voluntária entre todos os cidadãos. Desta forma, seria possível produzir riqueza suficiente para satisfazer as necessidades de todos, trabalhando-se apenas cinco horas por dia durante a idade adulta e deixando o resto do dia livre para a satisfação pessoal”. Segundo ele, o capitalismo, sendo baseado na competição, é o responsável pela má distribuição de recursos e sua consequente escassez.


Se reparar-mos é o que acontece nos países desenvolvidos do norte da Europa, onde a Noruega é um bom exemplo.
Quando um organismo é administrado pelos seus participantes em regime de democracia directa chama-se AUTOGESTÃO. Em autogestão, não há a figura do patrão, mas todos os trabalhadores participam das decisões administrativas em igualdade de condições. Em geral, os trabalhadores são os proprietários da empresa auto-gestionada. Não confundir com controle operário, que mantém a hierarquia e o controle externo do organismo (ou da fábrica) a algum organismo ou instância superior (como um partido político por exemplo). Os conceitos de autogestão costumam variar de acordo com a posição política ou social de determinado grupo. O conceito de autogestão caracteriza-se por eliminar a hierarquia e os mecanismos capitalistas de organização envolvidos. Já os conceitos de controle operário mantém os mecanismos tradicionais de organização capitalista.
continua